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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Menopausa: desconhecimento ainda domina buscas online e ajuda a explicar por que 44% das mulheres com sintomas não fazem tratamento

 Escuta digital mostra dúvidas básicas sobre “o que é menopausa?”, enquanto pesquisa aponta invalidação de sintomas e falta de orientação terapêutica

 

Mesmo afetando cerca de 30 milhões de mulheres no Brasil, a menopausa segue marcada por dúvidas básicas e por um cenário de subtratamento.¹

Uma escuta digital realizada via Answer the Public no Brasil, em agosto de 2026, identificou que a pergunta “o que é menopausa?” concentra mais de 18 mil pesquisas mensais, além de apontar confusões conceituais entre climatério e perimenopausa e tentativas de explicar sintomas isolados sem correlacioná-los à flutuação hormonal.² 

Na prática, a falta de informação se soma à negligência e à deslegitimação dos sintomas vivenciada por muitas mulheres. Uma pesquisa da Ipsos, encomendada pela Bayer (2025), com 800 mulheres no Brasil, mostrou que 44% das respondentes que apresentam sintomas da menopausa não realizam nenhum tipo de tratamento.³


O levantamento também aponta que os sintomas são frequentemente minimizados: metade das mulheres afirma que seus sintomas de saúde já foram tratados como “exagero” ou “algo normal”, proporção que sobe para 65% entre mulheres na perimenopausa.³
 

O ginecologista e diretor do departamento médico da Bayer no Brasil e a América Latina, Eli Lakryc, aponta que a dúvida vai ainda além do tratamento dos sintomas e da qualidade de vida dessas mulheres, podendo culminar até mesmo em um cenário com uma gravidez não planejada, que acomete 48% das mulheres na faixa etária dos 40 aos 44 anos, quando, geralmente, estão na fase da perimenopausa.4 “A irregularidade menstrual característica desse período pode gerar a falsa sensação de infertilidade e levar ao abandono de métodos contraceptivos, mas, aos 45 anos, 45% das mulheres ainda são biologicamente capazes de engravidar. Nesse contexto, uma gravidez não planejada pode elevar os riscos obstétricos e clínicos para a mãe e para o bebê”.
 

Congresso no Rio de Janeiro coloca o tema em evidência no Mês de Conscientização sobre a Menopausa
 

No Mês de Conscientização sobre a Menopausa, o Rio de Janeiro sedia o 20º congresso mundial sobre o tema. “Recentemente tivemos grandes avanços na desmistificação dos tratamentos relacionados à menopausa, mais pessoas falando sobre o tema e compartilhando histórias, mas ainda há um longo caminho a percorrermos”, afirma Lakryc.   

Um deles, de acordo com o especialista, é a falta de uma comunicação mais objetiva na conversa entre médicos e pacientes. “Vimos em nossa pesquisa com a Ipsos que 53% das respondentes afirmaram que seus médicos nunca apresentaram opções de reposição hormonal, ou seja, o tratamento mais seguro e eficaz disponível para o controle dos sintomas vasomotores e para a preservação da massa óssea das mulheres na menopausa”. 

O medo ao redor da terapia de reposição hormonal tem nome: estudo WHI. “Em 2002, a divulgação dos primeiros resultados do estudo Women’s Health Initiative (WHI), sugeriu, equivocadamente, uma correlação entre a terapia e o câncer de mama e isso contribuiu drasticamente para uma redução na utilização do tratamento”, explica.  

Em 2025, a partir de novas análises, o tema ganhou um novo capítulo quando a Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, determinou a retirada das ‘boxed warnings’ (advertências da caixa). A mudança visou transmitir informações atualizadas e precisas sobre os riscos e benefícios da TRH, marcando o fim de uma era de medo e desinformação. “Nesse percurso, o DIU hormonal pode ser um aliado importante para algumas mulheres, especialmente na perimenopausa, por contribuir para o controle do sangramento uterino, oferecer contracepção em uma fase em que a gravidez ainda é possível e, em determinados casos, integrar estratégias terapêuticas associadas à reposição hormonal para a proteção endometrial, sempre sob orientação médica”, finaliza Lakryc.

 

Informação para separar mitos de verdades

A menopausa é, ainda, um assunto cercado de crenças populares e mitos que também podem gerar entraves na jornada de acesso ao cuidado. Lakryc esclarece algumas das principais afirmações que podem confundir as mulheres e levarem questões médicas que necessitam de atenção a serem normalizadas:
 

“Menopausa é um problema de saúde que pode ser evitado” — Mito. A menopausa é uma fase biológica natural da vida, marcada pelo fim definitivo dos ciclos menstruais. Entretanto, essa constatação não significa que os sintomas associados a essa transição devam ser ignorados. Todas as pessoas devem procurar orientação médica para lidar com sintomas que as incomodem e afetem a qualidade de vida.
 

“Menopausa só acontece depois dos 50 anos.” — Mito. Embora a menopausa ocorra, em geral, entre os 45 e 55 anos, algumas mulheres podem passar por ela mais cedo, inclusive antes dos 40 anos. Manter consultas e exames ginecológicos em dia é fundamental para acompanhar essa situação.
 

“Ondas de calor são o único ou o principal problema da menopausa.” — Mito. Os fogachos são um dos sintomas mais conhecidos, mas a transição menopausal pode estar associada a alterações no sono, humor, sexualidade, ressecamento vaginal, irregularidade menstrual, sintomas geniturinários e impactos sobre a saúde óssea, entre outros. Cada mulher experiencia esse momento de uma forma única e, por isso, o cuidado individualizado é tão importante.
 

“Tenho ciclos menstruais irregulares e mais de 40 anos de idade, mas ainda posso engravidar.” — Verdade. Independentemente da idade, enquanto houver ciclos menstruais, mesmo que irregulares, a ovulação ainda pode ocorrer. Por isso, a necessidade de contracepção deve ser discutida individualmente com o ginecologista.
 

“Toda mulher terá sintomas intensos na menopausa.” — Mito. A experiência de cada mulher é individual. Algumas apresentam poucos ou nenhum sintoma, enquanto outras podem ter manifestações que interferem significativamente na rotina. Para aquelas que precisam de tratamento, existem alternativas hormonais e não hormonais, que devem ser avaliadas de acordo com os sintomas, o histórico de saúde e as preferências de cada mulher.
 

“A terapia hormonal é um tratamento perigoso.” — Mito. A terapia hormonal é o padrão-ouro de tratamento e resultados comprovadamente eficazes no manejo dos sintomas da menopausa. Porém, assim como qualquer outra terapia, ela não é indicada indiscriminadamente para todos os públicos. Pacientes com histórico de câncer de mama, por exemplo, têm contraindicação ao uso. A decisão sobre o tratamento sempre deve ser feita de forma individualizada e com acompanhamento médico.
 

“Sangramento irregular na perimenopausa é normal.” — Mito. Alterações no padrão menstrual são comuns durante a perimenopausa, mas sangramentos anormais, intensos ou persistentes devem ser avaliados por um profissional de saúde para identificar sua causa e definir a melhor conduta de tratamento.
 

“O DIU hormonal pode ter um papel além da contracepção.” — Verdade. Para algumas mulheres na perimenopausa, o DIU hormonal pode contribuir para o controle do sangramento uterino e oferecer contracepção. Em determinadas estratégias terapêuticas, também pode ser utilizado para proteção endometrial associada à terapia hormonal, sempre conforme avaliação e orientação médica.


  
Referências:

  1. SENADO FEDERAL. Mulheres na menopausa: invisibilidade deixa tratamento fora da agenda pública. Brasília, DF, 2024. Disponível em: . Acesso em: 5 ago. 2026.
  2. Answer The Public. Termo “Menopausa”. Brasil. Coleta em 23 de agosto de 2026.
  3. Ipsos. Pesquisa Saúde Feminina, encomendada pela Bayer. 2025.

4.    JOHNSON-MALLARD, Versie; KOSTAS-POLSTON, Elizabeth A.; WOODS, Nancy Fugate; SIMMONDS, Katherine E.; ALEXANDER, Ivy M.; TAYLOR, Diana. Unintended pregnancy: a framework for prevention and options for midlife women in the US. Women's Midlife Health, v. 3, art. 8, 2017. DOI: 10.1186/s40695-017-0027-5.

 

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