sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Rock in Rio e maratona de shows: Fonoaudióloga dá dicas de primeiros socorros para recuperar a voz pós-festival

 

Especialista alerta para o perigo de cochichar e do uso de pastilhas anestésicas, que podem mascarar lesões e piorar a inflamação nas cordas vocais

 

Com a chegada do Rock in Rio e a temporada de grandes festivais de música pelo país, a maratona de shows promete exigir muito do corpo, e a voz é frequentemente a primeira a dar sinais de exaustão. Acordar rouco, com a voz fraca ou completamente sem som no dia seguinte a um grande evento é uma queixa comum entre os frequentadores. No entanto, o que muitos consideram apenas um "cansaço passageiro" é, na verdade, resultado de uma sobrecarga mecânica nas cordas (pregas) vocais. 

De acordo com a Profa. Joice Carneiro, fonoaudióloga e coordenadora do curso de Fonoaudiologia do Centro Universitário Módulo, durante um show as pessoas tendem a competir inconscientemente com o barulho do ambiente, aumentando drasticamente o esforço vocal. 

“Para se fazer ouvir na multidão, a pessoa aumenta a pressão do ar e a força com que as pregas vocais se chocam. Como elas vibram milhares de vezes por segundo durante horas seguidas, ocorre um trauma mecânico no tecido, gerando uma resposta inflamatória e inchaço (edema). Com as pregas vocais inchadas, a vibração fica irregular e ineficiente. É por isso que, no dia seguinte, a pessoa acorda rouca ou afônica”, explica a especialista.

 

O perigo de cochichar e o uso de pastilhas 

Diante da rouquidão, é comum recorrer a soluções caseiras ou paliativas que, na verdade, podem agravar o quadro. A fonoaudióloga destaca dois erros bastante frequentes: 

  1. Tentativa de sussurrar ou cochichar: muita gente acredita que falar baixinho poupa a voz, mas o sussurro exige ainda mais tensão e esforço da musculatura da laringe. O ideal é praticar o repouso vocal relativo, evitando falar desnecessariamente e dando preferência a mensagens de texto em vez de áudios, e, quando precisar se comunicar, falar em tom normal e confortável.
  2. Uso de pastilhas e sprays anestésicos: produtos refrescantes ou anestésicos aliviam a dor temporariamente, criando uma falsa sensação de melhora. Ao não sentir o desconforto, a pessoa volta a forçar a voz sobre um tecido que continua inflamado, piorando a lesão.

 

Guia de primeiros socorros para a voz 

Para acelerar a recuperação vocal após abuso em shows, a docente lista os principais cuidados: 

  • Hidratação intensa: ingerir entre 2 e 3 litros de água por dia. A água não passa diretamente pelas pregas vocais, mas hidrata o organismo sistemicamente, fluidificando o muco que recobre a laringe e permitindo uma vibração mais suave e eficiente.
  • Inalação e ambiente protegido: fazer inalações com soro fisiológico ajuda a umedecer as vias aéreas. Além disso, evite ambientes com fumaça, cigarro/vape, poeira e ar-condicionado excessivo, que ressecam a mucosa.
  • Repouso e sono de qualidade: o álcool e a privação de sono combinados ao esforço vocal desidratam o corpo e retardam a regeneração tecidual. Dormir bem é parte fundamental do tratamento.

 

Quando buscar ajuda médica? 

A rouquidão aguda após um show costuma atingir seu pico entre 24 e 48 horas. Com repouso vocal e hidratação, a tendência é que a voz recupere gradualmente o timbre normal ao longo dos dias. 

No entanto, a especialista alerta para os sinais de gravidade: “Se a pessoa continuar completamente sem voz ou se a melhora for mínima após 7 dias, é fundamental buscar uma avaliação especializada com um otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo. A persistência dos sintomas pode indicar lesões mais estruturadas, como nódulos ou pólipos, que exigem tratamento específico”, conclui a fonoaudióloga.

 

 Centro Universitário Módulo www.modulo.edu.br


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