Antes de abrir as portas, a ELA passará por formação com Grupo ASF, Fenynx, Barsi Investimento XP, Zuvia, My Selene, IPC (Instituto Paulista de Contabilidade) e Albertone. A partir de janeiro de 2027, terá 12 meses para tocar um negócio real, com R$ 2 milhões em investimento, 10 empresas investidoras e todos os números abertos ao público
E se a inteligência artificial
deixasse de ser só uma ferramenta do empreendedor e se tornasse a própria
empreendedora? É o que o Brasil vai testar a partir de janeiro de 2027, quando
a ELA (Entrepreneur Learning Agent ou Agente Empreendedora de Loja)
abrirá a primeira loja física do país criada e administrada por uma
inteligência artificial. Durante 12 meses, a IA escolherá produtos, negociará
com fornecedores, definirá preços, fará entrevistas para contratação de
funcionários, criará seus próprios departamentos autônomos (Marketing,
Financeiro, Compras, RH, etc), atenderá clientes e prestará contas em público,
com supervisão humana nas decisões sensíveis.
Idealizada no Brasil pela SH Squads, software house especializada em agentes de
inteligência artificial e fintech, e pela Firework Web, empresa de tecnologia
de Bauru (SP), especializada em outsourcing de times. A ELA é apresentada como
a primeira inteligência artificial empreendedora do país. A loja física servirá
como campo de treino e, ao final dos 12 meses de operação real e atendimento ao
público, a expectativa dos idealizadores é ter uma empreendedora digital
formada na prática, pronta para trabalhar dentro das empresas investidoras.
O projeto soma R$ 2 milhões em
investimento e conta com 10 empresas investidoras. A ELA trabalhará com uma
equipe de cinco agentes especializados e passará por quatro frentes de
formação. Todos os números da operação, 100% deles, serão abertos ao público.
Em vez de ser apenas programada, a IA passará por uma formação completa, como
qualquer pessoa que se prepara para abrir o próprio negócio. Serão quatro
frentes de formação que cobrem as áreas que sustentam uma loja de verdade.
A primeira é a de empreendedorismo, com o curso de planejamento, gestão,
atendimento e visão de negócio. A segunda é a jurídica e tributária, conduzida
pelo Grupo ASF e My Selene, Tributáris, que ensina contratos, obrigações legais
e as regras fiscais e tributárias do varejo, principalmente com o novo modelo
do Split payment e o IVA (novo imposto brasileiro que será lançado em 2028). A
terceira é a educação financeira, a cargo da Barsi Investimentos XP, Zuvia e
Fenynx, e envolve caixa, margem, conciliação, fluxo de pagamentos e controle de
custos, ativos digitais e investimentos em renda fixa e variável. A quarta é a
de marketing, com Albertone, voltada a posicionamento, conteúdo, redes sociais
e relacionamento com clientes.
Uma empreendedora com equipe e com limites claros
Na operação, a ELA delegará tarefas a cinco agentes especializados,
responsáveis por compras, atendimento, caixa, equipe e vitrine, e responderá
pelo resultado do negócio. Caberá a ela decidir o mix de produtos, os preços, a
reposição, as promoções e a negociação com fornecedores dentro de um teto
definido, além de atender os clientes por voz, por WhatsApp e no balcão. Os
clientes sempre saberão que estão falando com uma inteligência artificial.
Pessoas executarão o trabalho físico, como recebimento de mercadoria,
reposição, limpeza e segurança. Elas também precisarão aprovar contratações,
compras acima do teto, entrada de novos fornecedores e mudanças na política de
preços.
Quando a loja abrir, um painel público mostrará receita, custos e decisões da
operação, e o Diário da ELA registrará sua rotina de empreendedora, com
decisões, acertos, erros e aprendizados da semana.
Para Lucas Montanini, sócio da SH Squads, o projeto nasce de uma mudança de
perspectiva: em vez de desenvolver mais uma ferramenta para auxiliar o
empreendedor, a proposta é formar uma IA que tenha a experiência de administrar
um negócio. Fernando Hideo, CEO da Firework Web, afirma que a loja física
permite testar a tecnologia em um ambiente que não pode ser totalmente
simulado, com clientes reais, fornecedores, estoque, custos e necessidade de
gerar resultado.
Os 12 meses de operação devem render mais do que um case de varejo. Ao
enfrentar situações reais, a ELA acumulará conhecimento sobre como as decisões
de negócio afetam vendas, custos, operação e relacionamento com clientes. Esse
aprendizado será levado às 10 empresas investidoras, que poderão usar a ELA em
seus próprios negócios. A lógica é simples: primeiro, a IA aprende a
empreender; depois, ajuda outros negócios a empreender.
Após o treinamento do modelo a ELA estará disponível no modelo “as a servisse”
para qualquer empresário do Brasil que quiser aplicar todo conhecimento para
executar em seu negócio. Tanto o pequeno quanto o grande empresário poderá
utilizar a ELA para ajudar em todos os departamentos.
De San Francisco ao varejo brasileiro
Em março de 2026, Lucas Montanini conheceu e acompanhou o lançamento da Luna,
IA empreendedora criada pela Andon Market, apresentado como uma das primeiras
lojas físicas comandadas por um agente de IA. Após 6 meses em Setembro de 2026,
Lucas foi até São Francisco para ver de perto a operação. A visita ajudou a
inspirar a pergunta que deu origem ao projeto brasileiro: e se, em vez de usar
a IA como ferramenta, fosse possível formá-la para empreender? A resposta será
colocada à prova a partir de janeiro de 2027, quando a ELA abrir as portas da
primeira loja do Brasil criada e administrada por uma inteligência artificial.
A localização será anunciada em breve, mas já existem algumas opções como
Bauru, São Paulo e São Paulo Capital.
SH Squads e Firework Web

Nenhum comentário:
Postar um comentário