Dispositivos como botão de pânico, senha de coação e biometria facial permitem pedidos silenciosos de ajuda em casos de emergência
A sensação de insegurança das mulheres não
termina quando a porta de casa se fecha. Pesquisa do Fórum Brasileiro de
Segurança Pública (FBSP), em parceria com o Datafolha e divulgada em 2026,
mostra que 82,6% das mulheres têm medo de ter a própria residência invadida ou
arrombada. O ambiente doméstico também aparece em outro dado preocupante.
Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 62,5% dos feminicídios
registrados no país em 2025 ocorreram dentro de uma residência.
Os números ajudam a dimensionar uma
preocupação que vai além do risco de furtos e invasões. Dentro de casa,
mulheres também podem estar expostas a situações de ameaça, perseguição,
violência doméstica ou conflitos envolvendo parceiros e ex-parceiros.
Em algumas dessas circunstâncias, pegar o
telefone, fazer uma ligação ou demonstrar que um pedido de socorro está sendo
realizado pode ampliar a exposição ao risco. É nesse contexto que o setor de
segurança eletrônica começa a incorporar recursos capazes de criar formas
discretas de sinalizar uma emergência.
“Durante muito tempo, falar em segurança residencial
significava principalmente impedir que alguém entrasse em uma casa. Hoje, é
necessário ampliar esse olhar. A tecnologia também pode oferecer alternativas
quando a situação de risco acontece dentro do próprio ambiente e a pessoa
precisa sinalizar discretamente que algo está errado”, afirma André Raeli, CEO
da Emive&Co.
É nesse cenário que a Emive Segurança Eletrônica, empresa
do grupo Emive&Co,
desenvolveu, para seus sistemas de alarme monitorado, funcionalidades que
permitem realizar acionamentos silenciosos conectados à Central de Monitoramento
24 horas da companhia.
Entre elas está o botão de pânico silencioso.
A partir de um acionamento previamente configurado, o dispositivo envia um
alerta à Central de Monitoramento sem disparar a sirene ou emitir um sinal
perceptível para outras pessoas presentes no local.
A proposta é justamente possibilitar a
sinalização de uma situação de risco quando tornar evidente um pedido de ajuda
poderia aumentar a vulnerabilidade da pessoa. “É uma forma de comunicar que
existe algo errado sem necessariamente deixar isso evidente para quem está ao
lado. O alerta chega silenciosamente à estrutura de monitoramento, que funciona
24 horas por dia”, explica Raeli.
Outro recurso disponível é a chamada senha de
coação. Caso uma pessoa seja obrigada a desarmar o sistema de segurança, ela
pode utilizar uma senha específica, previamente cadastrada.
Para quem acompanha a ação dentro da
residência, o equipamento aparenta ter sido desativado normalmente. Ao mesmo
tempo, o sistema encaminha um alerta silencioso à Central de Monitoramento,
indicando uma possível situação de coação.
Além desses recursos, os sistemas conectados
permitem acompanhar notificações pelo aplicativo, armar ou desarmar o alarme
remotamente e receber alertas relacionados à segurança da residência.
Camada
adicional de proteção
Entre as tecnologias que ampliam esse
acompanhamento está o “Estranho no Ninho”, funcionalidade de inteligência
artificial da Emive aplicada
às câmeras de segurança. Por meio de biometria facial, o sistema compara os
rostos identificados no ambiente com uma lista de pessoas previamente
cadastradas. Quando detecta alguém não reconhecido, envia uma notificação ao
celular do usuário com informações sobre a identificação, permitindo verificar
com mais rapidez uma situação fora da rotina.
Na prática, o recurso acrescenta uma camada
preventiva ao monitoramento residencial, especialmente em imóveis com
circulação controlada. Ao alertar sobre a presença de pessoas não cadastradas,
a solução ajuda o usuário a acompanhar acessos e movimentações mesmo à
distância e a tomar decisões com mais informação. O "Estranho no
Ninho" complementa - e não substitui - recursos de emergência, como botão
de pânico, senha de coação e o acionamento das autoridades em situações de
risco.
“Uma casa protegida não é apenas aquela
preparada para dificultar uma invasão. Segurança também passa por oferecer
recursos que ampliem as possibilidades de reação diante de situações
inesperadas, inclusive quando a pessoa não consegue pedir ajuda pelos meios
convencionais”, afirma o CEO.
Rede
de apoio
A tecnologia, no entanto, não elimina as
causas da violência contra a mulher nem substitui políticas públicas, medidas
protetivas, serviços especializados, redes de apoio ou o acionamento das
autoridades de segurança.
“Estamos falando de um problema complexo, que não será resolvido apenas com tecnologia. O que esses recursos podem fazer é acrescentar uma possibilidade de comunicação e reação em momentos nos quais um pedido convencional de ajuda talvez não seja possível. Quanto mais alternativas existirem para sinalizar uma emergência, maiores são as possibilidades de resposta diante de uma situação de risco”, conclui Raeli.
Mulheres em situação de violência
podem procurar a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito
disponível 24 horas por dia. Em situações de emergência ou risco imediato, a
orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
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