▼

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Estudo mostra que o espermatozoide leva ao embrião informações que a saúde do pai pode alterar

 

Freepik

Especialista pede avaliação masculina desde a primeira consulta

 

Publicado na Epigenomics, o trabalho sustenta que alterações epigenéticas do espermatozoide podem repercutir no desenvolvimento do embrião. Dr. Alfonso Massaguer, especialista em Reprodução Humana Assistida e diretor da Clínica Mãe, explica o que isso muda na prática para o casal e por que o resultado não é motivo para desistir do tratamento 

 

Quando um casal demora a engravidar, a investigação costuma começar pela mulher. Um estudo publicado em março de 2026 na revista Epigenomics, que reúne a literatura científica recente sobre o tema, aponta que o espermatozoide leva ao embrião mais do que DNA: carrega marcas epigenéticas que podem sofrer alterações ligadas a condições como varicocele, obesidade e idade paterna avançada. Para o Dr. Alfonso Massaguer, a conclusão prática é direta: o homem precisa ser avaliado com a mesma atenção, e desde a primeira consulta.

“A epigenética funciona como um conjunto de interruptores que liga e desliga genes sem mudar o DNA. O espermatozoide leva para o embrião não só metade do material genético, mas também essas marcas. Por isso a saúde do homem importa antes mesmo da fecundação. O estudo não prova que a reprodução assistida cause problemas. Ele nos lembra de olhar com mais cuidado para quem produz aquele espermatozoide e por quê”, afirma o Dr. Massaguer.
 

O que a revisão examina 

O artigo reúne evidências clínicas e experimentais recentes sobre a epigenética do espermatozoide, com ênfase na saúde paterna. Segundo o resumo, a infertilidade masculina afeta cerca de 7% a 8% dos homens no mundo e sofre influência de fatores genéticos e epigenéticos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 17,5% dos adultos, uma em cada seis pessoas, convivem com a infertilidade em algum momento da vida.

Os autores descrevem mecanismos como a metilação do DNA, as modificações das histonas e os pequenos RNAs não codificantes, que regulam a atividade dos genes sem alterar a sequência genética. Varicocele, obesidade, idade paterna avançada, exposição a toxinas ambientais e neoplasias aparecem entre os fatores que podem estar ligados a essas alterações.
 

Onde entra a reprodução assistida 

A fertilização in vitro e a ICSI, técnica em que um único espermatozoide é injetado diretamente no óvulo, permitiram gestações em casos antes considerados sem solução. A revisão pondera que esses métodos podem driblar a seleção natural dos espermatozoides. Etapas como a seleção espermática, a criopreservação e o cultivo do embrião também acontecem em fases sensíveis para a formação das marcas epigenéticas, o que levanta a preocupação com alterações de imprinting. Por se tratar de uma revisão, os efeitos são apresentados como possibilidades a serem investigadas, e não como relações de causa e efeito comprovadas. 

“A reprodução assistida mudou a vida de muitos casais que antes não tinham alternativa, e esse estudo não muda essa realidade. O que ele faz é levantar perguntas legítimas, que a ciência ainda está respondendo. Na clínica, isso se traduz em individualizar: escolher a técnica certa para o caso certo, com protocolos pensados para cada casal”, explica o Dr. Massaguer.
 

O que o casal pode fazer desde já 

Entre as recomendações dos autores estão avaliar a infertilidade masculina de forma criteriosa antes de indicar procedimentos invasivos, tratar condições potencialmente reversíveis, como varicocele, infecções e distúrbios hormonais, e corrigir fatores de estilo de vida que prejudicam a qualidade do sêmen. 

“Muitos homens só entram na investigação depois que a mulher já passou por exames e tratamentos. O ideal é que o espermograma e a avaliação clínica do homem aconteçam logo no início. Em alguns casos, tratar uma varicocele, controlar o peso ou mudar hábitos já melhora o quadro e pode até mudar a indicação do tratamento. Nada disso garante gravidez, mas devolve ao casal a chance de decidir com mais informação”, orienta o Dr. Massaguer.
 

O recado do especialista 

“Fertilidade é assunto de casal. Quando o homem entra na conversa desde a primeira consulta, o casal ganha tempo, evita etapas desnecessárias e escolhe o tratamento com mais segurança. A ciência está olhando cada vez mais para o espermatozoide, e quem se cuida antes colhe os benefícios depois”, conclui o Dr. Massaguer.
  


CLÍNICA MÃE

DR. ALFONSO MASSAGUER (CRM 97335 | RQE 42794). Membro das sociedades americana e europeia de reprodução humana, atua unindo a mais alta tecnologia laboratorial a protocolos altamente individualizados e humanizados, recebendo anualmente pacientes de diversos países em busca de soluções para a infertilidade.



Nenhum comentário:

Postar um comentário