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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Muito além da balança: por que a saúde do coração precisa voltar ao centro do debate

Enquanto obesidade, longevidade e tratamentos estéticos ganham cada vez mais espaço nas discussões, as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no mundo e respondem por cerca de 400 mil óbitos anuais somente no Brasil. Nutricionista da Nestlé, Gisele Pavin, fala sobre como a nutrição pode prevenir esses males 

 

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) e a World Heart Federation (WHF), doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no mundo, podendo superar 23,6 milhões de óbitos anuais até 2030. Só no Brasil, elas representam cerca de 31% de todas as mortes, sendo responsáveis por aproximadamente 400 mil óbitos por ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde e DATASUS. Apesar deste dado, muitas pessoas acabaram despriorizando a saúde de órgãos vitais, como o coração, por estarem focadas em questões ligadas ao rejuvenescimento ou à estética.

Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apresentou, no último dia 5 de agosto, em Brasília, a “Carta do Coração”, reforçando a necessidade de ampliar ações e políticas públicas voltadas à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e à reabilitação cardiovascular no Brasil - sempre em articulação com o Sistema Único de Saúde (SUS). Para a nutricionista Gisele Pavin, que atua como head de Nutrição, Saúde e Bem-Estar da Nestlé, o grande volume de óbitos por doenças cardiovasculares reforça a importância de olhar para a saúde de uma forma integrada, melhorando a alimentação, a qualidade do sono, a parte psicológica e, claro, mantendo o corpo em movimento.

“O cenário global mostra a urgência de olharmos para o estilo de vida como uma ferramenta poderosa de prevenção de doenças. Alimentação equilibrada, sono em dia e a prática regular de exercícios são alavancas acessíveis e que têm potencial real de transformar a saúde cardiovascular da população”, explica a nutricionista.

A boa notícia, segundo Gisele, é que a ciência da nutrição também vem passando por diversas mudanças de um tempo para cá. “Nos últimos anos, a ciência nutricional passou a olhar para a qualidade global da dieta, não mais focando somente na redução do colesterol, por exemplo, o que também interfere de forma positiva na conduta dos especialistas. Nutricionistas, nutrólogos, médicos e outros profissionais também vêm sugerindo um olhar mais ‘360° da saúde’, sabendo que grande parte das mortes também estão relacionadas à diversos fatores que são modificáveis - como alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool, entre outros”.
 

Quais são as doenças cardiovasculares e como prevenir?

Algumas doenças cardiovasculares são mais frequentes do que se imagina. E, em muitos casos, apesar de serem silenciosas, elas podem ser prevenidas e até contornadas com hábitos saudáveis, controle dos fatores de risco e acompanhamento médico regular. As mais comuns são:

  • Hipertensão arterial;
  • Doença arterial coronariana (DAC);
  • Infarto agudo do miocárdio;
  • Acidente vascular cerebral (AVC);
  • Arritmias cardíacas;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Doenças das válvulas cardíacas

Sobre os fatores de risco, eles podem ser de dois tipos: não modificáveis e modificáveis. O primeiro, como o próprio nome diz, se refere ao que não pode ser alterado. Eles incluem idade, sexo (homens tem maior risco precoce), histórico familiar de doenças cardiovasculares, diabetes, e dislipidemia (que aumenta os níveis de colesterol e triglicerídeos no organismo). Já os da segunda opção ainda podem ser modificados. “São aqueles aspectos da vida e rotina que podem ser ajustados, como: tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, obesidade/sobrepeso, estresse e consumo excessivo de álcool”, reforça Gisele Pavin.

Ou seja, como mostra a head de Nutrição, Saúde e Bem-Estar da Nestlé, “é possível melhorar o quadro geral de saúde e minimizar danos, de maneira simples e eficaz, com algumas mudanças de hábitos do dia a dia. E é sempre bom reforçar que a prevenção ainda é a melhor e mais segura maneira de manter o coração batendo forte e saudável”, explica.

Veja a seguir mais algumas dicas de atitudes que contribuem para reduzir o risco cardiovascular.

  • Praticar exercícios: Manter o corpo em movimento reduz o risco de morte por doenças cardíacas. Estudo publicado no JACC Journals, periódico produzido pela American College of Cardiology (Faculdade Americana de Cardiologia), em 2024, mostrou que 10 horas e meia de comportamento sedentário por dia esteve significativamente associado à um maior risco futuro de insuficiência cardíaca (IC) e morte por doença cardiovascular. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostrou que substituir apenas 30 minutos diários (de tempo sentado ou sedentário) por qualquer tipo de atividade física pode reduzir significativamente os riscos à saúde cardiovascular;
  • Equilibrar a alimentação: Manter uma alimentação saudável, rica em frutas, legumes, vegetais, gorduras boas e fibras, sempre com o acompanhamento de um nutricionista;
  • Procurar se manter mais calmo(a): Gerenciar o próprio estresse e a ansiedade, com práticas como respiração, meditação e psicoterapia;
  • Não fumar;
  • Não consumir álcool ou consumir com moderação;
  • Controlar o consumo de sódio (sal) e também de açúcar;
  • Controlar o peso corporal;
  • E consultar um cardiologista regularmente: Adultos jovens, sem fatores de risco, devem fazer uma visita preventiva a cada 2 ou 5 anos. Pessoas com fatores de risco como hipertensão, colesterol alto e diabetes, devem visitar o cardiologista semestralmente ou anualmente. Já os pacientes com doenças cardíacas diagnosticadas devem ter acompanhamento mais frequente, conforme orientação.

Por último, além do acompanhamento médico periódico, a realização de exames de rotina também é fundamental para identificar possíveis alterações e iniciar o tratamento adequado o quanto antes. “Quando diagnosticadas à tempo, muitas doenças cardiovasculares - como hipertensão arterial e doença arterial coronariana - podem ser controladas antes mesmo de se tornarem um problema grave. Portanto, realizar análises clínicas com a frequência correta pode salvar vidas”, conclui Gisele.

 

Nestlé

 

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