No Setembro Amarelo, SBD-RS alerta para o impacto de filtros, padrões irreais de beleza e insatisfação constante com a aparência no bem-estar
O Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização
sobre saúde mental, também chama atenção para a forma como cada pessoa percebe
a própria imagem. Em meio à exposição constante a filtros digitais e padrões de
beleza nas redes sociais, a Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do
Rio Grande do Sul (SBD-RS) reforça que a realização de um procedimento estético
deve partir de uma avaliação cuidadosa, que considere a indicação médica, as
expectativas do paciente, suas motivações e o impacto dessa decisão sobre o
bem-estar emocional.
A vice-presidente da SBD-RS, Dra. Cíntia Pessin,
explica que procedimentos como lasers, luz pulsada e peelings químicos podem
trazer benefícios quando corretamente indicados, auxiliando no tratamento de
manchas, cicatrizes de acne, flacidez e outras alterações da pele.
“Quando bem indicados e executados, os
procedimentos estéticos podem contribuir para a autoestima. O mais importante é
entender a necessidade de cada pessoa e quais resultados realmente podem ser
alcançados”, afirma.
Uma das preocupações está na influência das redes
sociais. Filtros capazes de eliminar poros, assimetrias e características
naturais do rosto podem criar referências que não correspondem à realidade.
“Os filtros criam um padrão de beleza irreal. A
pessoa passa a se enxergar sem pequenas assimetrias ou imperfeições que fazem
parte da individualidade. Isso pode gerar expectativas impossíveis de atingir e
muita frustração”, alerta Dra. Cíntia.
A busca constante por reproduzir esses padrões
também pode estimular procedimentos sucessivos ou exagerados. Por isso,
preservar características individuais e avaliar a real motivação para cada
intervenção são pontos importantes durante a consulta.
A avaliação médica também ajuda a identificar
situações em que o procedimento deve ser adiado ou contraindicado. Pacientes
que permanecem insatisfeitos mesmo após diversas intervenções ou demonstram
preocupação excessiva com a própria aparência podem necessitar de uma abordagem
mais ampla.
“Existem pessoas que continuam frustradas
independentemente do resultado. Nesses casos, é importante perceber que o
procedimento estético talvez não seja a única resposta. Algumas situações podem
se beneficiar de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico”, explica a
vice-presidente da SBD-RS.
Outro cuidado fundamental é alinhar expectativas.
Nenhum tratamento apresenta resultados idênticos para todas as pessoas, e
alguns procedimentos podem exigir recuperação, restrições temporárias e
cuidados específicos.
“Precisamos explicar os possíveis resultados, as
limitações e também aquilo que o procedimento não consegue fazer. Essa conversa
ajuda a evitar frustrações e torna a decisão mais segura”, completa Dra.
Cíntia.
Para a SBD-RS, procedimentos estéticos devem fazer
parte de uma decisão consciente e individualizada, considerando não apenas a
aparência, mas também a saúde e o bem-estar do paciente.
Em casos de dúvidas, insatisfação com alterações da
pele ou antes da realização de procedimentos estéticos, procure um médico
dermatologista. Quando houver sofrimento emocional, insatisfação persistente
com a própria imagem ou sinais de que a saúde mental não está bem, também é
importante buscar acompanhamento com psicólogo ou médico psiquiatra. Não deixe
de procurar ajuda profissional.
Marcelo Matusiak

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