Uso de colírios humanos, corticoides e receitas caseiras ainda é comum entre tutores e pode agravar doenças oculares. Especialista orienta quais erros devem ser evitados até a avaliação veterinária.
A
busca por soluções rápidas para sintomas aparentes em animais de estimação
acendeu um alerta no setor veterinário. Dados de levantamentos sobre saúde
animal e do Conselho Federal de Medicina Veterinária indicam que cerca de 70%
dos tutores já aplicaram algum tipo de automedicação em seus pets antes de
buscar ajuda profissional. A prática é especialmente perigosa quando envolve a
região ocular: olhos vermelhos, secreções ou incômodo frequente costumam
motivar o uso de colírios guardados em casa ou misturas caseiras, ignorando a
sensibilidade e as particularidades da anatomia visual dos cães e gatos.
Entre
as condutas mais graves registradas na rotina de atendimento está o uso
indiscriminado de colírios de uso humano, sobretudo os que contêm corticoides.
O médico veterinário Dr. Rodrigo Peixoto, profissional com pós-graduação em
Oftalmologia Veterinária e em Clínica Médica e atuação focada em microcirurgia
ocular animal, alerta para as consequências dessa prática. "É comum o
tutor aplicar um produto que sobrou de um tratamento anterior ou de uso da
própria família acreditando estar aliviando a dor. Contudo, se o animal tiver
uma pequena lesão na córnea, o corticoide impede a cicatrização e pode levar à
perfuração do olho em questão de dias, gerando danos irreversíveis",
explica.
Outra
prática habitual e arriscada é a tentativa de higienizar a área com chás,
infusões de plantas ou soro fisiológico mantido aberto por muito tempo na
geladeira. Embora pareçam alternativas inofensivas, essas soluções podem
transportar micro-organismos ou provocar reações alérgicas severas.
"Líquidos não estéreis ou guardados de forma inadequada acumulam bactérias
que, em contato com uma superfície ocular já fragilizada, desencadeiam
infecções graves e tornam o tratamento muito mais complexo", pontua
Peixoto.
Diante
de qualquer alteração visível nos olhos do pet, a orientação principal é
suspender imediatamente qualquer substância não prescrita e impedir que o
animal mexe no local. O uso preventivo do colar elizabetano é a melhor medida
emergencial para evitar que o hábito de coçar com as patas ou roçar em móveis
cause traumas adicionais até o momento da consulta.
A avaliação com um especialista e o uso de exames de precisão garantem a identificação exata da patologia, seja ela um glaucoma, uma úlcera ou uma inflamação profunda. O diagnóstico precoce e a indicação da medicação correta preservam a qualidade de vida do animal e evitam a necessidade de intervenções cirúrgicas invasivas no futuro.
Fonte: Dr. Rodrigo Peixoto | Médico veterinário com atuação focada em microcirurgia ocular animal. Pós-graduado em Oftalmologia Veterinária e em Clínica Médica
instagram: @oftalmologiaveterinariabh
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