terça-feira, 8 de setembro de 2026

Terapia de estimulação cerebral profunda adaptativa (aDBS) chega ao Brasil, “um marco na personalização do tratamento de Parkinson”

 Tecnologia pioneira ajusta a estimulação em tempo real com base nos sinais cerebrais do paciente, oferecendo um controle mais consistente dos sintomas e melhor qualidade de vida 

 

A Medtronic, líder global em tecnologia para a saúde, anuncia o lançamento no Brasil da terapia de estimulação cerebral profunda adaptativa (aDBS) para a Doença de Parkinson, com a tecnologia BrainSense™. A novidade marca uma nova etapa no tratamento: pela primeira vez, a terapia se ajusta dinamicamente às necessidades de cada paciente, para um controle mais estável dos sintomas e melhor qualidade de vida. 

Apesar dos benefícios comprovados, o acesso à terapia no país ainda é desigual. "A DBS existe tanto no SUS quanto na saúde suplementar, mas não basta que a tecnologia esteja disponível. Na doença de Parkinson, a Estimulação Cerebral Profunda vai muito além do ato cirúrgico: trata-se de um tratamento altamente especializado e portanto, é fundamental contar com neurologistas especializados em distúrbios do movimento, neurocirurgiões experientes, acompanhamento sistemático para programação dos dispositivos e uma equipeacompanhamento multidisciplinar de longo prazo, comenta Dra. Lorena Broseghini Barcelos, Neurologista especialista em estimulação cerebral profunda no Einstein Hospital Israelita. 

Dados da Universidade Federal de São Paulo indicam que a doença de Parkinson afeta principalmente pessoas entre 60 e 79 anos no Brasil, com maior prevalência entre homens. No entanto, de 10% a 20% dos casos ocorrem antes dos 40 anos. 

A condição ocorre pela degeneração de células da substância negra, uma estrutura cerebral essencial localizada no mesencéfalo que produz a dopamina e é um neurotransmissor responsável pelo controle dos circuitos nervosos associados ao movimento do corpo. A falta ou diminuição da dopamina afeta os movimentos provocando sintomas, como:

  • Tremor de repouso: Geralmente começa em uma das mãos;
  • Lentidão dos movimentos: Dificuldade para iniciar e executar movimentos;
  • Rigidez muscular: Resistência ao movimento nos músculos dos braços, pernas ou tronco;
  • Distúrbios da fala: Dificuldades persistentes que dificultam a comunicação clara e eficaz;
  • Instabilidade postural: Dificuldade de equilíbrio e alterações na postura. 

Sintomas não motores, como depressão, distúrbios do sono e alterações do olfato, podem surgir anos antes do diagnóstico. Com a progressão da doença, o tratamento medicamentoso pode perder eficácia, abrindo espaço para terapias avançadas como a estimulação cerebral profunda (DBS). 

"A cirurgia de DBS costuma ser indicada quando o paciente começa a sofrer com complicações motoras, como movimentos involuntários que o próprio tratamento provoca, ou quando o remédio perde o efeito no controle dos sintomas ao longo do dia. O objetivo é modular circuitos cerebrais alterados pela doença, melhorando o tremor, a rigidez e a lentidão", explica o Dr. Murilo Marinho, neurocirurgião funcional e membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN). 

O Percept™ RC é o primeiro e único sistema de DBS no Brasil que combina terapia personalizada, bateria recarregável com duração superior a 15 anos e tecnologia BrainSense™, que permite captar sinais cerebrais para ajuste preciso da terapia. Além disso, é o menor dispositivo da categoria, compatível com ressonância magnética de corpo inteiro e com implante minimamente invasivo. 

Recentemente, a tecnologia BrainSense™ atingiu um novo patamar com o recurso de estimulação adaptativa, o aDBS. "Avanço inédito na terapia de estimulação cerebral profunda para Parkinson, liberado em 2025 nos Estados Unidos e na Europa, a tecnologia permite que o sistema não apenas estimule o cérebro, mas também registre e analise sua atividade ao longo do dia, autoajustando-se dentro de limites de segurança definidos pelo neurologista para otimizar o estímulo em tempo real”, comenta a Dra. Rachel Brant, Neurologista com doutorado pela USP com tese em DBS. “Com isso, cerca de 70% dos pacientes implantados sentem-se melhor controlados e percebem melhora da qualidade de vida", explica. 

Pacientes que já possuem o dispositivo Percept™ podem receber a inovação por meio de uma atualização de software no consultório, sem nova cirurgia ou custos adicionais. A segurança e a eficácia da terapia foram confirmadas pelo estudo clínico ADAPT-PD, publicado no periódico NPJ Parkinson's Disease. 

“Em nosso centro, dos 6 pacientes cronicamente implantados, apenas 1 preferiu manter a estimulação convencional. Os demais relatam sentir-se renovados, com o controle dos sintomas que sentiam nos primeiros anos após o implante", afirma Dra. Rachel. 

A Medtronic está na vanguarda da incorporação da tecnologia de interface cérebro-maquina (BMI) na terapia DBS, com foco em prevenção, detecção, diagnóstico e reabilitação de pacientes com condições neurológicas complexas. 

Segundo a Dra. Lorena, "a aDBS é uma evolução significativa no tratamento da doença de Parkinson, por tornar a terapia mais precisa, personalizada e dinâmica, permitindo que seja continuamente adaptada às necessidades individuais de cada paciente”.

 

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