No mês de prevenção ao suicídio,
psiquiatra alerta para importância de escutar sem julgamentos e reconhecer
sinais silenciosos de sofrimento emocionalÉ preciso saber a forma correta de abordar alguém que está em
sofrimento emocional, aderir à escuta ativa sem julgamentos.
Crédito: imagem ilustrativa gerada por IA
Hospital Heidelberg)
“Isso
é frescura.” “Você tem tudo na vida.” “Pense nas coisas boas.” “Tem gente com
problemas muito maiores.” Embora geralmente sejam ditas com a intenção de ajudar,
frases como essas podem fazer uma pessoa em sofrimento emocional se sentir
incompreendida, culpada ou ainda mais sozinha. É justamente contra esse tipo de
resposta que o Setembro Amarelo 2026 chama a atenção ao propor o tema “Escutar é
estar presente”.
A
campanha do Centro de Valorização da Vida (CVV) destaca que uma escuta
acolhedora pode ser o primeiro passo para que alguém em sofrimento encontre
apoio e não enfrente esse momento sozinho. Muito menos, que busque o suicídio
como escape do problema.
Para o
médico psiquiatra Dr. Roberto Ratzke, professor e coordenador da Psiquiatria do
Hospital Heidelberg, em Curitiba, a diferença está menos
em encontrar a frase perfeita e mais em demonstrar disponibilidade genuína para
ouvir.
“Quando
alguém diz ou demonstra que está sofrendo, a primeira reação não precisa ser
dar um conselho ou tentar resolver o problema. Uma resposta mais acolhedora
seria: ‘Percebo que você está sofrendo. Quer me contar o que está acontecendo?
Como posso ajudar?’. Validar o sofrimento não significa concordar com tudo o que
a pessoa pensa, mas mostrar que aquilo que ela está sentindo merece ser levado
a sério.”
Escuta
reativa x escuta acolhedora
Uma
escuta reativa tenta interromper rapidamente o sofrimento. A pessoa ouve “vai
passar”, “você precisa reagir” ou “não pense nisso”. Já a escuta acolhedora
procura compreender antes de responder.
Segundo
o Dr. Roberto, também é importante evitar transformar uma conversa sobre sofrimento
em uma disputa de problemas.
“Dizer
que alguém tem uma vida boa ou que existem pessoas passando por situações
piores não diminui a dor que ela está sentindo. O sofrimento psíquico não pode
ser medido dessa maneira. O mais importante é demonstrar presença, perguntar,
ouvir e, quando necessário, ajudar a pessoa a encontrar atendimento
profissional.”
Nem
sempre quem está em risco diz que quer morrer
Outro
desafio da prevenção ao suicídio é reconhecer mudanças que podem aparecer antes
de uma crise evidente. Isolamento, abandono repentino de atividades que antes
davam prazer, alterações importantes na rotina, desesperança, descuido consigo
mesmo e mudanças bruscas de comportamento podem indicar que algo não está bem.
Em
alguns casos, a pessoa também pode começar a se desfazer de objetos ou
pertences importantes, fazer despedidas incomuns ou demonstrar uma preocupação
repentina em "resolver" questões pessoais.
Nenhum
desses sinais, isoladamente, permite concluir que existe risco de suicídio. Mas
mudanças importantes e persistentes no comportamento merecem atenção,
especialmente quando acompanhadas de falas sobre morte, desesperança ou de que
a vida perdeu o sentido.
“Não
precisamos esperar que a pessoa diga explicitamente que pretende tirar a
própria vida para levar o sofrimento a sério. Quando percebemos mudanças
importantes, o melhor caminho é perguntar, ouvir sem julgamento e buscar ajuda.
Falar sobre suicídio de maneira responsável não provoca o suicídio; pode abrir
uma oportunidade para que a pessoa seja cuidada.”
Quando
a crise exige atendimento psiquiátrico urgente?
Em
situações de sofrimento emocional intenso, pensamentos ou comportamentos
suicidas, tentativa de suicídio, risco de autoagressão, agitação grave, perda
importante do contato com a realidade ou impossibilidade de permanecer em
segurança, a avaliação psiquiátrica deve ser imediata.
Nesses
casos, a internação psiquiátrica pode ser necessária para proteger o paciente e
oferecer acompanhamento intensivo. O Hospital Heidelberg, em Curitiba, conta
com atendimento de emergência 24 horas na sede da Rua Padre Agostinho,
no bairro Mercês, além de serviço de internação integral. A instituição também
oferece Hospital Dia, na unidade de Santa Felicidade, modalidade que pode ser
indicada em determinadas situações como alternativa ou etapa intermediária
entre o atendimento ambulatorial e a internação integral.
O Hospital Heidelberg possui duas unidades em Curitiba: Rua Padre Agostinho, 687, no bairro Mercês, e Rua Via Vêneto, 2.000, em Santa Felicidade. A instituição conta com equipe multidisciplinar formada por médicos psiquiatras, além de outros profissionais como enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, entre outros. Os telefones do Heidelberg são: (41) 3320-4900 / WhatsApp: (41) 98869-0436.
Para situações de risco imediato, além de procurar um serviço de emergência, também é possível buscar apoio do CVV pelo telefone 188, disponível 24 horas e gratuitamente em todo o Brasil
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