Desabafo do influenciador sobre as consequências das agressões na escola joga luz sobre um transtorno silencioso que paralisa jovens e adultos afetando a saúde mental
O recente relato do influenciador Felca sobre sua convivência com a fobia
social e as marcas profundas deixadas pelo bullying no ambiente escolar abriu
um debate urgente na internet. Longe de ser um caso isolado, a história reflete
a realidade de milhares de jovens que encontram no isolamento a única defesa
contra um ambiente hostil, pagando um preço alto na vida adulta. A repercussão
do caso levanta uma dúvida comum, mas perigosa: até que ponto o comportamento
retraído de um jovem é apenas traço de personalidade ou o sintoma de um
adoecimento psíquico?
O senso comum frequentemente confunde o Transtorno de Ansiedade Social, nome
clínico da fobia social, com a timidez. Essa confusão é um dos principais
fatores para o diagnóstico tardio. "A timidez é uma característica da
personalidade. Uma pessoa tímida pode sentir um desconforto inicial em uma
festa ou apresentação, mas isso não a impede de viver, estudar ou
trabalhar", explica a psicóloga da Clínica Maia, Myriam Albers.
"Já a fobia social é paralisante. O indivíduo sente um medo intenso,
irracional e persistente de ser julgado, humilhado ou rejeitado. Esse pavor o
leva a evitar situações cotidianas, gerando um prejuízo real e severo no seu
desenvolvimento”, completa a especialista.
No relato de Felca, ganha destaque o peso de olhar para trás e perceber o
quanto o isolamento custou em termos de experiências e oportunidades. O
bullying atua como um gatilho devastador na formação da autoimagem. Quando a
escola, que deveria ser o principal laboratório de socialização, se torna um
cenário de ameaça, o jovem aprende que o convívio humano é perigoso.
A consequência de longo prazo é o desenvolvimento de um estado de alerta
constante. Sem intervenção, a violência sofrida na infância e na adolescência
não fica no passado; ela se transforma na ansiedade crônica e, muitas vezes, na
depressão do adulto.
Pais, cuidadores e educadores precisam estar atentos aos comportamentos de
esquiva. A fobia social costuma dar sinais claros. Entre eles, a recusa
sistemática escolar, como inventar desculpas frequentes para faltar às aulas ou
fugir de trabalhos em grupo, isolamento extremo, preocupação excessiva e até
sintomas físicos, como sudorese, taquicardia, tremores, náuseas e crises de
choro antes ou durante eventos de exposição social.
Apesar de ser uma condição limitante, a fobia social tem tratamento e apresenta
altos índices de recuperação na qualidade de vida do paciente.
"O caminho mais indicado é terapia com um profissional, pois ajuda o indivíduo
a identificar pensamentos disfuncionais e a enfrentar, de forma gradual e
segura, as situações que causam medo. Em muitos casos, o acompanhamento
psiquiátrico com suporte medicamentoso também pode ser indicado”, explica
Myriam Albers.
Grupo Maia
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