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terça-feira, 29 de setembro de 2026

ANVISA APROVA NOVA OPÇÃO PARA ENXAQUECA QUE PODE SER USADA TANTO NA CRISE QUANTO NA PREVENÇÃO

 Neurologista Dr. Saulo Nader, o Doutor Tontura, explica como o rimegepanto atua na via do CGRP e por que a chegada dos gepantes amplia as possibilidades de tratamento para quem convive com crises incapacitantes

 

Dor que começa de um lado da cabeça, sensibilidade intensa à luz, náusea, necessidade de interromper o trabalho e se trancar em um quarto escuro. Para quem sofre com enxaqueca, uma crise pode significar horas - e algumas vezes dias - longe da rotina, da família e das atividades profissionais.

Uma nova opção acaba de ampliar o arsenal disponível no Brasil.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Nurtec ODT, cujo princípio ativo é o rimegepanto, medicamento indicado para adultos tanto no tratamento agudo da enxaqueca, com ou sem aura, quanto na prevenção da enxaqueca episódica em pacientes com pelo menos quatro crises mensais.

Para o Dr. Saulo Nader, médico neurologista conhecido como Doutor Tontura, a aprovação representa mais uma etapa importante na evolução do tratamento de uma doença que pode comprometer profundamente a qualidade de vida.

“A enxaqueca é, sem dúvida, uma das doenças que mais incapacitam os pacientes. Eu vejo pessoas brilhantes vivendo com medo constante e paralisante da próxima crise, perdendo produtividade e momentos preciosos com a família”, afirma o neurologista.


POR QUE FOI PRECISO BUSCAR NOVOS TRATAMENTOS?

Durante décadas, explica Dr. Saulo Nader, o tratamento das crises ficou concentrado principalmente no uso de analgésicos e, posteriormente, em medicamentos específicos como os triptanos.

O problema do uso frequente de analgésicos é que ele próprio pode contribuir para outro quadro: a chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos.

“Quando a pessoa usa analgésicos com muita frequência, pode entrar em um ciclo em que o próprio uso repetido da medicação passa a contribuir para novas dores de cabeça. É um ciclo muito difícil para o paciente”, explica o médico.

Os triptanos representaram um avanço importante no tratamento da enxaqueca, mas possuem limitações e contraindicações para determinados pacientes, especialmente em algumas condições cardiovasculares.

“Era necessário desenvolver medicamentos cada vez mais direcionados à própria biologia da enxaqueca, atuando de maneira específica nas vias relacionadas à crise”, ressalta Dr. Saulo Nader.


CGRP: UMA DAS CHAVES PARA ENTENDER A ENXAQUECA

É justamente nesse ponto que entra o CGRP - peptídeo relacionado ao gene da calcitonina.

Essa molécula participa de mecanismos envolvidos na transmissão da dor e na fisiopatologia da enxaqueca.

Segundo o neurologista, compreender o papel do CGRP permitiu desenvolver medicamentos voltados especificamente para essa via.

“O que a ciência passou a entender melhor é que, durante a crise, existe participação importante do CGRP na cascata relacionada à dor da enxaqueca. A partir daí, foi possível criar tratamentos capazes de bloquear essa via de maneira muito mais específica”, explica o médico.

O rimegepanto pertence ao grupo dos gepantes, medicamentos que atuam como antagonistas do receptor de CGRP.

“O medicamento funciona como uma espécie de escudo nesses receptores. Ele impede que o CGRP exerça sua ação naquela via e, dessa maneira, interfere em uma etapa importante do mecanismo da crise”, compara Dr. Saulo Nader.

Para o neurologista, essa especificidade representa uma das principais diferenças em relação a tratamentos mais antigos.

“Em vez de utilizar apenas um analgésico genérico para tentar controlar a dor, passamos a ter uma medicação desenhada para atuar em um mecanismo relacionado diretamente à enxaqueca.”


UM MESMO MEDICAMENTO PARA A CRISE E PARA A PREVENÇÃO

Uma das características destacadas pelo médico é justamente a dupla indicação.

O rimegepanto pode ser utilizado para o tratamento agudo de uma crise já iniciada e também, quando indicado pelo neurologista, para a prevenção da enxaqueca episódica.

A própria Anvisa aprovou as duas indicações para adultos; no uso preventivo, a indicação registrada contempla pacientes com pelo menos quatro crises mensais.

“Isso traz uma versatilidade importante. Estamos falando de uma mesma molécula que pode participar tanto do manejo da crise quanto de uma estratégia preventiva, dependendo do perfil e da indicação de cada paciente”, ressalta Dr. Saulo Nader.


COMPRIMIDO QUE SE DISSOLVE NA BOCA

Outro diferencial é a apresentação orodispersível.

O comprimido é colocado sobre a língua e se dissolve na boca, sem necessidade de água.

Para quem sofre com enxaqueca, essa característica pode fazer diferença porque náuseas e vômitos são sintomas frequentes durante as crises.

“Imagine o paciente que está em uma crise intensa, com muita náusea ou até vomitando. Ter uma formulação que se dissolve na boca, sem precisar tomar o comprimido acompanhado de água, pode facilitar muito a administração naquele momento”, explica o médico.


UMA ALTERNATIVA QUE NÃO AGE POR VASOCONSTRIÇÃO

Dr. Saulo Nader também chama atenção para outra característica dos gepantes: eles não tratam a enxaqueca por meio do mesmo mecanismo vasoconstritor associado aos triptanos.

“Esse é um ponto muito relevante dessa nova classe. O mecanismo está ligado ao bloqueio da via do CGRP, e não à vasoconstrição generalizada”, ressalta o neurologista.

Isso não significa, entretanto, que o medicamento possa ser utilizado indiscriminadamente.

“É uma medicação que precisa de indicação médica. Cada paciente tem histórico clínico, outras doenças, outros medicamentos em uso e uma frequência diferente de crises. A escolha precisa ser individualizada”, reforça Dr. Saulo Nader.


O TRATAMENTO DA ENXAQUECA NÃO SE RESUME A UM ÚNICO REMÉDIO

Apesar do entusiasmo com novas opções terapêuticas, o neurologista ressalta que não existe um tratamento único que sirva para todas as pessoas.

Hoje, diferentes estratégias podem fazer parte do manejo da enxaqueca, incluindo medicamentos para as crises, tratamentos preventivos, toxina botulínica em situações específicas, anticorpos monoclonais direcionados à via do CGRP e outras abordagens indicadas conforme o perfil do paciente.

“Não existe uma receita única. Nós temos um grupo cada vez maior de tratamentos e o papel do neurologista é entender a frequência das crises, o impacto na vida do paciente, as doenças associadas e aquilo que já foi tentado para definir a melhor estratégia”, explica o médico.


NÃO É PRECISO SE CONFORMAR COM CRISES INCAPACITANTES

Para Dr. Saulo Nader, um dos principais recados da aprovação é lembrar ao paciente que o tratamento da enxaqueca evoluiu.

“A pessoa não precisa simplesmente aceitar que vai perder vários dias do mês por causa da dor ou continuar insistindo em um tratamento que deixou de funcionar. Vale conversar abertamente com o neurologista sobre a frequência das crises e sobre o impacto real que elas causam no trabalho, na família e na qualidade de vida”, reforça.

A atualização do tratamento, entretanto, deve sempre acontecer em consulta médica.

“A medicina está ganhando novas ferramentas. O mais importante é utilizá-las com indicação correta, entendendo quem realmente pode se beneficiar de cada uma delas”, conclui Dr. Saulo Nader. 



Fonte: Dr. Saulo Nader - médico neurologista conhecido como Doutor Tontura @doutortontura, com atuação em tontura, vertigem, desequilíbrios e neurologia. Site: https://www.neurologiaepsiquiatria.com.br/


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