Dor, hematomas e
desproporção corporal estão entre os sinais que podem indicar quando as
alterações nas pernas precisam de investigação médica
Dor ao toque, hematomas frequentes e pernas que
permanecem desproporcionais ao restante do corpo mesmo após a perda de peso
podem indicar que o problema vai além da gordura localizada. O lipedema costuma
ser confundido com excesso de peso ou uma questão apenas estética, o que pode
atrasar a investigação e levar a tentativas de emagrecimento que não resolvem
sintomas como sensibilidade, inchaço e sensação de peso.
Para Bruna Makluf, nutricionista e diretora de Nutrição da WeFit, healthtech brasileira especializada em saúde personalizada e nutrição
de precisão, a ausência de um teste específico exige uma análise que vá além do
peso corporal.
“Quando a desproporção entre o tronco e os membros
aparece com dor, sensibilidade ou hematomas frequentes, a balança deixa de
explicar o quadro inteiro. Tratar toda alteração de volume como excesso de peso
pode atrasar a investigação correta”, afirma Bruna.
Lipedema e obesidade são
condições diferentes
Embora possam coexistir, as duas condições
apresentam características distintas. O excesso de tecido adiposo associado à
obesidade tende a atingir diferentes regiões do corpo e está relacionado a
diversos fatores metabólicos, ambientais e comportamentais. No lipedema, o
acúmulo costuma ser desproporcional, bilateral e simétrico, principalmente nas
pernas e, em alguns casos, nos braços. Os pés e as mãos geralmente são
preservados.
A forma como o corpo responde ao toque também
merece atenção. Dor, sensibilidade, sensação de peso, inchaço e aparecimento
frequente de hematomas podem acompanhar a doença. Nenhum desses sinais,
isoladamente, confirma o diagnóstico, mas a combinação entre eles justifica uma
avaliação médica.
Outra diferença está na resposta ao emagrecimento.
A redução de peso pode beneficiar a saúde metabólica, a mobilidade e a
qualidade de vida, mas nem sempre elimina a desproporção entre o tronco e os
membros ou sintomas como dor e sensibilidade.
“A composição corporal não fecha o diagnóstico, mas
revela o que o peso isolado esconde. Ela permite acompanhar a distribuição dos
tecidos e evita que mudanças distintas na silhueta recebam exatamente a mesma
abordagem”, explica a especialista.
Por que as dietas restritivas
não resolvem sozinhas
O consenso internacional inclui a adequação
nutricional e a melhora dos hábitos de vida entre as medidas conservadoras de
cuidado. A estratégia, no entanto, deve integrar um acompanhamento mais amplo,
que pode envolver atividade física, terapia de compressão e diferentes
especialidades de saúde, conforme as necessidades de cada paciente.
Restrições alimentares severas podem provocar perda
de peso sem necessariamente controlar os sintomas. Quando realizadas sem acompanhamento,
também podem favorecer a perda de massa muscular, deficiências nutricionais e
uma relação mais difícil com a alimentação.
“É possível reduzir o número na balança e continuar
com dor, sensibilidade e limitações no dia a dia. A restrição sem avaliação
pode mudar o peso antes de melhorar a saúde”, ressalta a diretora de Nutrição
da WeFit.
Dentro do acompanhamento nutricional, a análise da
composição corporal, dos exames laboratoriais, da saúde intestinal, da rotina e
dos hábitos alimentares ajuda a definir objetivos mais seguros. A conduta pode
priorizar a preservação da massa muscular, a adequação do consumo de proteínas
e fibras e o controle de alterações metabólicas associadas.
“Individualizar significa ajustar a estratégia às
necessidades reais da paciente, sem transformar uma dieta em promessa de
tratamento. A nutrição participa do cuidado, mas não substitui a investigação
clínica nem a avaliação médica”, aponta Bruna.
Sinais que pedem investigação
O aumento simétrico e desproporcional do volume das
pernas ou dos braços merece atenção quando ocorre com dor ao toque,
sensibilidade, sensação de peso, hematomas frequentes, inchaço ou dificuldade
de movimentação. A preservação dos pés e das mãos também pode ajudar na
avaliação clínica.
Essas manifestações podem ser confundidas com
excesso de peso, alterações circulatórias ou linfedema. Por isso, cabe ao
médico considerar o histórico da paciente, o exame físico e outras possíveis
causas antes de definir a conduta.
“A suspeita de lipedema não deve terminar em uma
nova dieta. Ela deve abrir uma investigação médica e, quando necessário, um
acompanhamento multidisciplinar”, conclui a especialista.
Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Posteriormente, integrou por seis anos a Clínica Seven, exercendo as funções de nutricionista e gestora da equipe de nutrição. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
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WeFit
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Fontes de Pesquisa
Fontes consultadas
Nature Communications, Lipedema World Alliance Delphi Consensus Based Position Paper on the Definition and Management of Lipedema:
https://www.nature.com/articles/s41467-025-68232-z
CNN Brasil, “Lipedema também pode atingir homens; doença é confundida com sobrepeso”:
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/lipedema-tambem-pode-atingir-homens-doenca-e-confundida-com-sobrepeso/
UOL, “Lipedema: saiba mais sobre a doença confundida com obesidade e celulite”:
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2026/06/09/lipedema-saiba-mais-sobre-a-doenca-confundida-com-obesidade-e-celulite.htm
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