Quase 3 em cada 10
jovens brasileiros relatam sentir tristeza com frequência, segundo IBGE. A
educadora parental Claudia Alaminos orienta pais sobre bem-estar e autonomia
nessa fase
Pexels
A adolescência é marcada por transformações que podem alterar profundamente a dinâmica familiar. Mudanças de humor, questionamentos e o desejo de independência fazem parte do processo de construção da identidade, mas podem gerar conflitos quando os responsáveis não sabem como equilibrar proteção, liberdade e autoridade.
Um alerta sobre a importância desse acompanhamento
aparece nos dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada
pelo IBGE em 2026. Segundo o levantamento, 28,9% dos estudantes de 13 a 17 anos
afirmaram ter se sentido tristes sempre ou na maioria das vezes.
Para a psicopedagoga e educadora parental Claudia
Alaminos, autora de Manual de sobrevivência para pais de adolescentes, esse período não
precisa ser encarado como uma fase de enfrentamento entre pais e filhos. Com
informação e estratégias adequadas, situações que costumam gerar atrito podem
se transformar em momentos de aprendizado e amadurecimento para toda a
família.
A seguir, confira cinco orientações da especialista
para lidar com os desafios dessa convivência e refletir sobre o bem-estar dos
jovens:
- Não
trate toda mudança de humor como “coisa de adolescente”
Irritabilidade, isolamento e alterações de humor
podem fazer parte dessa fase, mas mudanças persistentes ou muito intensas não
devem ser automaticamente normalizadas. Os pais precisam observar o
comportamento do filho como um todo e perceber quando há uma mudança
significativa em relação ao que era habitual.
- Aprenda
a reconhecer quando o silêncio pode ser um pedido de ajuda
Nem todo adolescente vai conseguir dizer
diretamente que está triste ou enfrentando dificuldades. Por isso, atenção às
mudanças na rotina, afastamento das pessoas próximas e perda de interesse por
atividades pode ajudar os responsáveis a perceberem quando é necessário se aproximar
e abrir espaço para uma conversa.
- Em
vez de minimizar a tristeza, ajude o filho jovem a nomear o que sente
Frases como “isso vai passar” ou “você não tem
motivo para estar assim” podem fazer com que se fechem ainda mais. Validar o sentimento
não significa concordar com tudo, mas mostrar que ele pode falar sobre suas
emoções sem ser julgado ou se sentir ridicularizado.
- Dê
autonomia sem deixar o adolescente sozinho para lidar com tudo
Conquistar independência é importante, mas autonomia
não significa ausência de direção. O jovem precisa de espaço para tomar
decisões e desenvolver responsabilidades, mas também de adultos disponíveis
para orientar, estabelecer limites e oferecer suporte diante das dificuldades.
É preciso interromper comportamentos que ponham em risco saúde, segurança ou o
futuro dele.
- Saiba
quando o diálogo precisa vir acompanhado de ajuda
Os pais não precisam ter todas as respostas. Quando
mudanças emocionais ou comportamentais persistem, se intensificam ou começam a
prejudicar a rotina do adolescente, procurar um profissional pode ser uma forma
de cuidado, e não de fracasso dos responsáveis.
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