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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Enem e vestibulares: veja 6 métodos de estudo que podem ajudar na reta final

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Estratégias auxiliam estudantes a compreender,
memorizar e revisar conteúdos com mais eficiência


Com a aproximação do Enem e dos principais vestibulares, estudantes entram na reta final de preparação e precisam conciliar revisão de conteúdos, resolução de exercícios e simulados com o tempo cada vez mais curto até as provas. Nesse período, mais do que aumentar a quantidade de horas diante dos livros, organizar a forma de estudar pode ser uma estratégia para aproveitar melhor o tempo disponível e identificar quais conteúdos ainda precisam de atenção. 

Para Peter Rifaat, coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville - EIA, de Barueri (SP), variar as estratégias de acordo com o objetivo do estudo pode ajudar o estudante a sair de uma rotina baseada apenas em releituras e marcações. “Na reta final, é importante que o estudante saiba diferenciar o que precisa ser aprendido, revisado ou apenas retomado. Estratégias de estudo ativas ajudam a perceber essas diferenças e permitem direcionar melhor o tempo para os conteúdos em que ainda existem dificuldades”, explica o docente. 

Confira, abaixo, seis métodos que podem fazer parte da rotina de estudos.
 

1. Prática de recuperação (active recall) 

Em vez de simplesmente reler o conteúdo várias vezes, a prática de recuperação consiste em tentar lembrar das informações sem consultar o material. Depois de estudar um determinado assunto, o estudante pode fechar o livro ou o caderno e tentar responder perguntas sobre o que acabou de aprender. 

Uma maneira simples de colocar a técnica em prática é transformar os títulos e conceitos de uma matéria em perguntas. Em História, por exemplo, em vez de reler sobre determinado acontecimento, o estudante pode perguntar a si mesmo quais foram suas causas, consequências e personagens envolvidos. Em Matemática, pode tentar resolver um exercício sem consultar a fórmula antes de conferir a resposta. 

“A recuperação ativa exige que o estudante busque a informação na memória, em vez de apenas reconhecê-la quando ela aparece novamente em um texto. Esse esforço ajuda a identificar o que realmente foi aprendido e quais pontos ainda precisam ser retomados”, explica Rifaat.
 

2. Repetição espaçada 

Nem sempre é eficiente concentrar toda a revisão de uma matéria na véspera da prova. A repetição espaçada propõe distribuir os momentos de revisão ao longo do tempo, retomando o conteúdo em diferentes intervalos.

Um estudante pode, por exemplo, revisar determinado assunto no dia em que o aprendeu, retomá-lo alguns dias depois e voltar ao tema posteriormente. O intervalo pode ser ajustado conforme o nível de domínio: conteúdos que apresentam maior dificuldade podem ser revisitados com mais frequência. 

A estratégia pode ser combinada com outras técnicas, como flashcards e prática de recuperação. “Nesse caso, o estudante tenta responder à pergunta de um cartão antes de consultar a resposta e volta a revisar aqueles conteúdos que ainda não consegue recuperar com facilidade”, diz o educador da EIA.
 

3. Estudo intercalado 

Outra possibilidade é alternar diferentes conteúdos ou tipos de exercício durante uma mesma rotina de estudos. Em vez de dedicar várias horas exclusivamente a um assunto, o estudante pode intercalar diferentes disciplinas ou habilidades. “A alternância faz com que o estudante precise identificar qual estratégia deve utilizar diante de cada problema. O objetivo não é simplesmente variar as matérias para evitar o tédio, mas fazer com que ele pratique diferentes formas de raciocínio”, afirma Rifaat. 

Em Matemática, por exemplo, é possível alternar exercícios que envolvam diferentes tipos de problemas, em vez de resolver uma longa sequência de questões praticamente iguais. Já em uma rotina que envolva várias disciplinas, o estudante pode alternar Matemática, História e Biologia em blocos previamente planejados.
 

4. Técnica de Feynman 

A técnica de Feynman parte de uma pergunta simples: o estudante consegue explicar aquilo que acabou de aprender com suas próprias palavras? Depois de estudar um conteúdo, a proposta é tentar explicá-lo como se estivesse ensinando o assunto para outra pessoa. Se surgirem dificuldades para explicar determinado conceito ou se for necessário recorrer constantemente ao material, este pode ser um sinal de que ainda existem lacunas na compreensão. 

O exercício pode ser feito oralmente, por escrito ou até mesmo gravando uma explicação para ouvir posteriormente. O importante é evitar simplesmente repetir frases decoradas do livro ou da aula. “Explicar é diferente de repetir. Quando o estudante precisa organizar uma ideia com as próprias palavras, ele percebe quais relações compreendeu e onde ainda existem dúvidas”, diz o especialista.
 

5. Método Pomodoro  

Para quem tem dificuldade em manter a concentração por períodos prolongados, o método Pomodoro pode ajudar na organização da sessão de estudos. A técnica divide o trabalho em períodos de concentração intercalados por pausas curtas. 

O estudante pode, por exemplo, estabelecer um período de foco de 25 minutos, seguido por uma pausa de cinco minutos. Após alguns ciclos, faz uma pausa mais longa. Os intervalos podem ser adaptados à idade, à atividade e à capacidade de concentração de cada pessoa. 

“O Pomodoro pode ser especialmente útil para transformar uma tarefa grande em etapas menores e mais concretas. Mas a duração dos ciclos não precisa ser encarada como uma regra absoluta; ela pode ser adaptada à realidade de cada estudante”, orienta o educador. 

Mais importante do que seguir os minutos de maneira rígida é utilizar a técnica para criar períodos de estudo sem interrupções. Durante o bloco de concentração, vale deixar de lado notificações, redes sociais e outras atividades que possam quebrar o foco.
 

6. Mapas mentais e organização visual 

Recursos visuais também podem ser úteis, principalmente quando o conteúdo envolve muitos conceitos relacionados. Os mapas mentais permitem organizar uma ideia central e estabelecer conexões com outros conceitos, utilizando palavras-chave, setas e diferentes níveis de informação. 

Depois de estudar determinado tema, o estudante pode tentar construir o mapa sem consultar o material. Dessa forma, a ferramenta deixa de ser apenas uma forma de organizar anotações e passa a funcionar também como uma atividade de recuperação e organização do conhecimento. 

Em Biologia, por exemplo, um mapa pode partir de um determinado sistema do organismo e estabelecer relações entre seus órgãos, funções e processos. Em História, pode organizar acontecimentos, causas, consequências e personagens. 

“Mais do que deixar o caderno bonito, a organização visual deve ajudar o estudante a enxergar relações entre as informações. Se o mapa for construído depois do estudo, ele também permite perceber quais conceitos foram realmente compreendidos”, afirma Rifaat. 

Além da construção ativa, os recursos visuais podem ser aproveitados para a aprendizagem periférica (ou passiva). Ao fixar mapas mentais, tabelas de fórmulas ou esquemas conceituais em locais visíveis da casa — como a parede do quarto ou ao lado do monitor —, o estudante expõe o cérebro ao conteúdo de forma contínua. Mesmo sem estar estudando ativamente, o contato diário e involuntário com esse material ajuda a manter os conceitos familiares e facilita a fixação ao longo do tempo.
 

Como escolher o método mais adequado? 

Não é necessário escolher apenas uma técnica e utilizá-la em todos os momentos. Os métodos podem ser combinados conforme a finalidade do estudo. 

Segundo Rifaat, para aprender um conteúdo novo, por exemplo, o estudante pode começar com uma leitura ou aula, organizar as principais ideias e utilizar a técnica de Feynman para verificar a compreensão. Na sequência, pode recorrer à prática de recuperação para testar o que conseguiu memorizar. 

Já para revisar conteúdos, a repetição espaçada pode ajudar a distribuir os estudos ao longo das semanas, enquanto flashcards podem ser utilizados para conceitos, definições e informações que precisam ser recuperadas rapidamente. 

Também é importante considerar o tipo de disciplina. Resolver exercícios pode ser mais relevante para conteúdos que exigem aplicação de fórmulas e estratégias, enquanto explicar conceitos e estabelecer relações pode ser mais útil em disciplinas predominantemente conceituais. 

“O mais importante é que o estudante deixe de enxergar o estudo como uma atividade passiva. Ler, grifar ou assistir a uma aula são etapas importantes, mas é fundamental criar momentos em que ele precise recuperar, aplicar, explicar e relacionar aquilo que aprendeu”, conclui o docente. 



Peter Rifaat - educador e líder escolar com mais de 20 anos de experiência em educação internacional e bilíngue, com estudos em Ciências Comportamentais, liderança e desenvolvimento humano. É formado em Pedagogia e possui certificações internacionais, incluindo DELTA e CELTA (Universidade de Cambridge), além de diversas certificações do International Baccalaureate (IB). Atua na Escola Internacional de Alphaville como Coordenador Pedagógico do Ensino Médio, Coordenador do Programa do Diploma IB, professor de IBDP Theory of Knowledge (TOK) e membro da equipe de Orientação Universitária e de Carreira (Future Pathways), com foco no desenvolvimento acadêmico, socioemocional e vocacional dos estudantes.

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