Enquanto obesidade, longevidade e tratamentos estéticos ganham cada vez mais espaço nas discussões, as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no mundo e respondem por cerca de 400 mil óbitos anuais somente no Brasil. Nutricionista da Nestlé, Gisele Pavin, fala sobre como a nutrição pode prevenir esses males
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) e a World Heart
Federation (WHF), doenças cardiovasculares permanecem como a principal
causa de morte no mundo, podendo superar 23,6 milhões de óbitos anuais até
2030. Só no Brasil, elas representam cerca de 31% de todas
as mortes, sendo responsáveis por aproximadamente 400 mil
óbitos por ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde e
DATASUS. Apesar deste dado, muitas pessoas acabaram despriorizando a saúde de
órgãos vitais, como o coração, por estarem focadas em questões ligadas ao
rejuvenescimento ou à estética.
Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)
apresentou, no último dia 5 de agosto, em Brasília, a “Carta do Coração”,
reforçando a necessidade de ampliar ações e políticas públicas voltadas à
prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e à reabilitação cardiovascular no
Brasil - sempre em articulação com o Sistema Único de Saúde (SUS). Para a nutricionista Gisele Pavin, que atua como head
de Nutrição, Saúde e Bem-Estar da Nestlé, o grande volume de óbitos por doenças
cardiovasculares reforça a importância de olhar para a saúde de uma forma
integrada, melhorando a alimentação, a qualidade do sono, a parte psicológica
e, claro, mantendo o corpo em movimento.
“O cenário global mostra a urgência de olharmos
para o estilo de vida como uma ferramenta poderosa de prevenção de doenças.
Alimentação equilibrada, sono em dia e a prática regular de exercícios são
alavancas acessíveis e que têm potencial real de transformar a saúde cardiovascular
da população”, explica a nutricionista.
A boa notícia, segundo Gisele, é que a ciência da
nutrição também vem passando por diversas mudanças de um tempo para cá. “Nos
últimos anos, a ciência nutricional passou a olhar para a qualidade global da
dieta, não mais focando somente na redução do colesterol, por exemplo, o que
também interfere de forma positiva na conduta dos especialistas.
Nutricionistas, nutrólogos, médicos e outros profissionais também vêm sugerindo
um olhar mais ‘360° da saúde’, sabendo que grande parte das mortes também estão
relacionadas à diversos fatores que são modificáveis - como alimentação
inadequada, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool, entre outros”.
Quais são as doenças cardiovasculares e
como prevenir?
Algumas doenças cardiovasculares são mais
frequentes do que se imagina. E, em muitos casos, apesar de serem silenciosas,
elas podem ser prevenidas e até contornadas com hábitos saudáveis, controle dos
fatores de risco e acompanhamento médico regular. As mais comuns são:
- Hipertensão arterial;
- Doença arterial coronariana (DAC);
- Infarto agudo do miocárdio;
- Acidente vascular cerebral (AVC);
- Arritmias cardíacas;
- Insuficiência cardíaca;
- Doenças das válvulas cardíacas
Sobre os fatores de risco, eles podem ser de dois
tipos: não modificáveis e modificáveis. O primeiro, como o próprio nome diz, se
refere ao que não pode ser alterado. Eles incluem idade, sexo (homens tem maior
risco precoce), histórico familiar de doenças cardiovasculares, diabetes, e
dislipidemia (que aumenta os níveis de colesterol e triglicerídeos no
organismo). Já os da segunda opção ainda podem ser modificados. “São aqueles
aspectos da vida e rotina que podem ser ajustados, como: tabagismo, sedentarismo,
alimentação inadequada, obesidade/sobrepeso, estresse e consumo excessivo de
álcool”, reforça Gisele Pavin.
Ou seja, como mostra a head de Nutrição, Saúde e
Bem-Estar da Nestlé, “é possível melhorar o quadro geral de saúde e minimizar
danos, de maneira simples e eficaz, com algumas mudanças de hábitos do dia a
dia. E é sempre bom reforçar que a prevenção ainda é a melhor e mais segura
maneira de manter o coração batendo forte e saudável”, explica.
Veja a seguir mais algumas dicas de atitudes que
contribuem para reduzir o risco cardiovascular.
- Praticar exercícios: Manter o corpo em movimento reduz o risco
de morte por doenças cardíacas. Estudo publicado no JACC Journals,
periódico produzido pela American College of Cardiology (Faculdade
Americana de Cardiologia), em 2024, mostrou que 10 horas e meia de
comportamento sedentário por dia esteve significativamente associado à um
maior risco futuro de insuficiência cardíaca (IC) e morte por doença
cardiovascular. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostrou que substituir apenas
30 minutos diários (de tempo sentado ou sedentário) por
qualquer tipo de atividade física pode reduzir significativamente os
riscos à saúde cardiovascular;
- Equilibrar a alimentação: Manter uma alimentação saudável, rica em
frutas, legumes, vegetais, gorduras boas e fibras,
sempre com o acompanhamento de um nutricionista;
- Procurar se manter mais calmo(a): Gerenciar o próprio estresse e a ansiedade,
com práticas como respiração, meditação e psicoterapia;
- Não fumar;
- Não consumir álcool ou consumir com
moderação;
- Controlar o consumo de sódio (sal) e também de açúcar;
- Controlar o peso corporal;
- E consultar um cardiologista regularmente: Adultos jovens, sem fatores de risco, devem
fazer uma visita preventiva a cada 2 ou 5 anos. Pessoas com fatores de risco
como hipertensão, colesterol alto e diabetes, devem visitar o
cardiologista semestralmente ou anualmente. Já os pacientes com doenças
cardíacas diagnosticadas devem ter acompanhamento mais frequente, conforme
orientação.
Por último, além do acompanhamento médico
periódico, a realização de exames de rotina também é fundamental para
identificar possíveis alterações e iniciar o tratamento adequado o quanto
antes. “Quando diagnosticadas à tempo, muitas doenças cardiovasculares - como
hipertensão arterial e doença arterial coronariana - podem ser controladas
antes mesmo de se tornarem um problema grave. Portanto, realizar análises
clínicas com a frequência correta pode salvar vidas”, conclui Gisele.
Nestlé
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