Bem-estar em shows e festivais: música alta, desgaste
físico e desidratação podem tornar-se preocupações para a saúde
Rock
in Rio 2026 começa nesta sexta-feira no Rio de Janeiro, com possíveis variações
de temperatura devido ao El Niño, intensa exposição a sons altos e longas
jornadas a pé; hidratação adequada e proteção auricular são alguns cuidados
essenciais para o público presente, alertam especialistas da Casa de Saúde São
José.
Nesta
sexta-feira inicia-se o Rock in Rio 2026, um dos maiores festivais de música do
mundo. O evento será sediado no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro, ao longo
dos dois primeiros finais de semana de setembro. No entanto, a expectativa por
música e entretenimento pode tornar-se uma dor de cabeça em alguns casos. Com
possíveis variações de temperatura devido às mudanças climáticas provocadas
pelo El Niño, intensa exposição a sons altos e desgaste físico, é preciso se
atentar para alguns cuidados básicos de saúde para curtir o festival com mais
bem-estar e segurança.
Para a
Dra. Paula Lages, clínica geral da Casa de Saúde São José, o cuidado com a
hidratação deve ser uma das preocupações centrais para quem vai ao festival de
música. “Em um evento com muitas horas de exposição ao sol, aglomeração e
esforço físico, é fundamental manter uma hidratação regular. É importante estar
atento a sinais como tontura, fraqueza, dor de cabeça, náuseas ou mal-estar,
que podem indicar desidratação. Ainda mais caso haja previsão de altas
temperaturas para o dia específico de festival”, orienta a médica.
Esses
sintomas podem acentuar-se ainda mais com o desgaste físico ao longo do dia de
festival. A depender das atrações do evento, pode ser necessário fazer longas
caminhadas entre um palco e outro, isso sem contar as longas filas de espera em
estandes, lojas e restaurantes. Para evitar dores musculares, inchaço e cansaço
nas pernas e pés, a melhor opção são calçados confortáveis, pausas para
descanso e movimentação constante dos membros inferiores, evitando ficar na
mesma posição por longos períodos.
A
alimentação também não pode ficar em segundo plano, sendo essencial evitar
passar muitas horas em jejum nos dias de show. “Antes de sair para o evento,
uma boa estratégia é fazer uma refeição completa, com uma fonte de carboidrato
e proteína, verduras ou legumes e, se possível, uma fruta. Durante o evento é
ideal fazer pequenos lanches, escolhendo alimentos que sejam seguros, bem
armazenados e que forneçam energia, como frutas, sanduíches, iogurte ou
castanhas”, indica a especialista da Casa de Saúde São José. “Também é
importante não substituir refeições por bebidas alcoólicas. O álcool deve ser
consumido com moderação e não substitui a hidratação. Associar álcool, calor,
pouco sono e alimentação inadequada pode aumentar bastante o risco de mal-estar
e complicações”, alerta.
Em um
ambiente aberto como o Parque Olímpico, ainda mais em um evento como o Rock in Rio
que abre os portões no meio do dia, também é fundamental proteger a pele do
sol. Protetor solar reaplicado ao longo do dia, fazer uso de chapéus, bonés,
óculos de sol, além de roupas leves que cubram a pele, são algumas orientações
da Dra. Paula Lages para os dias de festa na Cidade do Rock.
Como
cuidar dos ouvidos?
Por
outro lado, um dos maiores riscos à saúde pode passar despercebido pelos fãs e
é provocado justamente pela atração principal do evento: a música. Uma pesquisa
do Royal National Institute for Deaf People (RNID), feita com 2 mil jovens,
revelou que mais da metade dos entrevistados (58%) relatou algum nível de perda
auditiva após frequentar festivais, shows e casas noturnas. A instituição
estima que esses problemas afetam um em cada três adultos no Reino Unido (cerca
de 18 milhões de pessoas).
De
acordo com a Dra. Ana Carolina Teles, otorrinolaringologista da Casa de Saúde
São José, o limite seguro de intensidade sonora é de 85 decibéis (dB). “Em
shows, os volumes costumam ultrapassar 100 dB. Nessa intensidade, apenas 15
minutos de exposição já podem danificar as células ciliadas no ouvido interno”,
alerta a médica. Essas células são receptores sensoriais responsáveis pela
audição e pelo equilíbrio do corpo.
Os
riscos dessa exposição prolongada vão desde o zumbido (tinnitus) e a
hiperacusia (tipo de hipersensibilidade em que sons baixos são percebidos com
volume exagerado) até a surdez súbita e a Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR),
caracterizada pela diminuição gradual e irreversível da audição. “Sensação de
ouvido abafado, zumbido contínuo e irritabilidade a barulhos também são
sintomas comuns que indicam prejuízo auditivo após um show”, completa a
especialista.
Diante
disso, estratégias de prevenção ganharam adeptos entre o público. A médica
aponta os protetores auriculares (earplugs) como aliados fundamentais:
“Eles protegem a audição sem perder a qualidade do som. As melhores opções têm
filtro de alta fidelidade, pois reduzem os decibéis de forma uniforme, sem
abafar a música”. Além do acessório, a especialista recomenda alguns hábitos
práticos: manter distância dos alto-falantes, monitorar a intensidade sonora
por aplicativos de celular e fazer “pausas auditivas” – pequenos intervalos
longe do barulho para descansar os ouvidos entre as apresentações.
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