Nutróloga da Kora Saúde explica por que a interrupção do tratamento pode favorecer o reganho de peso e quais fatores devem ser considerados na manutenção dos resultados
O uso de medicamentos para tratamento da obesidade,
como semaglutida e tirzepatida, avançou nos últimos anos e colocou as chamadas
“canetas para emagrecer” no centro das discussões sobre controle de peso. Com a
popularização dessas terapias, uma questão passa a ganhar importância: o que
acontece com o organismo quando o medicamento é interrompido?
Evidências científicas indicam que parte dos
pacientes pode recuperar peso após a suspensão do tratamento. O fenômeno está
relacionado, entre outros fatores, à retomada da fome, às alterações
metabólicas que ocorrem durante o processo de emagrecimento e aos mecanismos
fisiológicos que atuam para defender o peso corporal.
“Durante o tratamento, os medicamentos contribuem
para o controle da fome e para o aumento da saciedade. Quando são retirados,
esses efeitos deixam de ocorrer e o organismo pode voltar a apresentar uma
maior pressão biológica para recuperar o peso perdido. Por isso, o reganho não
deve ser interpretado simplesmente como falta de disciplina do paciente”,
explica a Dra. Sandra Fernandes, Médica Nutróloga – CRM 7973 / RQE 5098 da Kora
Saúde.
A recuperação do peso também está relacionada às
adaptações que acompanham o emagrecimento. À medida que o peso diminui, o gasto
energético pode ser reduzido e alterações nos sinais de fome e saciedade podem
favorecer uma maior ingestão alimentar. Esses mecanismos fazem parte da
resposta fisiológica do organismo à perda de peso.
Por esse motivo, a interrupção do medicamento
precisa ser avaliada dentro de uma estratégia de tratamento e não como uma
decisão isolada. A manutenção dos resultados envolve aspectos como alimentação,
atividade física, sono, comportamento alimentar e preservação da massa
muscular, mas essas medidas não significam, necessariamente, que todos os
pacientes poderão permanecer sem medicação.
“Obesidade é uma doença crônica e cada paciente
responde de uma maneira ao tratamento. Para algumas pessoas, mesmo com
alimentação adequada e atividade física regular, a medicação continuará sendo
necessária para controlar a doença e manter o peso. Por isso, não existe uma
regra de que todo paciente que emagrece deve necessariamente suspender o
medicamento”, afirma Sandra.
A preservação da massa muscular também deve ser
considerada durante o processo. Em um emagrecimento com redução calórica
significativa, parte do peso perdido pode corresponder à massa magra. A
alimentação adequada e a prática de exercícios, especialmente os que envolvem
treinamento de força, podem contribuir para preservar a composição corporal.
A manutenção do peso, portanto, deve fazer parte do
planejamento desde o início do tratamento e continuar sendo acompanhada mesmo
depois que o paciente atinge seu objetivo. A decisão de reduzir, suspender ou
manter o medicamento depende da resposta individual e deve ser tomada em
conjunto com o médico.
Quatro estratégias que podem
ajudar na manutenção do peso
Para reduzir o risco de reganho de peso, a primeira
recomendação é planejar qualquer mudança no tratamento com acompanhamento
médico, evitando a suspensão por conta própria. A alimentação também merece atenção,
com prioridade para proteínas, fibras, frutas, vegetais e leguminosas, que
contribuem para a saciedade e ajudam a manter uma rotina alimentar equilibrada.
A preservação da massa muscular é outro ponto
importante durante a manutenção do peso. A combinação entre ingestão adequada
de proteínas e exercícios, especialmente treinamento de força, pode ajudar a
manter a composição corporal conquistada durante o processo de emagrecimento. A
estratégia, porém, deve ser adaptada às necessidades e condições de cada
paciente.
Por fim, o acompanhamento do peso e da composição
corporal permite identificar precocemente mudanças que possam indicar tendência
de reganho. “Não é preciso esperar recuperar todo o peso perdido para buscar ajuda. A
manutenção também faz parte do tratamento da obesidade e precisa ser
acompanhada individualmente. Em alguns casos, mesmo com bons hábitos, o
paciente pode precisar manter o tratamento medicamentoso para controlar a
doença”, conclui a nutróloga.
Kora Saúde
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