Público respondeu por 38% das novas conexões em nove anos; idade não explica sozinha o risco, mas falso sequestro, INSS e falsas centrais mostram como relações de confiança viram porta de entrada para fraudes.
O Brasil ganhou 20,1 milhões de internautas com 60 anos ou mais em
nove anos. Hoje, são 26,6 milhões conectados — 1 em cada 6
usuários de internet no país —, segundo levantamento da Nexus – Pesquisa e
Inteligência de Dados, com base na PNAD Contínua do IBGE. A idade, sozinha, não
determina quem cai em uma fraude. Mas banco, Pix, aposentadoria, WhatsApp,
compras e serviços públicos passaram a dividir espaço no mesmo celular, abrindo
caminho para golpes que imitam situações conhecidas desse público.
Pode ser uma falsa prova de vida, uma central bancária que sabe o
nome do cliente, um advogado que cita um processo verdadeiro ou uma ligação
simulando o sequestro de alguém da família. Para Wilder
Martins, CISO e Head de Tecnologia da EXA, é justamente essa
combinação entre informação verdadeira e identidade falsa que torna algumas
abordagens eficientes.
“O fraudador tenta reproduzir uma relação que já é confiável para
aquela pessoa. Pode ser o banco que ela usa há anos, o benefício que recebe, um
advogado ou alguém da família. E ele não precisa inventar tudo: pode usar dados
verdadeiros para sustentar uma identidade falsa. Em segurança, conhecer seus
dados não significa provar quem está do outro lado.”
A frequência dessas tentativas é alta. Auditoria do Tribunal de
Contas da União (TCU), com quase 1,5 mil participantes 60+ ou seus
representantes, apontou que 51% recebem todos os dias mensagens ou ligações
suspeitas de golpe.. Dados da Federal Trade Commission (FTC),
nos Estados Unidos, mostram também que algumas fraudes têm comportamento
particular entre os mais velhos. Pessoas com 60 anos ou mais aparecem em maior
proporção entre as vítimas que relatam perdas com falso suporte
técnico, personificação de órgãos públicos, falsos prêmios e fraudes afetivas.
Quando há prejuízo, os valores tendem a ser maiores.
O golpe começa antes do Pix
Para Wilder Martins, concentrar a prevenção apenas na hora do
pagamento deixa de fora boa parte da fraude. O especialista chama de “jornada
do golpe” a sequência que começa com a isca, passa pela construção de confiança
e pela pressão para agir logo e termina no clique, entrega de um código ou
movimentação financeira. “Golpe de engenharia social funciona como uma cadeia.
Primeiro vem uma história que faça sentido, depois um elemento que dê
credibilidade e, em seguida, a urgência para reduzir o tempo de checagem. O Pix
normalmente está no final desse processo. Se a prevenção começa somente na hora
de pagar, ela começa tarde.”
Um exemplo recente veio do próprio INSS, que voltou a alertar
aposentados e pensionistas sobre mensagens falsas que ameaçavam suspender
benefícios por suposta falta de atualização da prova de vida. Além disso, a
Inteligência Artificial tornou ainda mais fácil produzir textos, páginas,
imagens e vozes convincentes. Para Wilder, isso muda o tipo de verificação que
o usuário precisa fazer.
“A IA reduz o custo de produzir uma fraude personalizada. Texto
sem erro, página bem-feita ou até uma voz conhecida deixaram de ser boas provas
de legitimidade. A checagem precisa sair da aparência e ir para a origem: quem
iniciou o contato e por que está tentando me fazer agir agora?”
Como interromper a jornada do golpe
Para quem tem 60+ e administra sozinho conta no banco,
compras e serviços digitais:
- Não resolva uma urgência pelo mesmo canal em que ela
apareceu. Recebeu ligação do banco? Abra o
aplicativo dele. Veio mensagem sobre benefícios? Entre no Meu INSS por
conta própria.
- Não use seus próprios dados como prova de identidade do
interlocutor. Saber seu CPF, banco ou detalhes
de um processo não comprova que o contato é legítimo.
- Antes de clicar ou pagar, crie uma pausa. Pressão para decidir imediatamente é parte recorrente da
engenharia social.
Para familiares:
- Combine antes um canal de segunda checagem. Um telefonema ou mensagem para um contato conhecido pode ser
suficiente para desmontar um falso sequestro ou pedido de dinheiro.
- Evite assumir o controle da vida digital da pessoa. O objetivo é criar uma rota simples de confirmação para
situações fora do comum.
- quando surgir uma nova modalidade de golpe, avise a família
ou o círculo próximo. Conhecer
previamente o roteiro reduz o efeito surpresa quando a abordagem chega.
“A família funciona melhor como segunda camada de verificação do
que como vigilância. A regra pode ser simples: uma situação inesperada pede uma
segunda conexão. Não confirme uma história pelo mesmo canal que trouxe a
história. Aqui na EXA criamos a EVA, agente de Inteligência
Artificial via WhatsApp que analisa mensagens, links, QR Codes, códigos Pix e
outros conteúdos suspeitos antes da interação ou transferência. É uma forma gratuita
da população em geral, saber se está sendo vítima de um golpe, resume Wilder.
EXA - companhia brasileira de
cibersegurança especializada na prevenção de golpes e fraudes digitais.
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