A consulta
ginecológica e obstétrica, por ser um momento de intimidade e confiança,
frequentemente se torna a única oportunidade para que a mulher revele abusos
sofridos. Neste caso, é papel do médico ficar atento aos sinais físicos como -
hematomas, lesões genitais, traumas cicatrizados e ISTs (Infecções Sexualmente
Transmissíveis) recorrentes -, que devem acender um alerta. Da mesma forma,
comportamentos como hesitação ao falar, ansiedade, tristeza profunda e a
presença de um acompanhante controlador também podem indicar que a mulher está
em situação de violência.
Para a médica Dra. Aline
Veras Morais Brilhante, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em
Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista em Lei da Federação Brasileira das Associações de
Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), o compromisso do
especialista vai além do diagnóstico técnico. “É fundamental que o
ginecologista conduza o atendimento com sensibilidade, escuta ativa e postura
não julgadora, garantindo um ambiente seguro para que a paciente possa se
expressar e receber ajuda de forma qualificada”, orienta.
A
violência sexual é considerada uma emergência médica. O protocolo inclui profilaxia para ISTs e HIV -
preferencialmente nas primeiras 72 horas -, contracepção de emergência, coleta
de vestígios mediante consentimento e acolhimento psicológico e social. A
notificação compulsória é obrigatória e essencial para subsidiar políticas
públicas e aprimorar a rede de proteção.
O acompanhamento,
entretanto, não se encerra no atendimento emergencial. O cuidado
multidisciplinar deve envolver ginecologista, psicólogo(a), assistente social e
outros profissionais, garantindo suporte integral à mulher.
“A recuperação
demanda uma abordagem holística que una proteção, cuidado clínico, apoio
emocional e autonomia econômica. É essa rede articulada que permite à mulher
reconstruir sua vida e ressignificar sua história”, afirma Dra. Aline.
O enfrentamento da
violência contra a mulher exige políticas públicas eficientes, formação
contínua de profissionais da saúde, campanhas de conscientização e o
fortalecimento das redes de apoio. A cada atendimento qualificado, abre-se uma
possibilidade real de romper o ciclo da violência e garantir que a vítima seja
devidamente acolhida, protegida e acompanhada. Neste sentido, a FEBRASGO busca
reforçar a campanha #EuVejoVocê – Pelo fim da violência
contra a mulher com notícias, informativos,
vídeos, lives e infográficos para ampliar a discussão e fornecer informações
sobre o assunto.
Federação Brasileira das Associações de
Ginecologia e Obstetrícia - FEBRASGO
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