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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Além da quimioterapia: novas estratégias ampliam possibilidades no tratamento do câncer de mama triplo-negativo

 Subtipo representa entre 10% e 15% dos casos de câncer de mama4 e reforça a importância da avaliação individualizada, da compreensão da jornada da paciente e do acesso à informação de qualidade 

 

O avanço no conhecimento sobre a biologia do câncer de mama triplo-negativo vem ampliando as estratégias de tratamento para esse subtipo da doença. Além da quimioterapia, dependendo das características de cada caso, hoje podem ser consideradas abordagens como imunoterapia, terapias direcionadas a grupos específicos de pacientes e anticorpos conjugados a medicamentos, os ADCs⁵. Nesse cenário, a avaliação individualizada e a escolha da primeira linha de tratamento ganham relevância na definição do cuidado. 

Esse foi um dos principais temas discutidos no encontro “Câncer de mama triplo-negativo: o que está mudando no tratamento e por que isso importa para as pacientes brasileiras?”, realizado em São Paulo, que reuniu o oncologista Antonio Carlos Buzaid, Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, e Elisangela Moreira, diagnosticada com câncer de mama triplo-negativo aos 37 anos. A conversa abordou diagnóstico, evolução do tratamento, individualização do cuidado, qualidade de vida, acesso à informação e os desafios enfrentados pelas pacientes ao longo dessa jornada. 

O tema ganha relevância em um contexto de alta incidência da doença no país. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer, o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano1 no triênio 2026–2028. Excluindo os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as brasileiras e corresponde a cerca de 30% dos novos casos estimados na população feminina1. Em 2024, foram registradas 20.849 mortes por câncer de mama2 no país, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer/SIM. 

Apesar da relevância do tema, ainda existem lacunas importantes de informação. Uma pesquisa Datafolha encomendada pela Gilead Oncology, em 2023, com 1.007 mulheres de 25 a 65 anos, de todas as regiões do país, mostrou que 69% das entrevistadas se consideram bem-informadas sobre câncer de mama. No entanto, apenas 11% conseguiram mencionar algum tipo de tumor de mama ou estágio da doença. O levantamento também mostrou que 16% acreditavam que todos os cânceres de mama eram iguais3. 

“Quando falamos em câncer de mama, é importante entender que não estamos diante de uma doença única. Existem diferentes subtipos, com características biológicas próprias, e essa identificação é fundamental para orientar a avaliação clínica e as possibilidades de tratamento de cada paciente”, afirma Dr. Antonio C. Buzaid, Diretor Médico Geral dos Centros de Oncologia dos Hospitais Nove de Julho e Samaritano Higienópolis, da Rede Américas. 

Entre os subtipos do câncer de mama está o câncer de mama triplo-negativo, que representa cerca de 10% a 15% dos casos4. O nome decorre da ausência de três características utilizadas na classificação do tumor: receptor de estrogênio, receptor de progesterona e superexpressão de HER24. Por isso, tratamentos hormonais e terapias direcionadas ao HER2 não se aplicam da mesma forma a esses tumores4. 

Historicamente, o câncer de mama triplo-negativo está associado a um comportamento mais agressivo e a maiores desafios terapêuticos do que alguns outros subtipos. Quando a doença se torna metastática, ou seja, quando células originadas na mama atingem órgãos ou tecidos distantes, como ossos, fígado, pulmões ou cérebro, a definição da estratégia inicial de tratamento torna-se ainda mais relevante. 

Nesse cenário, a inovação tem desempenhado um papel importante na evolução do tratamento do câncer de mama triplo-negativo. O maior conhecimento sobre a biologia da doença e a identificação de novas estratégias terapêuticas vêm permitindo abordagens cada vez mais individualizadas, que consideram as características do tumor e de cada paciente. 

A estratégia terapêutica passou, assim, a incorporar diferentes possibilidades. Além da quimioterapia e, dependendo das características de cada caso, podem ser consideradas abordagens como imunoterapia, terapias direcionadas a grupos específicos de pacientes e anticorpos conjugados a medicamentos, os ADCs5. 

A definição do tratamento considera uma combinação de fatores, como características do tumor, presença de biomarcadores, tratamentos já realizados, condição clínica da paciente, benefícios e riscos das diferentes estratégias e possíveis impactos na qualidade de vida. Nesse planejamento, a definição da primeira linha é especialmente relevante, já que pode influenciar as possibilidades consideradas nas etapas seguintes do cuidado6. 

“No câncer de mama metastático, a escolha da primeira linha de tratamento pode influenciar as etapas seguintes da jornada. Por isso, a avaliação individualizada, considerando características do tumor, condição clínica, biomarcadores, riscos, benefícios e preferências da paciente, é cada vez mais importante”, complementa Dr. Buzaid. 

Para Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, essa individualização também precisa considerar tudo o que acontece na vida da paciente para além da doença.

“O tratamento é uma parte importante da jornada, mas não é a única. Para muitas mulheres, existem desafios desde o momento de buscar um diagnóstico até conseguir compreender suas opções de cuidado, reorganizar a rotina, lidar com os impactos emocionais e encontrar uma rede de apoio. Olhar para a paciente de forma integral é tão importante quanto olhar para a doença”, afirma Luciana. 

Além dos aspectos clínicos, a jornada de uma paciente com câncer de mama pode envolver efeitos adversos do tratamento, fadiga, controle de sintomas, ansiedade relacionada aos exames e impactos no trabalho, na vida financeira, na sexualidade, na imagem corporal, na autonomia, nas relações familiares e nos projetos pessoais. Por isso, o acesso à informação clara, o apoio adequado e a participação nas decisões sobre o cuidado também são componentes importantes dessa experiência. 

“Falar sobre câncer de mama triplo-negativo vai além de discutir ciência e opções de tratamento. É também falar sobre pessoas, histórias e jornadas que são únicas. Uma comunicação efetiva deve combinar informação médica de qualidade com sensibilidade, contexto e respeito à experiência de cada paciente”, afirma Fernanda Fortes, Medical Scientist Associate da Gilead Sciences Brasil. 

Ao final do encontro, os participantes reforçaram três mensagens centrais: câncer de mama não é uma doença única; o conhecimento sobre a biologia do câncer de mama triplo-negativo continua avançando; e o cuidado precisa considerar não apenas a doença, mas também a vida da paciente para além do consultório, incluindo qualidade de vida, autonomia, acesso à informação confiável e participação da paciente nas decisões.

  

Gilead Sciences

 

Referências

1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Estimativa 2026: Incidência de Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2026. Dados referentes ao triênio 2026–2028.

2. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Atlas de Mortalidade por Câncer. Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Dados de 2024.

3. DATAFOLHA; GILEAD ONCOLOGY. O que as mulheres brasileiras sabem sobre o câncer de mama e o que podemos absorver em prol da equidade na saúde? Pesquisa quantitativa com 1.007 mulheres de 25 a 65 anos, realizada entre 24 de novembro e 14 de dezembro de 2022. Resultados apresentados em 2023.

4. AMERICAN CANCER SOCIETY. Triple-negative Breast Cancer. Revisado em 24 jun. 2026.

5. NATIONAL CANCER INSTITUTE (NCI). Breast Cancer Treatment (PDQ®): Metastatic Triple-Negative Breast Cancer. Informações sobre opções de tratamento no câncer de mama triplo-negativo metastático.

6. PUNIE, K. et al. Unmet need for previously untreated metastatic triple-negative breast cancer: a real-world study of patients diagnosed from 2011 to 2022 in the United States. The Oncologist, v. 30, n. 3, 2025, oyaf034. DOI: 10.1093/oncolo/oyaf034.

7. GILEAD SCIENCES. Brazil | Gilead. Informações institucionais corporativas.


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