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| Créditos: Natália Chaves ONG Habitat para a Humanidade Brasil |
Pesquisa da Habitat para a Humanidade mostra que 74% das pessoas reduziram despesas para conseguir arcar com os custos habitacionais e 56% temem que um imprevisto comprometa sua permanência na moradia
O aumento dos custos da moradia já afeta diretamente as escolhas e
os planos de vida de grande parte dos brasileiros. Oito em cada dez pessoas
(82%) afirmam que o aumento do custo com habitação dificulta a conquista da
casa própria, enquanto 74% dizem ter reduzido pelo menos uma despesa no último
ano para conseguir arcar com os custos da moradia. Além disso, 56% temem que um
problema inesperado possa comprometer sua capacidade de permanecer onde vivem.
Os dados fazem parte do estudo inédito “Lar a Que Custo? Brasil – Esperança permanece forte, mas a segurança
habitacional segue frágil”, realizado pela organização
Habitat para a Humanidade e que integra uma pesquisa internacional conduzida em
22 países. No Brasil, foram ouvidos 1.400 adultos, entre abril e junho de 2026.
O levantamento revela uma realidade marcada pela distância entre a
aspiração por uma moradia segura e adequada e a capacidade financeira das
famílias de acessá-la e permanecer nela. Embora 79% dos brasileiros acreditem
que sua situação habitacional irá melhorar nos próximos três anos, os
custos crescentes da moradia impõem restrições concretas ao presente e ao
futuro.
A pressão sobre o orçamento chega a necessidades básicas. Para
34% dos entrevistados, é preciso escolher entre pagar despesas relacionadas à
moradia e gastos essenciais, como alimentação, vestuário ou medicamentos. O
impacto é ainda maior entre quem não possui casa própria: 48% dessas pessoas
afirmam ter reduzido gastos com alimentação para conseguir arcar com os custos
habitacionais. Os efeitos também ultrapassam as contas do mês. Para 57% dos
brasileiros, os custos da moradia dificultam considerar formar uma família,
enquanto 60% temem que essas despesas limitem as oportunidades das crianças sob
seus cuidados. Para 23%, a própria situação habitacional está entre as maiores
fontes de estresse.
A pesquisa mostra ainda que a insegurança é mais intensa entre
pessoas que vivem em arranjos habitacionais informais – como moradias sem
documentação formal, acomodações temporárias ou outros arranjos não formais.
Nesse grupo, aproximadamente 70% estão insatisfeitas com sua situação
habitacional, contra 37% na amostra nacional. Além disso, 32% demonstram
insegurança na permanência no lugar onde vivem, ante 89% dos brasileiros
entrevistados.
Os resultados ajudam a ampliar a compreensão sobre o desafio
habitacional brasileiro. O problema não se resume à quantidade de moradias
disponíveis, mas envolve também acessibilidade financeira, segurança da posse,
infraestrutura e acesso a serviços e oportunidades nos territórios. Apesar das
dificuldades, a aspiração por uma moradia própria permanece forte: 92% dos
brasileiros esperam possuir uma casa em algum momento da vida. Para 91%,
uma moradia segura e adequada é um direito humano básico, e 86% apoiariam a
existência de mais moradias sociais ou acessíveis em sua região.
“Os resultados da pesquisa reforçam que a moradia é uma questão
estrutural na vida das famílias brasileiras. Especialmente para as famílias de
baixa renda, há uma necessidade de investimento público contínuo em
programas habitacionais, que ampliem o acesso à moradias dignas e reduzam o
impacto dos custos com a moradia no orçamento familiar, afetando outras
necessidades básicas”, ressalta Socorro Leite, diretora executiva da ONG
Habitat para a Humanidade Brasil.
Sobre a pesquisa
Realizada pela Edelman Intelligence a pedido da Habitat for Humanity International, a pesquisa ouviu 30.758 pessoas em 22 países, entre 10 de abril e 30 de junho de 2026. No Brasil, foram 1.000 adultos em uma amostra nacional, além de 300 respondentes adicionais de baixa renda e 100 pessoas vivendo em arranjos habitacionais informais, totalizando 1.400 entrevistados. A pesquisa integra a agenda internacional da Habitat para a Humanidade e se relaciona à iniciativa Home Equals, que conecta moradia adequada, justiça climática e resiliência. No Brasil, a iniciativa também tem buscado aproximar pesquisa, participação comunitária e ação local para enfrentar os impactos das desigualdades habitacionais.
Habitat para a Humanidade Brasil

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