Mudanças sutis na
mobilidade, força e equilíbrio podem indicar que é hora de buscar orientação
profissional, mesmo quando não há dor ou lesão.
No dia 13 de outubro, é
celebrado o Dia Nacional do Fisioterapeuta. Em 2026, a campanha
internacional promovida pela Confederação Mundial da Fisioterapia
destaca o papel da atividade na prevenção, tratamento e reabilitação de
doenças cardiovasculares e do acidente vascular cerebral (AVC).
Embora a fisioterapia seja
frequentemente associada à recuperação de lesões, cirurgias e quadros de dor, a
atuação do profissional também pode acontecer antes que uma limitação esteja
instalada. Nesse contexto, é necessário esperar o surgimento da dor para
buscar acompanhamento fisioterapêutico?
Alterações na força, mobilidade,
equilíbrio e resistência podem surgir antes de um quadro de dor e interferir
gradualmente em atividades do cotidiano. Identificar essas mudanças pode
contribuir para a manutenção da qualidade de vida.
No Brasil, esse olhar para a
funcionalidade ganha relevância diante do envelhecimento da população. Segundo
a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, realizada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 15,5% das pessoas com 60
anos ou mais sofreram alguma queda nos 12 meses anteriores à entrevista.
Entre aquelas com 75 anos ou mais, o percentual chegava a 22,3%.
O levantamento também apontou que 9,5% dos idosos, cerca de 3,3 milhões
de pessoas, apresentavam limitação funcional para realizar atividades da
vida diária, como trocar de roupa, fazer a higiene pessoal, alimentar-se e
realizar movimentações rotineiras.
Para Thalyta Maia,
fisioterapeuta formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pesquisadora
em saúde pública e com experiência nas áreas de saúde do idoso,
saúde da população negra, pilates e reabilitação, observar mudanças na
capacidade de realizar atividades cotidianas é uma forma de identificar
necessidades de cuidado antes que elas comprometam a autonomia.
“A avaliação fisioterapêutica não serve
apenas para descobrir onde dói. A gente também observa como a pessoa se
movimenta, como está a força, o equilíbrio e até como ela realiza tarefas que
fazem parte da rotina. Às vezes, a pessoa começa a perceber que está mais
cansada para fazer determinada atividade, que está com dificuldade para
levantar de uma cadeira ou que já não consegue fazer algo com a mesma
facilidade de antes, mas acaba achando que é normal. A avaliação pode ajudar
justamente a entender essas mudanças antes que elas se tornem uma limitação
maior.”
A atuação preventiva também passa por
reconhecer como essas mudanças costumam ser naturalizadas, especialmente com o
avanço da idade. Dificuldades para realizar atividades que antes eram simples
merecem atenção, ainda que não estejam acompanhadas de dor. A avaliação
profissional pode ajudar a compreender e identificar estratégias para preservar
a capacidade funcional e a independência em diferentes fases da vida.
“Nem
sempre esses sinais aparecem de uma forma muito evidente. Pode ser ao perceber
que subir escadas está mais difícil, que levantar da cadeira exige mais
esforço, que uma caminhada que antes era tranquila agora cansa mais ou que você
começou a evitar algumas atividades porque sente que não consegue fazer como
antes. São mudanças que muitas vezes a gente vai incorporando à rotina sem
perceber. Não significa que exista necessariamente um problema grave, mas é um
sinal de que vale a pena olhar com mais atenção para o corpo. A fisioterapia
pode ajudar a entender o que mudou e pensar em estratégias para manter essa
capacidade de se movimentar e realizar as atividades do dia a dia”, explica a profissional.
Mais do que atuar na recuperação, a
fisioterapia contribui para o acompanhamento das mudanças do corpo e para a
manutenção da capacidade funcional ao longo da vida. O Dia Nacional do
Fisioterapeuta reforça a importância de ampliar o olhar sobre o cuidado:
não é preciso esperar uma limitação comprometer a rotina para começar a prestar
atenção ao próprio corpo.
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