Subtipo representa entre 10% e 15% dos casos de câncer de mama4 e reforça a importância da avaliação individualizada, da compreensão da jornada da paciente e do acesso à informação de qualidade
O
avanço no conhecimento sobre a biologia do câncer de mama triplo-negativo vem
ampliando as estratégias de tratamento para esse subtipo da doença. Além da
quimioterapia, dependendo das características de cada caso, hoje podem ser
consideradas abordagens como imunoterapia, terapias direcionadas a grupos
específicos de pacientes e anticorpos conjugados a medicamentos, os ADCs⁵.
Nesse cenário, a avaliação individualizada e a escolha da primeira linha de
tratamento ganham relevância na definição do cuidado.
Esse
foi um dos principais temas discutidos no encontro “Câncer de
mama triplo-negativo: o que está mudando no tratamento e por que isso importa
para as pacientes brasileiras?”, realizado em São Paulo, que
reuniu o oncologista Antonio Carlos Buzaid, Luciana
Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, e Elisangela
Moreira, diagnosticada com câncer de mama triplo-negativo aos
37 anos. A conversa abordou diagnóstico, evolução do tratamento,
individualização do cuidado, qualidade de vida, acesso à informação e os desafios
enfrentados pelas pacientes ao longo dessa jornada.
O
tema ganha relevância em um contexto de alta incidência da doença no país.
Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer, o Brasil deve registrar 78.610
novos casos de câncer de mama por ano1 no triênio
2026–2028. Excluindo os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo
de câncer mais incidente entre as brasileiras e corresponde a cerca de 30% dos
novos casos estimados na população feminina1. Em
2024, foram registradas 20.849 mortes por câncer de mama2
no país, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer/SIM.
Apesar
da relevância do tema, ainda existem lacunas importantes de informação. Uma pesquisa Datafolha encomendada pela Gilead Oncology, em 2023, com
1.007 mulheres de 25 a 65 anos, de todas as regiões do país, mostrou que 69%
das entrevistadas se consideram bem-informadas sobre câncer de mama. No
entanto, apenas 11% conseguiram mencionar algum tipo de tumor de mama ou
estágio da doença. O levantamento também mostrou que 16% acreditavam que todos
os cânceres de mama eram iguais3.
“Quando
falamos em câncer de mama, é importante entender que não estamos diante de uma
doença única. Existem diferentes subtipos, com características biológicas
próprias, e essa identificação é fundamental para orientar a avaliação clínica
e as possibilidades de tratamento de cada paciente”, afirma Dr. Antonio C.
Buzaid, Diretor Médico Geral dos Centros de Oncologia dos Hospitais Nove de
Julho e Samaritano Higienópolis, da Rede Américas.
Entre
os subtipos do câncer de mama está o câncer de mama triplo-negativo, que
representa cerca de 10% a 15% dos casos4. O nome decorre da ausência
de três características utilizadas na classificação do tumor: receptor de
estrogênio, receptor de progesterona e superexpressão de HER24. Por
isso, tratamentos hormonais e terapias direcionadas ao HER2 não se aplicam da
mesma forma a esses tumores4.
Historicamente,
o câncer de mama triplo-negativo está associado a um comportamento mais
agressivo e a maiores desafios terapêuticos do que alguns outros subtipos.
Quando a doença se torna metastática, ou seja, quando células originadas na
mama atingem órgãos ou tecidos distantes, como ossos, fígado, pulmões ou
cérebro, a definição da estratégia inicial de tratamento torna-se ainda mais
relevante.
Nesse
cenário, a inovação tem desempenhado um papel importante na evolução do
tratamento do câncer de mama triplo-negativo. O maior conhecimento sobre a
biologia da doença e a identificação de novas estratégias terapêuticas vêm
permitindo abordagens cada vez mais individualizadas, que consideram as
características do tumor e de cada paciente.
A
estratégia terapêutica passou, assim, a incorporar diferentes possibilidades.
Além da quimioterapia e, dependendo das características de cada caso, podem ser
consideradas abordagens como imunoterapia, terapias direcionadas a grupos específicos
de pacientes e anticorpos conjugados a medicamentos, os ADCs5.
A
definição do tratamento considera uma combinação de fatores, como
características do tumor, presença de biomarcadores, tratamentos já realizados,
condição clínica da paciente, benefícios e riscos das diferentes estratégias e
possíveis impactos na qualidade de vida. Nesse planejamento, a definição da
primeira linha é especialmente relevante, já que pode influenciar as
possibilidades consideradas nas etapas seguintes do cuidado6.
“No
câncer de mama metastático, a escolha da primeira linha de tratamento pode
influenciar as etapas seguintes da jornada. Por isso, a avaliação
individualizada, considerando características do tumor, condição clínica,
biomarcadores, riscos, benefícios e preferências da paciente, é cada vez mais
importante”, complementa Dr. Buzaid.
Para
Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, essa individualização também
precisa considerar tudo o que acontece na vida da paciente para além da doença.
“O
tratamento é uma parte importante da jornada, mas não é a única. Para muitas
mulheres, existem desafios desde o momento de buscar um diagnóstico até
conseguir compreender suas opções de cuidado, reorganizar a rotina, lidar com
os impactos emocionais e encontrar uma rede de apoio. Olhar para a paciente de
forma integral é tão importante quanto olhar para a doença”, afirma Luciana.
Além
dos aspectos clínicos, a jornada de uma paciente com câncer de mama pode
envolver efeitos adversos do tratamento, fadiga, controle de sintomas,
ansiedade relacionada aos exames e impactos no trabalho, na vida financeira, na
sexualidade, na imagem corporal, na autonomia, nas relações familiares e nos
projetos pessoais. Por isso, o acesso à informação clara, o apoio adequado e a
participação nas decisões sobre o cuidado também são componentes importantes
dessa experiência.
“Falar
sobre câncer de mama triplo-negativo vai além de discutir ciência e opções de
tratamento. É também falar sobre pessoas, histórias e jornadas que são únicas.
Uma comunicação efetiva deve combinar informação médica de qualidade com
sensibilidade, contexto e respeito à experiência de cada paciente”, afirma
Fernanda Fortes, Medical Scientist Associate da Gilead Sciences Brasil.
Ao
final do encontro, os participantes reforçaram três mensagens centrais: câncer
de mama não é uma doença única; o conhecimento sobre a biologia do câncer de
mama triplo-negativo continua avançando; e o cuidado precisa considerar não
apenas a doença, mas também a vida da paciente para além do consultório,
incluindo qualidade de vida, autonomia, acesso à informação confiável e
participação da paciente nas decisões.
Gilead Sciences
Referências
1. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Estimativa
2026: Incidência de Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA,
2026. Dados referentes ao triênio 2026–2028.
2. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Atlas de Mortalidade por
Câncer. Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Dados
de 2024.
3. DATAFOLHA; GILEAD ONCOLOGY. O
que as mulheres brasileiras sabem sobre o câncer de mama e o que podemos
absorver em prol da equidade na saúde? Pesquisa quantitativa com
1.007 mulheres de 25 a 65 anos, realizada entre 24 de novembro e 14 de dezembro
de 2022. Resultados apresentados em 2023.
4. AMERICAN CANCER SOCIETY. Triple-negative
Breast Cancer. Revisado em 24 jun. 2026.
5. NATIONAL CANCER INSTITUTE (NCI). Breast
Cancer Treatment (PDQ®): Metastatic Triple-Negative Breast Cancer.
Informações sobre opções de tratamento no câncer de mama triplo-negativo
metastático.
6. PUNIE, K. et al. Unmet need for previously
untreated metastatic triple-negative breast cancer: a real-world study of
patients diagnosed from 2011 to 2022 in the United States.
The Oncologist, v. 30, n. 3, 2025, oyaf034. DOI: 10.1093/oncolo/oyaf034.
7. GILEAD SCIENCES. Brazil
| Gilead. Informações institucionais corporativas.
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