sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Dor crônica: quando a cetamina pode ser considerada no tratamento

A dor crônica é definida como aquela que persiste por mais de três meses, ou que permanece mesmo após um mês da resolução da lesão que a originou. Segundo o psiquiatra Dr. José Giocondo Guerra, fundador da Clínica Minerva, ela costuma indicar uma disfunção no sistema nervoso ou nas fibras nervosas da região afetada, e está frequentemente associada a condições como artrose, fibromialgia ou dor oncológica. 

A dor crônica pode ser classificada em três tipos: nociceptiva ou somática, causada por lesão ou inflamação dos tecidos; neuropática, decorrente de disfunção do sistema nervoso; e mista, quando reúne características das duas anteriores ou tem origem não totalmente esclarecida. 

Entretanto, o tratamento varia de acordo com o tipo e a intensidade do quadro, podendo envolver medicação, infiltrações, fisioterapia e, em casos mais graves, cirurgia. Quando essas abordagens não trazem alívio suficiente, a cetamina pode ser considerada como parte do plano terapêutico, sempre após avaliação médica individualizada.

 

COMO A CETAMINA ATUA

A cetamina é um antagonista dos receptores NMDA (N-metil-D-aspartato) e pode ter efeito sedativo ou analgésico, a depender da dose administrada. Ela também interage com receptores opioides e tem outras ações que podem contribuir para o efeito analgésico, como propriedades anti-inflamatórias e interação com canais de cálcio, potássio e sódio, além das vias descendentes de inibição da dor.

 

SUPERVISÃO MÉDICA E EFEITOS OBSERVADOS

Por atuar diretamente no sistema nervoso central, a administração de cetamina exige acompanhamento médico durante todo o procedimento. Por isso, a Clínica Minerva realiza o procedimento com monitorização multiparamétrica contínua, bombas de infusão de precisão para controle rigoroso de dose e velocidade, protocolos clínicos padronizados, equipe treinada para intercorrências e infraestrutura dedicada a procedimentos assistidos. 

Para o Dr. Giocondo, o ponto central é que a indicação nunca é genérica.

“A cetamina não é um tratamento de prateleira. A indicação depende do histórico de cada paciente, do que já foi tentado antes e de uma avaliação criteriosa sobre riscos e benefícios. Quando bem indicada e aplicada em ambiente controlado, pode ser uma ferramenta a mais no manejo de casos que não respondem ao tratamento convencional”, afirma o Dr. Giocondo. 

 

DR. José Giocondo - médico psiquiatra, CRM-SP 175925, RQE 92858, especialista em Psiquiatria (adulto e infância/adolescência). Formado em Medicina pela Unicamp, com residência em Psiquiatria pela Unifesp, especialização em Psiquiatria da Infância e Adolescência (Einstein), mestrado em Neurociências pelas universidades do Minho e de Coimbra (Portugal) e doutorado em andamento pela USP. É fundador da Clínica Minerva e integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.


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