Desconfiança com o uso de softwares de seleção passa dos 90% entre
os profissionais que têm mais de 10 anos de carreira
Uma onda de ansiedade aguda entre profissionais que se
sentem desumanizados pelos algoritmos
Envato
O mercado de recrutamento e seleção no Brasil consolidou de vez o uso da Inteligência Artificial em 2026. Se por um lado a tecnologia trouxe velocidade para as empresas, por outro disparou um alerta vermelho na saúde mental dos trabalhadores. As tradicionais dinâmicas em grupo deram lugar a telas frias e softwares que analisam desde palavras-chave no currículo até microexpressões faciais em vídeos de poucos minutos. O resultado? Uma onda de ansiedade aguda entre profissionais que se sentem desumanizados pelo algoritmos.
Uma
pesquisa inédita realizada pela Heach Recursos Humanos acende o debate sobre o
limite da automação. Segundo o levantamento, 71,4% dos profissionais acreditam
que podem ser eliminados de forma injusta por algoritmos, enquanto 23,9%
confiam plenamente nas decisões tomadas por robôs.
O desconforto com a
“robotização” do emprego é ainda mais acentuado entre os profissionais mais
experientes. Entre
candidatos com mais de 10 anos de carreira, o índice de desconfiança em
processos iniciados por IA atinge impressionantes 91,2%. O número cai para
79,5% entre jovens com até 2 anos de experiência, evidenciando que, embora os
nativos digitais tolerem melhor a tecnologia, a rejeição ainda é majoritária.
A ansiedade aguda
se manifesta antes mesmo do clique no botão “iniciar gravação”. Candidatos
passam horas treinando sorrisos artificiais, postura corporal rígida e tons de
voz milimetricamente calculados para não serem descartados pelo crivo
automatizado. “O que estamos testemunhando é a inversão do papel da tecnologia.
A IA deveria liberar o RH para ser mais humano, mas está exigindo que os
humanos ajam como máquinas para serem aprovados”, afirma Luciane Rabello,
psicóloga, especialista em RH e fundadora da TalentSphere
People Solutions.
“O candidato não foca mais em demonstrar sua competência técnica ou fit cultural, ele foca em não falhar diante do sensor de microexpressões. Isso gera um esgotamento psicológico prévio e uma sensação profunda de desumanização”, complementa a especialista.
Os dados da
Heach detalham o impacto subjetivo nas entrevistas conduzidas por inteligência
artificial. Para 77,8% dos entrevistados, a sensação é de menor valorização
profissional, e 69,3% apontam franca dificuldade de se expressar genuinamente
diante de um software. Existe, contudo, uma contradição mercadológica: 57,1%
reconhecem que as etapas automatizadas são mais rápidas, o que escancara o
conflito direto entre a busca corporativa por eficiência e a qualidade da
interação humana. No fim do dia, o saldo é amargo: apenas 21,4% relatam ter tido
uma experiência positiva com IA em entrevistas.
Essa quebra de
expectativa tem feito o mercado perder talentos antes mesmo da avaliação humana.
A pesquisa mostra que quase metade dos candidatos (47,3%) já abandonou
processos seletivos por falta de confiança no sistema, associando o desconforto
diretamente ao excesso de automação.
Para a
especialista, o cenário de 2026 exige uma correção de rota urgente por parte
das organizações. O uso cego da tecnologia sem um colchão de segurança
humanizado pode criar ambientes corporativos baseados no medo desde a
contratação. “A automação não vai retroceder, mas as empresas precisam entender
que a Inteligência Artificial deve ser um filtro de suporte, nunca o veredito
final”, alerta Luciane Rabello.
“Se o processo
seletivo adoece o candidato antes mesmo dele entrar na empresa, a cultura
organizacional já começa quebrada. O RH do futuro precisa resgatar a escuta
ativa e a empatia, sob o risco de afastar os melhores profissionais, que
simplesmente recusam ser avaliados por uma máquina”, conclui ela.
TalentSphere
– Impulsionando Talentos e Negócios para além das fronteiras
Na interseção
entre talento e estratégia, a TalentSphere se destaca como uma solução inovadora em gestão de
talentos multiculturais e negócios, com presença no Brasil e na Espanha.
Liderada por Luciane Rabello, psicóloga, docente e especialista em gestão de
pessoas e multiculturalismo, a TalentSphere nasce da convergência entre
conhecimento acadêmico, sólida experiência internacional e mais de 20 anos de
atuação em Gestão estratégica de pessoas em empresas globais como Red Bull,
Adidas, Palfinger Group e Siemens Energy. Com um olhar estratégico para a
diversidade cultural e o potencial humano, a TalentSphere apoia organizações na
construção de culturas de alta performance através do mindset diverso. Nossa
expertise está em conectar resultados e talentos a partir da
multiculturalidade.
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