terça-feira, 8 de setembro de 2026

Violência contra a mulher: a consulta ao ginecologista pode ajudar a prevenir feminicídios


A consulta ginecológica e obstétrica, por ser um momento de intimidade e confiança, frequentemente se torna a única oportunidade para que a mulher revele abusos sofridos. Neste caso, é papel do médico ficar atento aos sinais físicos como - hematomas, lesões genitais, traumas cicatrizados e ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) recorrentes -, que devem acender um alerta. Da mesma forma, comportamentos como hesitação ao falar, ansiedade, tristeza profunda e a presença de um acompanhante controlador também podem indicar que a mulher está em situação de violência.

 

Para a médica Dra. Aline Veras Morais Brilhante, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista em Lei da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), o compromisso do especialista vai além do diagnóstico técnico. “É fundamental que o ginecologista conduza o atendimento com sensibilidade, escuta ativa e postura não julgadora, garantindo um ambiente seguro para que a paciente possa se expressar e receber ajuda de forma qualificada, orienta.

 

A violência sexual é considerada uma emergência médica. O protocolo inclui profilaxia para ISTs e HIV - preferencialmente nas primeiras 72 horas -, contracepção de emergência, coleta de vestígios mediante consentimento e acolhimento psicológico e social. A notificação compulsória é obrigatória e essencial para subsidiar políticas públicas e aprimorar a rede de proteção.

 

O acompanhamento, entretanto, não se encerra no atendimento emergencial. O cuidado multidisciplinar deve envolver ginecologista, psicólogo(a), assistente social e outros profissionais, garantindo suporte integral à mulher.

 

“A recuperação demanda uma abordagem holística que una proteção, cuidado clínico, apoio emocional e autonomia econômica. É essa rede articulada que permite à mulher reconstruir sua vida e ressignificar sua história”, afirma Dra. Aline.

 

O enfrentamento da violência contra a mulher exige políticas públicas eficientes, formação contínua de profissionais da saúde, campanhas de conscientização e o fortalecimento das redes de apoio. A cada atendimento qualificado, abre-se uma possibilidade real de romper o ciclo da violência e garantir que a vítima seja devidamente acolhida, protegida e acompanhada. Neste sentido, a FEBRASGO busca reforçar a campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência contra a mulher com notícias, informativos, vídeos, lives e infográficos para ampliar a discussão e fornecer informações sobre o assunto.

 

 

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO

 

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