quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Setembro Amarelo: falar sobre saúde mental é salvar vidas

 Escuta empática deixa de ser gentileza e passa a ser medida sanitária e social


 

Setembro Amarelo nos lembra que a prevenção ao suicídio começa com escuta, acolhimento e informação. Falar sobre saúde mental de forma responsável desmistifica o tabu, abre portas para a acolhida e reforça que pedir ajuda é um ato de coragem e de preservação da vida.  

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. O suicídio é um fenômeno complexo, que pode envolver fatores psicológicos, biológicos, sociais, culturais e ambientais. Por isso, não existe uma única causa nem uma única forma de prevenção. 

Saúde mental também exige cuidado, pois momentos de perda, conflitos, dificuldades financeiras, solidão, doenças crônicas, dor persistente, limitações físicas e outras situações podem repercutir profundamente sobre o bem-estar emocional. 

Quando esse sofrimento se torna persistente e começa a comprometer a vida cotidiana, os relacionamentos ou a capacidade de enxergar possibilidades para o futuro, é importante buscar ajuda. 

Em um mundo acelerado e hiper conectado, criar espaços de escuta empática deixou de ser uma gentileza para se tornar uma medida de emergência sanitária e social. O estigma associado à depressão, à ansiedade profunda e ao esgotamento muitas vezes impede que pessoas em dor busquem o suporte necessário.  

O silêncio continua sendo um dos maiores cúmplices do sofrimento psicológico. Daí a importância de ficar atento a mudanças de comportamento em amigos, familiares ou colegas de trabalho. 

 

Afastamento repentino de rotinas, hobbies e do convívio familiar, perda de interesse, alterações importantes no sono ou apetite, desesperança, sentimentos de culpa ou de inutilidade, mudanças marcantes de comportamento, aumento do uso de álcool ou outras substâncias e falas relacionadas à morte merecem atenção. Esses sinais não permitem prever uma tentativa de suicídio, mas não devem ser ignorados, especialmente quando aparecem associados.

 

Para ajudar alguém em sofrimento, não é preciso ter respostas prontas ou tentar resolver a dor do outro no primeiro instante. O passo essencial é oferecer uma escuta atenta, sem julgamentos ou invalidações, e incentivar a busca por profissionais da saúde mental, como psicólogos e psiquiatras.

 

Como neurocirurgião, acredito que cuidar de um paciente significa olhar além do diagnóstico ou do tratamento. Existe uma pessoa por trás de cada doença, com medos, expectativas, inseguranças e necessidades que também precisam ser acolhidos.

 

A prevenção é um compromisso coletivo. Ao espalhar informação de qualidade, acolher sem julgar e tratar o cuidado com a mente com a necessidade que ele exige, ajudamos a construir uma rede sólida onde a vida é sempre a prioridade. 




Dr. Kleber Duarte - médico neurocirurgião com quase 30 anos de experiência na área de neurocirurgia funcional e dor. Atualmente é coordenador do Serviço de Neurocirurgia para Saúde Suplementar e Neurocirurgia em Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Tem amplo conhecimento e alta qualificação em técnicas cirúrgicas e de estereotaxia para tratamento de doenças que comprometem o sistema motor e em dores crônicas.
@drkleberduarte



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