segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Canetas emagrecedoras exigem atenção antes de cirurgias e anestesia

Hospital Sapiranga orienta pacientes a informar o uso dos medicamentos antes de procedimentos 

 

O avanço das chamadas “canetas emagrecedoras” mudou a rotina de muitos pacientes e também trouxe novos cuidados para dentro dos centros cirúrgicos. Medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro podem interferir no esvaziamento do estômago e, por isso, precisam ser informados à equipe médica antes de cirurgias e procedimentos com anestesia ou sedação. 

A principal preocupação é a possibilidade de permanecer conteúdo no estômago mesmo após o período habitual de jejum. Durante uma anestesia geral ou sedação profunda, esse material pode retornar para o esôfago e ser aspirado para os pulmões, aumentando o risco de complicações. 

“A principal preocupação não é uma interação direta entre a medicação e o anestésico, mas o aumento potencial do risco de regurgitação e aspiração pulmonar. Por isso, é muito importante que o paciente informe antecipadamente o uso dessas medicações”, explica o médico anestesista do Hospital Sapiranga, Dr. Anderson Kieling. 

As recomendações atuais não indicam mais a suspensão automática desses medicamentos para todos os pacientes. A avaliação deve ser individualizada e considerar fatores como medicamento, dose, frequência de uso, fase do tratamento, presença de sintomas gastrointestinais, condições clínicas e tipo de procedimento. Diretrizes recentes de sociedades de anestesiologia também reforçam essa abordagem baseada no risco. 

Pacientes que estão iniciando o tratamento ou aumentando a dose merecem atenção especial, assim como aqueles que apresentam náuseas, vômitos, distensão abdominal, constipação importante ou sensação de digestão lenta. 

Em situações de maior risco, a equipe poderá adotar medidas como alteração da alimentação nas 24 horas anteriores ao procedimento, adequação do jejum, ajustes na técnica anestésica e, quando indicado e disponível, ultrassom gástrico. Em alguns casos, o procedimento poderá ser adiado. 

“A orientação é não suspender nem deixar de aplicar a próxima dose por conta própria. O paciente deve informar qual medicamento utiliza, a dose, quando fez a última aplicação, há quanto tempo está em tratamento e se apresenta algum sintoma gastrointestinal. A decisão deve ser tomada de forma individualizada pela equipe médica”, orienta o médico. 

A informação antecipada também pode evitar que uma cirurgia precise ser suspensa somente no momento da chegada ao hospital. Além do impacto para o paciente e seus familiares, o cancelamento interfere em toda uma estrutura previamente organizada para o procedimento. 

Para quem utiliza esses medicamentos no controle do diabetes, a interrupção sem orientação também pode causar alterações na glicemia. Por isso, a definição sobre manter ou suspender a medicação deve ser feita pelo anestesista em conjunto com o cirurgião e, quando necessário, com o médico responsável pelo tratamento. 

A orientação do Hospital Sapiranga é que o paciente informe o uso das chamadas canetas emagrecedoras já durante a preparação para a cirurgia, permitindo que a equipe avalie os riscos e organize o procedimento com segurança.

 

Marcelo Matusiak

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário