domingo, 2 de agosto de 2026

Uso de colírios humanos, corticoides e receitas caseiras ainda é comum entre tutores e pode agravar doenças oculares. Especialista orienta quais erros devem ser evitados até a avaliação veterinária.

 

 

A busca por soluções rápidas para sintomas aparentes em animais de estimação acendeu um alerta no setor veterinário. Dados de levantamentos sobre saúde animal e do Conselho Federal de Medicina Veterinária indicam que cerca de 70% dos tutores já aplicaram algum tipo de automedicação em seus pets antes de buscar ajuda profissional. A prática é especialmente perigosa quando envolve a região ocular: olhos vermelhos, secreções ou incômodo frequente costumam motivar o uso de colírios guardados em casa ou misturas caseiras, ignorando a sensibilidade e as particularidades da anatomia visual dos cães e gatos.

 

Entre as condutas mais graves registradas na rotina de atendimento está o uso indiscriminado de colírios de uso humano, sobretudo os que contêm corticoides. O médico veterinário Dr. Rodrigo Peixoto, profissional com pós-graduação em Oftalmologia Veterinária e em Clínica Médica e atuação focada em microcirurgia ocular animal, alerta para as consequências dessa prática. "É comum o tutor aplicar um produto que sobrou de um tratamento anterior ou de uso da própria família acreditando estar aliviando a dor. Contudo, se o animal tiver uma pequena lesão na córnea, o corticoide impede a cicatrização e pode levar à perfuração do olho em questão de dias, gerando danos irreversíveis", explica.

 

Outra prática habitual e arriscada é a tentativa de higienizar a área com chás, infusões de plantas ou soro fisiológico mantido aberto por muito tempo na geladeira. Embora pareçam alternativas inofensivas, essas soluções podem transportar micro-organismos ou provocar reações alérgicas severas. "Líquidos não estéreis ou guardados de forma inadequada acumulam bactérias que, em contato com uma superfície ocular já fragilizada, desencadeiam infecções graves e tornam o tratamento muito mais complexo", pontua Peixoto.

 

Diante de qualquer alteração visível nos olhos do pet, a orientação principal é suspender imediatamente qualquer substância não prescrita e impedir que o animal mexe no local. O uso preventivo do colar elizabetano é a melhor medida emergencial para evitar que o hábito de coçar com as patas ou roçar em móveis cause traumas adicionais até o momento da consulta.

 

A avaliação com um especialista e o uso de exames de precisão garantem a identificação exata da patologia, seja ela um glaucoma, uma úlcera ou uma inflamação profunda. O diagnóstico precoce e a indicação da medicação correta preservam a qualidade de vida do animal e evitam a necessidade de intervenções cirúrgicas invasivas no futuro.

 



Fonte: Dr. Rodrigo Peixoto | Médico veterinário com atuação focada em microcirurgia ocular animal. Pós-graduado em Oftalmologia Veterinária e em Clínica Médica
instagram: @oftalmologiaveterinariabh


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