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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Ano fiscal de 2027 exige planejamento de brasileiros que desejam imigrar legalmente para os EUA

O início do ano fiscal de 2027 nos Estados Unidos, em 1º de outubro, trouxe novas movimentações ao calendário migratório americano e reforçou um ponto fundamental para quem planeja conquistar o Green Card: a aprovação de uma petição não significa, necessariamente, que a residência permanente estará disponível imediatamente. Para os brasileiros que pretendem construir uma trajetória profissional ou familiar no país, compreender essas mudanças é parte essencial do planejamento.

O ano fiscal americano vai de 1º de outubro a 30 de setembro do ano seguinte. No campo da imigração, esse período influencia a distribuição de vistos sujeitos a limites anuais, especialmente nas categorias voltadas a profissionais qualificados, trabalhadores e familiares de imigrantes. É nesse contexto que o Visa Bulletin, publicação mensal do Departamento de Estado dos EUA, ganha relevância. O documento estabelece as datas que determinam quando certos pedidos podem avançar para as etapas finais do processo.

Uma das mudanças que merece atenção dos brasileiros ocorreu na categoria EB-2, destinada a profissionais com formação avançada ou habilidade excepcional, incluindo aqueles que buscam a residência permanente por meio do National Interest Waiver (NIW). Após o retrocesso registrado em outubro, a categoria avançou três meses na atualização mais recente do Visa Bulletin, publicada em outubro de 2026. Esse movimento pode reduzir o tempo de espera de candidatos que já tiveram suas petições aprovadas, mas ainda dependem da disponibilidade de vistos para avançar à etapa final do processo.

Já as categorias EB-1, voltada a determinados profissionais de destaque, pesquisadores e executivos de empresas multinacionais, e EB-5, destinada a investidores que atendem aos requisitos do programa, permanecem current, ou seja, sem fila de espera para a disponibilidade de vistos para brasileiros. A EB-3, que contempla determinadas categorias de trabalhadores qualificados e profissionais, também apresentou avanço de um mês. As atualizações mostram que o calendário migratório pode mudar de forma diferente para cada categoria, reforçando a importância de acompanhar as datas e avaliar seus impactos em cada processo.

É importante destacar que o retrocesso de uma data no calendário não significa que a petição já aprovada perdeu sua validade. O que muda é a possibilidade de avançar para a etapa final, conforme as regras de disponibilidade. Essa distinção é especialmente importante para quem organiza a mudança de país com base em uma expectativa de prazo.

O impacto dessas alterações vai além da burocracia. A espera pode afetar decisões profissionais, financeiras e familiares, como aceitar uma proposta de trabalho, transferir recursos, matricular filhos em escolas ou definir quando deixar o Brasil. Por isso, a escolha da categoria migratória deve considerar não apenas os requisitos para a aprovação inicial, mas também as etapas seguintes e os possíveis períodos de espera.

Outro equívoco recorrente é acreditar que a aprovação de uma petição imigratória garante, por si só, o direito de permanecer ou trabalhar nos Estados Unidos. São questões distintas. Quem já está em território americano precisa avaliar as condições do próprio status migratório, o período de permanência autorizado e os requisitos para uma eventual mudança de status. Um processo pendente não regulariza automaticamente a situação de uma pessoa nem concede autorização de trabalho.

Diante desse cenário, o primeiro passo para quem deseja imigrar legalmente é entender que não existe uma estratégia universal. O caminho mais adequado depende da formação acadêmica, da experiência profissional, das realizações individuais, dos vínculos familiares e do histórico migratório. Em alguns casos, uma categoria pode oferecer condições mais favoráveis do que outra, desde que o candidato efetivamente cumpra os critérios legais exigidos.

A preparação documental também faz diferença. No caso de processos baseados em qualificações profissionais, é importante reunir evidências consistentes de formação, experiência, resultados alcançados e reconhecimento na área de atuação. A qualidade da documentação pode ser determinante para demonstrar o enquadramento nos requisitos da categoria escolhida. Além disso, o planejamento deve prever eventuais solicitações adicionais de documentos, prazos de processamento e disponibilidade de entrevistas consulares.

O acompanhamento mensal do Visa Bulletin é igualmente indispensável, pois o calendário determina quando cada processo pode avançar, de acordo com a categoria migratória e a data em que o pedido foi apresentado. O documento apresenta duas referências importantes: uma indica quando o solicitante pode dar entrada no pedido de ajuste de status, para quem está nos Estados Unidos e atende aos requisitos dessa modalidade; a outra determina quando há disponibilidade de visto para a decisão final ou emissão do Green Card. Essas datas nem sempre coincidem e podem mudar ao longo do ano. Por isso, mesmo quem já teve a petição aprovada precisa acompanhar as atualizações para entender quando poderá avançar para a próxima etapa.

O maior risco está em tomar decisões irreversíveis com base em previsões de aprovação ou em promessas de rapidez. Abandonar um emprego, encerrar atividades no Brasil ou mudar de país sem avaliar todas as etapas pode gerar prejuízos e comprometer o planejamento familiar. A estratégia migratória precisa contemplar diferentes cenários, inclusive a possibilidade de atrasos ou mudanças nas regras.

O início do ano fiscal de 2027 reforça, portanto, a importância de tratar a imigração como um projeto de longo prazo. Mais do que preencher formulários e aguardar uma resposta, é necessário compreender os critérios legais, acompanhar a disponibilidade de vistos e avaliar como cada decisão afeta as etapas seguintes.

Para os brasileiros que desejam construir uma vida nos Estados Unidos, informação atualizada e planejamento jurídico são ferramentas fundamentais para reduzir riscos e tomar decisões conscientes. As regras e os prazos podem mudar, mas uma estratégia bem estruturada permite enfrentar essas mudanças com mais clareza e segurança.

 


Otávio Haverroth - CEO da YOUSA Law Firm


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