Mesmo abaixo da linha do otimismo, expectativa
de vendas no segundo semestre sustenta expansão dos negócios
Há
cinco meses, a confiança dos comerciantes paulistanos não deixa a zona de
pessimismo, de acordo com estudo mensal da Federação do Comércio de
Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Em agosto, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) registrou 94,4 pontos. Na comparação com o
mesmo período do ano passado, o indicador recuou 5,4% [gráfico 1].
[GRÁFICO 1]
Índice de Confiança do Empresário do Comércio
(ICEC)
Série histórica (13 meses)
Fonte: FecomercioSP
O
ambiente menos inflacionário e relativamente mais favorável de agosto, no
entanto, possibilitou o avanço do indicador em relação aos meses anteriores,
bem como a sua segunda alta consecutiva. A menor pressão sobre os preços gerou
melhores expectativas quanto à continuidade do ciclo de redução da taxa básica
de juros, favorecendo uma perspectiva mais otimista relacionada à economia e
aos negócios.
Cenário financeiro delicado para as empresas
O subíndice que avalia as condições atuais da economia (ICAE), que compõe o ICEC, apontou estabilidade (69,1 pontos), encerrando a sequência de quatro quedas mensais consecutivas iniciada em março. Na comparação interanual, o indicador retraiu 6,5%.
Já o subíndice Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) permanece em recuperação desde junho, registrando
alta de 1,8%, ao passar de 115,3 pontos, em julho, para 117,2 pontos, no
oitavo mês do ano. Apesar do avanço, o indicador ainda está abaixo do nível
observado em agosto de 2025.
Investimento no pior nível desde 2021
O Investimento
do Empresário do Comércio (IIEC)
voltou a cair, passando de 97,2 pontos, em julho, para 96,8 pontos em agosto,
o menor nível desde agosto de 2021. O resultado reflete como o quadro com alto
patamar da taxa de juros e elevado endividamento empresarial segue inibindo
decisões de investimento que dependem de financiamento.
O subindicador Contratação de Funcionários (ICF) aumentou de 113,1 pontos, em julho, para 114
pontos, em agosto. O Nível de Investimento das Empresas (NIE), por sua
vez, recuou 2%, de 89,3 para 87,5 pontos, registrando 21 meses
consecutivos na zona de pessimismo. O subíndice Situação Atual dos Estoques
(SAE) apresentou menor nível desde abril de 2023 (88,8 pontos), mostrando
que o desequilíbrio entre estoque e vendas continua sem sinais de melhoria
[gráfica 2].
[GRÁFICO 2]
ICAEC, IEEC E IIEC
Série histórica (13 meses)
Fonte: FecomercioSP
Empresas com mais de 50 funcionários estão mais otimistas
As empresas maiores costumam ter mais acesso a
crédito, maior diversificação de fornecedores e clientes e mais capacidade de
absorver choques de curto prazo. Por isso, o recorte dos negócios com mais de
50 empregados seguem mais confiantes do que os pequenos: o indicador do ICEC
foi de 105,8 pontos, ante 94,1 entre as empresas pequenas.
Em agosto, o movimento se inverteu. O ICEC das
pequenas avançou (0,5%), enquanto o das grandes recuou (-0,5%). Na comparação
anual, ambos os grupos seguem em queda — as pequenas empresas caíram 5,5% e as
grandes, 1,4%.
O resultado aponta que, mesmo diante de sinais
de estabilização na percepção geral, a disposição para investir permanece como
um dos quesitos mais frágeis da confiança do empresário, refletindo o peso
persistente dos juros elevados e das dúvidas sobre os cenários político e econômico.
Expansão do comércio registra menor patamar desde 2025
O
Índice de Expansão do Comércio (IEC), pesquisa realizada também pela FecomercioSP, registrou
retração (-0,4%) pelo sexto mês consecutivo e marcou 100,7 pontos em agosto, o
menor patamar desde maio do ano passado. Na comparação com o mesmo período de
2025, o recuo foi de 4,7%.
O
indicador é composto pelo Índice de
Expectativa para Contratação de
Funcionários (ECF), que se mantém com variações tímidas, ao passar de 113,1
pontos, em julho, para 114 pontos, em agosto. De acordo com a Entidade,
esse período costuma marcar o início do planejamento de contratações
temporárias de fim de ano (para datas como Black Friday e Natal), por isso,
fica próximo de voltar a superar o resultado de 2025.
Também
compõe o IEC o Índice de Nível de
Investimento das Empresas (NIE), que
recuou 2% e registrou 87,5 pontos em agosto, sétima retração mensal seguida —
sendo 21 meses abaixo da linha dos 100 pontos. Na comparação interanual, a
queda é de 9,5%. Explicado pelo custo elevado do crédito, decorrente do patamar
alto da taxa de juros, segue correndo a atratividade de projetos de expansão,
modernização e ampliação da capacidade operacional das empresas do Comércio.
[GRÁFICO 3]
Índice de Expansão do Comércio (IEC)
Série histórica (13 meses)
Fonte: FecomercioSP
Produzido
mensalmente pela FecomercioSP, o boletim Panorama
do Comércio traz os principais
indicadores econômicos para o planejamento dos negócios e apresenta análises
sobre o cenário da economia, o perfil de consumo e as principais tendências que
impactam a atividade empresarial. Confira aqui.
Notas metodológicas
ICEC
O
Índice de Confiança do Empresário do
Comércio (ICEC) contempla a percepção
do setor em relação ao seu segmento, à sua empresa e à economia do País. São
entrevistas feitas em painel fixo de empresas, com amostragem segmentada por
setor (não duráveis, semiduráveis e duráveis) e por porte de empresa (até 50
empregados e mais de 50 empregados). As questões agrupadas formam o ICEC, que,
por sua vez, pode ser decomposto em outros subíndices que avaliam as
perspectivas futuras, a avaliação presente e as estratégias dos empresários
mediante o cenário econômico. A pesquisa refere-se ao município de São Paulo,
contudo sua base amostral reflete o cenário da região metropolitana.
IEC
O Índice de Expansão do Comércio (IEC) é apurado todo mês pela FecomercioSP, desde junho de 2011, com dados de cerca de 600 empresários. O indicador vai de 0 a 200 pontos, representando, respectivamente, desinteresse e interesse absolutos na expansão de seus negócios. A análise dos dados identifica a perspectiva dos empresários do Comércio em relação a contratações, compra de máquinas ou equipamentos, e abertura de novas lojas. Apesar de esta pesquisa também se referir ao município de São Paulo, sua base amostral abarca a região metropolitana.
FecomercioSP



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