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domingo, 27 de setembro de 2026

Sono não é substituído por procedimento estético — e procedimento estético não substitui sono


Será que uma boa noite de sono resolve ou o espelho já está mostrando mudanças relacionadas ao envelhecimento? Segundo Dra. Daiany Rodrigues Freire, enfermeira estética e biomédica, antes de pensar em qualquer procedimento, é importante entender o que está por trás da aparência cansada.

“Existem alterações que ficam muito mais perceptíveis depois de uma sequência de noites ruins. A pessoa acorda com o rosto mais inchado, olheiras evidentes, pele opaca e marcas que parecem mais profundas. Isso não significa que ela envelheceu em uma semana. O problema é quando ela descansa, retoma a rotina e aquela aparência permanece”, explica.
 

Dormiu bem e o rosto continua cansado?

Uma forma simples de começar a observar a diferença é perceber se a aparência melhora depois de alguns dias de sono adequado, hidratação e retomada dos hábitos habituais.

Quando isso acontece, o aspecto cansado provavelmente tinha forte influência da rotina. Mas quando o rosto continua parecendo abatido mesmo depois de períodos de descanso, podem existir mudanças estruturais associadas à idade.

“Com o passar dos anos, não é apenas a superfície da pele que muda. Perdemos colágeno, ocorre alteração da firmeza e também existem mudanças nos compartimentos de gordura e na sustentação da face. Por isso, às vezes a pessoa diz: ‘Eu durmo, mas continuo com cara de cansada’. Nem sempre é cansaço. Pode ser uma mudança na própria estrutura facial”, explica Daiany.

Entre as queixas mais comuns estão perda do contorno, aprofundamento de alguns sulcos, olheiras mais marcadas, flacidez e diminuição de volume em determinadas regiões.

A diferença é importante porque sono não é substituído por procedimento estético — e procedimento estético não substitui sono.
 

Parecer descansada sem parecer outra pessoa

A busca por resultados naturais também vem mudando a maneira como muitas mulheres chegam aos consultórios.

Depois de uma fase marcada nas redes sociais por rostos muito semelhantes, volumes exagerados e características padronizadas, ganha espaço uma estética mais individualizada: tratar os sinais do envelhecimento sem apagar aquilo que identifica cada pessoa.

“Hoje muitas pacientes não chegam dizendo que querem parecer dez ou 15 anos mais jovens. Elas dizem: ‘Quero continuar parecendo eu, mas com uma aparência melhor, mais descansada’. Essa mudança é muito positiva porque nos permite pensar no envelhecimento de maneira global”, afirma Daiany.

Para a especialista, naturalidade não significa necessariamente fazer menos tratamentos, mas tratar com objetivos diferentes e indicação individualizada.
 

Em vez de preencher tudo, entender o que mudou

Se o problema predominante é perda de sustentação e volume, o ácido hialurônico, quando indicado e aplicado em pontos estratégicos, pode ser utilizado para reestruturar regiões que sofreram mudanças com o envelhecimento — e não simplesmente para aumentar o rosto.

Quando a principal alteração é flacidez e perda de firmeza, tratamentos voltados ao estímulo de colágeno podem fazer parte do planejamento.

Já alterações relacionadas à textura, qualidade e superfície da pele podem demandar outras estratégias, como microagulhamento, radiofrequência microagulhada, laser de CO₂ fracionado e peelings, dependendo da avaliação, do tipo de pele e da época do ano.

“A ideia não é olhar uma ruga isoladamente e tentar apagá-la. Precisamos entender o rosto como um conjunto. Às vezes, tratar excessivamente uma região é justamente o que tira a naturalidade”, explica.

Por isso, duas mulheres da mesma idade e com a mesma queixa podem receber propostas completamente diferentes.

Para Dra. Daiany, um dos pontos mais importantes da estética atual é não transformar toda aparência de cansaço em indicação de procedimento.

Se a pessoa está dormindo mal, vivendo um período de estresse intenso ou negligenciando cuidados básicos, é preciso considerar esses fatores antes de atribuir tudo ao envelhecimento.

Da mesma forma, quando existe uma mudança estrutural relacionada à idade, tentar corrigi-la apenas com cosméticos ou aumentando indiscriminadamente o volume do rosto pode não produzir o resultado esperado.

“Para mim, o rejuvenescimento mais interessante é aquele que não cria um novo rosto. É possível tratar estrutura, firmeza e qualidade da pele e, ao mesmo tempo, manter as características que fazem aquela pessoa ser reconhecida. O melhor resultado é quando alguém olha para você e pensa ‘como ela está bem’, e não ‘o que ela fez no rosto?’”, finaliza. 



Dra. Daiany Freire - enfermeira e biomédica esteta, especialista em Reestruturação Facial e Estética Regenerativa. Possui pós-graduação em Enfermagem Estética pelo Nepuga e especialização em Estética e Cosmetologia com Ênfase em Raciocínio Clínico pela Univates, além de formação complementar com referências nacionais nas áreas de harmonização facial e estética regenerativa. É criadora da técnica Daimily Lips®, desenvolvida a partir de princípios anatômicos, proporção facial e individualização do preenchimento labial, com foco em resultados naturais e harmônicos.
Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nº 72548
Conselho Regional de Biomedicina (CRBM nº 64.089
Enfermeira e biomédica com pós-graduação em Enfermagem Estética.
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