Educadores detalham como as disciplinas
de Língua Portuguesa, Literatura,
Magnific
Artes, Educação Física, TICs e Língua Estrangeira são cobradas no exame
Abrangendo 45 questões no primeiro domingo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias é conhecida por ser uma verdadeira maratona de leitura e interpretação. Longe de exigir a simples memorização de regras gramaticais, trechos de livros ou conteúdos, o exame avalia a capacidade do estudante de compreender a linguagem como uma ferramenta viva de comunicação, expressão artística, integração social e posicionamento crítico.
Para conquistar um alto desempenho, o candidato
precisa dominar as particularidades de cada um dos componentes da área: Língua
Portuguesa, Literatura, Artes, Educação Física, Tecnologias da Informação e
Comunicação (TICs) e Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol).
A seguir, educadores explicam como cada
disciplina é cobrada, indicam os temas mais recorrentes e compartilham
orientações práticas para otimizar os estudos na reta final de preparação.
LÍNGUA PORTUGUESA
A disciplina de Língua Portuguesa aparece de 28 a
30 questões, é o pilar da prova de Linguagens, permeando também a leitura das
demais disciplinas, exigindo do estudante uma visão estratégica e apurada. O
exame privilegia o uso prático do idioma em variados contextos comunicativos e
requer o domínio de conceitos essenciais para a compreensão discursiva.
Como avalia Thiago Silverio Barbosa, professor de
Língua Portuguesa da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP), o Enem testa a
capacidade de análise crítica: “Mais do que decorar regras gramaticais
isoladas, o aluno precisa entender como a língua funciona em situações reais. O
exame cobra aplicação prática, focando na dimensão discursiva, nas variações
linguísticas, nas funções da linguagem e nos recursos semânticos, como a
polissemia e a ambiguidade.”
Entre os conteúdos mais recorrentes na prova de
Língua Portuguesa, Barbosa destaca:
Interpretação e compreensão de textos: identificação de
ideias centrais, inferência de sentidos, coesão e coerência textual;
Gêneros e tipos textuais: análise da intenção
comunicativa de reportagens, crônicas, tirinhas, charges, propagandas e
infográficos;
Variações linguísticas: reconhecimento dos
registros formais e informais, além das variedades regionais, sociais,
situacionais e geracionais;
Análise sintática e semântica: aplicação prática de
concordância, regência, crase, pontuação e figuras de linguagem.
Para se dar bem na disciplina, o professor da
Escola Internacional de Alphaville recomenda: “Leia a pergunta antes de encarar
o texto de apoio. Identificar o comando central do enunciado permite que o
estudante faça uma leitura direcionada, economizando tempo e evitando o
desgaste mental ao longo da prova.”
LITERATURA
A abordagem da Literatura no Enem diferencia-se
de outros vestibulares tradicionais por não exigir a leitura obrigatória de uma
lista fixa de obras. No entanto, os textos literários surgem como rica fonte de
análise estética e reflexão sociocultural.
Segundo Thiago Silverio Barbosa, o exame valoriza
a relação entre arte e sociedade. “A literatura no Enem aparece de maneira
interdisciplinar, conectando autores consagrados e contemporâneos a temas como
desigualdade social, identidade nacional, crítica política e memórias
históricas. O candidato deve ser capaz de reconhecer estilos de época, recursos
expressivos e a função social das obras.”
Os principais tópicos e estilos cobrados em
Literatura incluem:
Modernismo: especialmente a
Primeira e a Segunda Geração, com autores como Mário de Andrade, Oswald de
Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e Graciliano Ramos;
Realismo e Naturalismo: obras de Machado de
Assis e Aluísio Azevedo focadas na crítica à elite e às mazelas sociais;
Literatura Contemporânea e Poesia: poemas modernos,
letras de canções da MPB e obras que retratam a diversidade de vozes e a
literatura-verdade;
Romantismo e Indianismo: a construção da
identidade nacional e o choque cultural entre diferentes povos.
O professor da EIA orienta que o estudo da
literatura seja focado no contexto: “Se não for possível ler os livros mais
citados na prova integralmente, o indicado é compreender o contexto histórico
de produção, os conflitos centrais, os perfis dos personagens e a crítica
social envolvida. Assistir a filmes, peças de teatro e ouvir podcasts sobre as
obras também ajuda na fixação, além de ler resumos sobre os livros.”
ARTES
Representada na prova por cerca de 05 questões
interdisciplinares que articulam texto e imagem, a disciplina de Artes exige
leitura visual e repertório cultural. O exame cobra a capacidade de interpretar
obras plásticas, manifestações cênicas e produções audiovisuais vinculadas a
seus contextos históricos.
De acordo com professor Cesar Garcia, da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), a disciplina requer
um olhar crítico e reflexivo. “A parte de Artes não avalia apenas se o aluno
conhece o nome do artista ou da obra, mas se ele entende o papel social e as
camadas de significação das obras de arte. As perguntas pedem que o estudante
identifique elementos como linha, forma, cor e composição, mas também perceba
como a obra dialoga, por exemplo, com questões de gênero, meio ambiente e
cidadania.”
Entre os temas de Artes com maior incidência na
prova, Garcia elenca:
Movimentos artísticos marcantes: vanguardas Europeias,
Renascimento, Barroco, Modernismo brasileiro e Arte Contemporânea;
Cultura afro-brasileira e indígena: valorização do
patrimônio cultural, artes plumárias, rituais e manifestações populares;
Linguagens artísticas: artes visuais
(pintura, escultura, gravura), artes cênicas (teatro, dança) e música;
Arte e Novas Tecnologias: instalações
multimídia, videoarte e recriações contemporâneas.
Como dica de ouro para gabaritar Artes, o
professor da Aubrick indica montar uma linha do tempo relacionando os
movimentos artísticos aos acontecimentos históricos de cada época. “Compreender
que movimentos de Arte e Design são reações da sociedade a mudanças de
paradigmas e eventos históricos é fundamental”, acrescenta.
EDUCAÇÃO FÍSICA
A inclusão da Educação Física na prova de
Linguagens costuma pegar muitos candidatos de surpresa pelo seu caráter teórico
e reflexivo. As questões, que costumam variar de 02 a 05 a cada ano, exploram a
cultura corporal de movimento como forma de linguagem e inserção social.
Como explica Gilberto Júnior, professor do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), o foco está na
análise crítica da sociedade: “O Enem não cobra regras de esportes ou nomes de
músculos, mas sim o papel social do corpo. O estudante precisa refletir sobre
assuntos como os padrões de beleza impostos pela mídia, a importância da
atividade física para a saúde e o esporte como ferramenta de inclusão.”
Segundo o professor de educação física, os
assuntos mais abordados na área de Educação Física costumam ser:
Cultura corporal e manifestações: danças, lutas, jogos
tradicionais, brincadeiras e modalidades esportivas;
Saúde e qualidade de vida: impactos do sedentarismo,
benefícios da prática corporal e relação com a saúde mental;
Mídia e padrões estéticos: a construção social
do corpo, estereótipos, pressão estética e a indústria do fitness;
Inclusão e acessibilidade: trajetórias de
atletas paralímpicos, adaptações esportivas e democratização do lazer.
Para garantir pontos valiosos nessa área,
Gilberto Júnior aconselha ao candidato associar o conteúdo a temas atuais e
políticas públicas. “Acompanhar notícias sobre grandes eventos esportivos,
debates sobre acessibilidade e saúde pública ajuda a construir a visão crítica
que a prova exige.”
TECNOLOGIAS DA
INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TICS)
As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs)
estão presentes no cotidiano dos estudantes e ganham cada vez mais espaço no
Enem devido às transformações digitais da sociedade. Tratam-se do conjunto de
recursos tecnológicos que trabalham juntos para criar, armazenar, enviar e usar
dados, como: a internet e a informática, computadores, dispositivos, softwares,
plataformas e aplicativos, os sistemas de telecomunicação e as redes sociais.
Para Tiessa Vilela Sanchez, especialista em
tecnologias educacionais do Brazilian
International School (BIS),
o letramento digital é a chave para acertar as questões, que variam de 02 a 04
a cada Enem. As perguntas avaliam como as ferramentas tecnológicas impactam as
relações humanas, a circulação de informações e as práticas de linguagem. “O
exame traz textos sobre o uso de redes sociais, algoritmos e inteligência
artificial para testar se o jovem consegue analisar criticamente o ambiente
virtual em que vive.”
Os tópicos mais recorrentes sobre TICs na prova
incluem, segundo a docente:
Mídias digitais e redes sociais: dinâmicas de
engajamento, cultura dos memes e impacto dos influenciadores na saúde mental;
Desinformação e checagem: mecanismos de
propagação de fake news, manipulação de imagens e importância do
letramento midiático;
Tecnologia e sociedade: inteligência
artificial, algoritmos, privacidade online, segurança de dados e exclusão
digital;
Novas linguagens virtuais: a evolução da escrita
na internet, uso de emojis e o papel das plataformas na democratização da
informação.
Tiessa ressalta a principal estratégia para este
bloco da prova: “Mais do que decorar conceitos, o importante é saber analisar
situações, interpretar informações e dados e refletir sobre como a tecnologia
pode trazer benefícios, mas também desafios e responsabilidades para a sociedade.”
LÍNGUA ESTRANGEIRA
(INGLÊS OU ESPANHOL)
A parte de Língua Estrangeira tem 05 questões de
Inglês ou Espanhol. O aluno escolhe no momento da inscrição para o Enem qual
idioma quer responder no dia da prova. As perguntas avaliam a capacidade do
candidato de compreensão leitora e a inferência de sentidos.
Segundo Bruna Carmo, professora de inglês do
colégio Progresso Bilíngue de Campinas (SP), a prova testa a leitura em contexto. “O
Enem não exige um domínio gramatical exaustivo, mas sim a capacidade de ler um
texto original e compreender sua ideia central e nuances socioculturais.”
Bruna lista os conteúdos mais cobrados e os
cuidados necessários em cada idioma:
Inglês: leitura de textos curtos
(notícias, campanhas, poemas e letras de música), identificação de conectivos (however,
therefore, although), uso de phrasal verbs e expressões
idiomáticas;
Espanhol: compreensão do
sentido global do texto, atenção redobrada aos falsos cognatos (embarazada,
oficina, exquisito) e reconhecimento de marcas de heterogeneidade
cultural dos países hispânicos;
Temas transversais: para ambos os
idiomas, os textos de apoio abordam diversidade, meio ambiente, direitos
humanos, inclusão e tecnologia.
Bruna avisa sobre a maior armadilha da prova: “No
Espanhol, a semelhança com o Português pode levar a falsas inferências. Não
confie apenas na intuição. E tanto para Inglês como para o Espanhol, leia o
enunciado em português primeiro para saber exatamente qual informação procurar
no texto em língua estrangeira, e assim ter mais chances de acertar a
resposta.”
O ENEM
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi
instituído em 1998 e tornou-se a principal porta de entrada para a universidade
no Brasil. A prova permite o acesso a programas públicos educacionais como o
Prouni (Programa Universidade para Todos), Sisu (Sistema de Seleção Unificada)
e Fies (Fundo de Financiamento Estudantil); além de muitas universidades
privadas, inclusive no exterior, usarem os resultados do exame em substituição
aos vestibulares tradicionais.
O Enem é aplicado em dois domingos seguidos em locais
de aplicação por todos as regiões do território nacional. Em 2026, as provas
acontecem em 8 e 15 de novembro. Foram registrados para esta edição 5.055.818
de inscritos, alta de 5,08% em relação a 2025, e maior número de participantes
confirmados desde 2020.
No primeiro dia, os candidatos farão as provas de
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (45 questões de Língua Portuguesa,
Literatura, Língua Estrangeira/Inglês ou Espanhol, Artes e Educação Física),
Ciências Humanas e suas Tecnologias (45 questões de História, Geografia,
Filosofia e Sociologia) e a Redação. No segundo dia, é a vez das provas de
Ciências da Natureza e suas Tecnologias (45 questões de Biologia, Química e
Física) e Matemática e suas Tecnologias (45 questões de Matemática).
Podem participar do Enem pessoas que estejam
cursando (como “treineiros”), que já concluíram, ou que estejam concluindo o
Ensino Médio. É possível ainda usar o resultado do Enem para obter o
certificado de conclusão dos estudos, contanto que o participante tenha 18 anos
completos na data da primeira prova, e alcançar ao menos 450 pontos em cada
área do conhecimento e 500 pontos na redação.
Bruna Carmo - linguista pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com trajetória dedicada à educação bilíngue nos Ensinos Fundamental e Médio. Atualmente, atua como professora de English B no currículo International Baccalaureate (IB), conectando o ensino da língua inglesa à formação global, autônoma e reflexiva dos estudantes.
Cesar Garcia - bacharel e licenciado em artes plásticas com especialização em arte contemporânea e novas tecnologias. Foi artista residente do programa LABMIS do Museu da Imagem e do Som (MIS-SP) e contemplado pelo edital ProAC da Secretaria de Cultura (Governo do Estado de São Paulo). Desde 2012 atuou como técnico de fabricação digital e prototipagem e educador maker em diversas instituições de renome. Na Aubrick, atua como professor bilíngue das disciplinas do currículo Cambridge: Design & Technology e Art & Design e das disciplinas STEAM e Artes do currículo nacional.
Gilberto Júnior - atua há mais de com 40 anos nas áreas de Educação e Educação Física. É mestre em Psicobiologia pela Universidade Federal de São Paulo e em Educação Física pela Universidade de São Paulo. Psicomotricista clínico com formação na França, foi o primeiro árbitro da história do Brasil a ser convocado para os Jogos Olímpicos de Atenas 2004; trabalhou nos Estados Unidos, no Cirque du Soleil, como treinador das crianças do Show “Love”; a participou de mais de 10 campeonatos mundiais e copas do mundo de ginástica artística como treinador e árbitro. É professor do Brazilian International School – BIS.
Thiago Silvério Barbosa - doutorando e mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde atuou como bolsista CAPES, e graduado em Letras pela mesma instituição. Com 16 anos de experiência docente, atualmente leciona Língua Portuguesa e Convivência Ética na Escola Internacional de Alphaville. Sua trajetória é marcada pela versatilidade pedagógica, incluindo passagens por cursos pré-vestibulares e preparatórios para o Enem. No campo da pesquisa, integra o grupo "Psicanálise e Teoria Crítica: Teorias da Subjetivação" (CEBRAP/Núcleo Direito e Democracia). Complementando sua formação interdisciplinar, possui especialização em Psicanálise e Análise do Cotidiano pela PUC-SP, além de formação clínica em Psicanálise.
Tiessa Sanchez - educadora e especialista em Tecnologia da Informação, Pedagogia e Gestão Escolar (USP), com experiência na área da educação e tecnologia. Atualmente, atua como professora de Maker e Tecnologia Educacional, conectando criatividade, ciência, tecnologia e aprendizagem prática em projetos que ajudam os estudantes a desenvolver o pensamento crítico, a resolução de problemas e a autonomia. Apaixonada por educação e inovação, acredita que a tecnologia vai muito além de dispositivos e ferramentas: ela é uma forma de criar, transformar ideias e encontrar soluções para os desafios do mundo.
International Schools Partnership - ISP
Para mais informações, acesse o site.
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