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Especialista pede avaliação masculina desde a primeira consulta
Publicado na
Epigenomics, o trabalho sustenta que alterações epigenéticas do espermatozoide
podem repercutir no desenvolvimento do embrião. Dr. Alfonso Massaguer,
especialista em Reprodução Humana Assistida e diretor da Clínica Mãe, explica o
que isso muda na prática para o casal e por que o resultado não é motivo para
desistir do tratamento
Quando um casal demora
a engravidar, a investigação costuma começar pela mulher. Um estudo publicado
em março de 2026 na revista Epigenomics, que reúne a literatura científica
recente sobre o tema, aponta que o espermatozoide leva ao embrião mais do que
DNA: carrega marcas epigenéticas que podem sofrer alterações ligadas a
condições como varicocele, obesidade e idade paterna avançada. Para o Dr.
Alfonso Massaguer, a conclusão prática é direta: o homem precisa ser avaliado
com a mesma atenção, e desde a primeira consulta.
“A epigenética
funciona como um conjunto de interruptores que liga e desliga genes sem mudar o
DNA. O espermatozoide leva para o embrião não só metade do material genético,
mas também essas marcas. Por isso a saúde do homem importa antes mesmo da
fecundação. O estudo não prova que a reprodução assistida cause problemas. Ele
nos lembra de olhar com mais cuidado para quem produz aquele espermatozoide e
por quê”, afirma o Dr. Massaguer.
O que a
revisão examina
O artigo reúne
evidências clínicas e experimentais recentes sobre a epigenética do
espermatozoide, com ênfase na saúde paterna. Segundo o resumo, a infertilidade
masculina afeta cerca de 7% a 8% dos homens no mundo e sofre influência de
fatores genéticos e epigenéticos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima
que 17,5% dos adultos, uma em cada seis pessoas, convivem com a infertilidade
em algum momento da vida.
Os autores
descrevem mecanismos como a metilação do DNA, as modificações das histonas e os
pequenos RNAs não codificantes, que regulam a atividade dos genes sem alterar a
sequência genética. Varicocele, obesidade, idade paterna avançada, exposição a
toxinas ambientais e neoplasias aparecem entre os fatores que podem estar
ligados a essas alterações.
Onde entra a
reprodução assistida
A fertilização in
vitro e a ICSI, técnica em que um único espermatozoide é injetado diretamente
no óvulo, permitiram gestações em casos antes considerados sem solução. A
revisão pondera que esses métodos podem driblar a seleção natural dos
espermatozoides. Etapas como a seleção espermática, a criopreservação e o
cultivo do embrião também acontecem em fases sensíveis para a formação das
marcas epigenéticas, o que levanta a preocupação com alterações de imprinting.
Por se tratar de uma revisão, os efeitos são apresentados como possibilidades a
serem investigadas, e não como relações de causa e efeito comprovadas.
“A reprodução
assistida mudou a vida de muitos casais que antes não tinham alternativa, e
esse estudo não muda essa realidade. O que ele faz é levantar perguntas
legítimas, que a ciência ainda está respondendo. Na clínica, isso se traduz em
individualizar: escolher a técnica certa para o caso certo, com protocolos
pensados para cada casal”, explica o Dr. Massaguer.
O que o casal
pode fazer desde já
Entre as
recomendações dos autores estão avaliar a infertilidade masculina de forma
criteriosa antes de indicar procedimentos invasivos, tratar condições
potencialmente reversíveis, como varicocele, infecções e distúrbios hormonais,
e corrigir fatores de estilo de vida que prejudicam a qualidade do sêmen.
“Muitos homens
só entram na investigação depois que a mulher já passou por exames e
tratamentos. O ideal é que o espermograma e a avaliação clínica do homem
aconteçam logo no início. Em alguns casos, tratar uma varicocele, controlar o
peso ou mudar hábitos já melhora o quadro e pode até mudar a indicação do
tratamento. Nada disso garante gravidez, mas devolve ao casal a chance de
decidir com mais informação”, orienta o Dr. Massaguer.
O recado do
especialista
“Fertilidade é
assunto de casal. Quando o homem entra na conversa desde a primeira consulta, o
casal ganha tempo, evita etapas desnecessárias e escolhe o tratamento com mais
segurança. A ciência está olhando cada vez mais para o espermatozoide, e quem
se cuida antes colhe os benefícios depois”, conclui o Dr. Massaguer.
CLÍNICA MÃE
DR. ALFONSO MASSAGUER (CRM 97335 | RQE 42794). Membro das sociedades americana e europeia de reprodução humana, atua unindo a mais alta tecnologia laboratorial a protocolos altamente individualizados e humanizados, recebendo anualmente pacientes de diversos países em busca de soluções para a infertilidade.

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