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terça-feira, 13 de outubro de 2026

10 fatos sobre a Silver Economy e o novo mercado criado pela longevidade

Envelhecimento da população, queda da fecundidade, aumento da longevidade e expansão do poder de consumo transformam o público maduro em uma das principais oportunidades de mercado para os próximos anos   

O envelhecimento da população brasileira já deixou de ser apenas uma questão demográfica e passou a representar uma transformação significativa para a economia. A mudança no perfil etário do país também cria novas oportunidades de mercado. À medida que cresce a presença de consumidores 50+, aumenta a demanda por produtos, serviços e experiências que acompanhem seus diferentes momentos de vida, impulsionando a chamada Silver Economy. 

“A Silver Economy não é um nicho. Ela acompanha uma mudança na composição da sociedade e na forma como as pessoas consomem, trabalham, cuidam da saúde, utilizam tecnologia e planejam o futuro. Para as empresas, compreender essa transformação passa a ser uma questão de estratégia de mercado”, afirma Sepúlveda. 

Com uma trajetória de mais de 28 anos em multinacionais na América Latina, o executivo já passou por empresas como Atento, Telefônica (Vivo) e Apex América. Nos últimos anos, ampliou sua atuação para o ecossistema de inovação, com foco em longevidade e investimentos em startups, é cofundador da Silver Hub, primeira aceleradora de startups de economia da longevidade do Brasil, e o Inova Silver, plataforma e evento de conexões de negócios e inovação que tem como objetivo impulsionar esse mercado no Brasil. 

A partir dessa experiência, Sepúlveda elenca dez fatos que ajudam a entender o avanço da Silver Economy no Brasil, e mostram como o envelhecimento da população vem transformando o perfil do consumidor, criando novas demandas e abrindo oportunidades para empresas de diferentes setores.
 

1. A população idosa é a que mais cresce no país

O Brasil tinha 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2025, eram 22 milhões em 2012, crescimento de 60% em doze anos, segundo o IBGE. A proporção de idosos na população saltou de 8,7% em 2000 para 16,6% em 2025, quase dobrando em pouco mais de duas décadas.

 

2. Quem chega aos 60 anos hoje vive, em média, mais 22,6 anos

A expectativa de vida ao nascer, no Brasil saltou de 52,5 para 76,6 anos entre 1960 e 2024, um ganho de mais de 24 anos. Quem chega aos 60 hoje pode esperar viver, em média, mais 20,8 anos (homens) ou 24,2 anos (mulheres).
 

3. A taxa de fecundidade caiu de 6,3 para 1,6 filhos por mulher

Entre 1960 e 2024, a taxa de fecundidade brasileira despencou de 6,3 para 1,6 filhos por mulher, bem abaixo do nível de reposição populacional (2,1). É essa combinação de menos nascimentos e mais anos de vida que muda a pirâmide etária do país, de uma base larga para um formato retangular.
 

4. O consumidor 50+ já movimenta R$ 1,8 trilhão por ano no Brasil 

Em 2024, a população acima de 50 anos foi responsável por R$ 1,8 trilhão em consumo no Brasil, 24% de todo o consumo privado das famílias brasileiras, segundo o estudo Brasil Prateado, desenvolvido pela data8.
 

5. O mercado deve dobrar de tamanho em vinte anos
A projeção é que o consumo do público 50+ no Brasil, que reúne hoje cerca de 75 milhões de pessoas, passe de R$ 1,8 trilhão em 2025 para R$ 3,8 trilhões em 2044, quando essa faixa etária deve representar 40% da população brasileira, de acordo com estimativas da data8.
 

6. O consumidor maduro gasta mais e cada vez mais online

A população madura vem ampliando sua relevância econômica. Em 2025, pessoas com 60 anos ou mais eram responsáveis pela chefia de 21,6 milhões de domicílios, equivalentes a 32% dos lares brasileiros, e vem ampliando sua presença nas compras digitais, segundo levantamento da consultoria Nexus com base na PNAD Contínua do IBGE.
 

7. Brasil terá uma das maiores populações 60+ do mundo

Projeções indicam que o país poderá chegar a cerca de 65 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2050, o que o colocaria na sexta posição mundial em número absoluto de idosos.
 

8. "Cegueira etária": os gaps que podem custar trilhões às empresas

Apesar do tamanho e do potencial desse mercado, muitas empresas brasileiras ainda não estruturaram produtos, marcas e canais pensados para o consumidor maduro. Entre os principais gaps estão o marketing excessivamente direcionado ao público jovem, o tratamento do consumidor 60+ como um grupo único e homogêneo, a falta de adaptação de produtos e interfaces e a ausência de dados, estratégias e equipes dedicadas a entender as necessidades desse público.
 

9. Marcas já lucram com o público maduro no Brasil

Ainda um movimento bastante incipiente, já tem marcas desenvolvendo soluções específicas para esse público. Entre os exemplos estão a MAPFRE, que lançou um seguro empresarial voltado ao público 60+ para instituições de longa permanência; a Uber, que criou uma conta sênior no Brasil, com textos e ícones maiores e menos telas; e o Banco Mercantil, com o projeto Meu+, que reúne serviços não financeiros voltados ao público acima de 50 anos. O debate já avança da longevidade como “viver mais” para “viver melhor”, passando do cuidado reativo para uma abordagem mais proativa, com o uso de sensores e inteligência artificial para antecipar riscos antes que eles aconteçam.
 

10. O capital de risco descobriu a longevidade como categoria de investimento

O envelhecimento da população e a busca por uma vida mais longa e saudável vêm estimulando o surgimento de startups dedicadas a terapias, descoberta de medicamentos, prevenção, diagnóstico e tecnologias relacionadas ao envelhecimento, além de outras soluções que não são só de saúde. O relatório da Longevity.Technology estima US$ 8,49 bilhões investidos globalmente em empresas de longevidade em 2024, em cerca de 325–331 operações. 

“Juntos, esses dez fatos contam a mesma história: o Brasil está diante de uma das maiores transições de mercado do século, e ainda tem tempo para se preparar para ela”, finaliza Sepúlveda.

 

Cristián Sepúlveda - executivo, empreendedor e conselheiro que ajuda empresas a navegar pelas transformações que estão redesenhando os negócios: como atendem seus clientes, para quem vende em uma sociedade que envelhece e como se reinventam por meio da inovação. Com mais de 25 anos de experiência liderando operações complexas na América Latina, foi CEO da Apex América Brasil/OneSource (Vensure Employer Solutions), onde conduziu um turnaround, ampliou a carteira de clientes em mais de 60% e reposicionou a operação como um hub especializado e multilíngue. Também foi executivo de multinacionais como Atento e Telefónica (Vivo). É cofundador da Silver Hub, primeira aceleradora de startups de longevidade da América Latina, e coautor de três livros sobre CX, cultura e longevidade.



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