A
ansiedade para mobiliar o imóvel leva muitos consumidores a adquirir peças
incompatíveis com o espaço. A especialista orienta como planejar medidas,
circulação e funcionalidade antes de investir em móveis e decoração.
Depois de comprar ou reformar um
imóvel, é comum surgir a ansiedade para deixá-lo pronto o quanto antes. Na
tentativa de acelerar esse processo, muitas pessoas começam a adquirir sofás,
mesas, camas e outros móveis antes mesmo de definir o projeto de interiores. O
problema é que uma peça bonita na loja pode não funcionar quando chega em casa,
seja por causa das medidas, da circulação ou da própria composição do ambiente.
Segundo a designer de interiores
Izabella Biancardine, especialista em iluminação, psicologia das cores e
acompanhamento de obras, esse é um dos erros mais comuns de quem deseja decorar
a casa sem planejamento. "A pessoa se apaixona por um móvel, compra porque
acha bonito e só depois percebe que ele ocupa espaço demais, impede a
circulação ou não conversa com o restante do ambiente. O projeto precisa vir
antes justamente para evitar decisões que comprometam o resultado final",
explica.
Um dos principais problemas está nas
medidas. Um sofá muito grande pode reduzir a área de circulação da sala,
enquanto uma mesa de jantar desproporcional pode dificultar a movimentação das
pessoas. Em quartos, camas e armários mal dimensionados também podem
comprometer a abertura de portas, gavetas e até mesmo o conforto para transitar
pelo espaço.
A circulação é outro aspecto que
precisa ser considerado. Não basta verificar se o móvel cabe fisicamente no
ambiente; é necessário avaliar se existe espaço suficiente para que as pessoas
se movimentem com conforto. "Cada centímetro faz diferença, principalmente
em apartamentos menores. O móvel precisa caber no espaço e, ao mesmo tempo,
permitir que a casa continue funcionando. Quando isso não é pensado antes, o
morador acaba adaptando a rotina ao mobiliário", afirma Izabella.
Além das dimensões, a compra antecipada
pode dificultar a definição do restante da decoração. Cores, materiais,
iluminação e outros elementos precisam conversar entre si para criar um
ambiente equilibrado. Quando uma peça é escolhida isoladamente, ela pode acabar
determinando todo o projeto ou obrigando o proprietário a fazer novas compras
para tentar harmonizar o espaço.
Para a especialista, o planejamento
também ajuda a definir prioridades e evitar gastos desnecessários. Com o
projeto em mãos, é possível entender quais móveis realmente são necessários,
quais medidas devem ser respeitadas e onde vale investir mais. "Decorar
não é simplesmente preencher os espaços vazios. É pensar em como cada elemento
vai funcionar junto dos outros e, principalmente, como as pessoas vão viver
naquele ambiente", destaca.
Por isso, antes de comprar qualquer
móvel, a recomendação é medir o espaço, avaliar a circulação e definir as
necessidades da rotina. O planejamento permite que as escolhas sejam feitas de
maneira mais consciente, evitando peças que, apesar de bonitas individualmente,
não funcionam quando inseridas no conjunto da casa.
"Um bom projeto não impede o
cliente de escolher o que gosta. Pelo contrário, ele ajuda a encontrar a melhor
forma de inserir essas escolhas no ambiente. Quando existe planejamento, o
móvel deixa de ser uma compra isolada e passa a fazer parte de uma casa pensada
para ser bonita, confortável e funcional", conclui Izabella.
Fonte: Izabella Biancardine - designer de interiores,
especialista em iluminação, psicologia das cores e acompanhamento de obras.
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