Longe dos fatores de risco tradicionais, especialista explica que o trauma vascular direto nas atividades físicas de alto impacto, somado à desidratação, pode desencadear quadros de trombose venosa profunda em jovens saudáveis.
Atletas e praticantes de atividades físicas de alta intensidade frequentemente associam lesões a contraturas, estiramentos ou rompimentos musculares. O que poucos imaginam é que o repouso absoluto imposto por esses traumas pode carregar um risco oculto e grave: a Trombose Venosa Profunda (TVP). Segundo dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), estimam-se cerca de 60 casos de trombose para cada 100 mil habitantes por ano no Brasil, e o imobilismo pós-lesão é um dos grandes gatilhos para o problema, mesmo em organismos jovens e com alto rendimento cardiovascular.
A explicação para esse fenômeno em pessoas aparentemente saudáveis reside no trauma vascular direto e na brusca desaceleração da rotina. Em modalidades de alto impacto, contusões severas podem lesionar a parede dos vasos sanguíneos, enquanto a combinação de sudorese intensa e desidratação aumenta a viscosidade do sangue. Quando o atleta é forçado a parar repentinamente e manter o membro afetado imobilizado para recuperar o músculo, o sangue perde a ajuda da bomba muscular da panturrilha para circular, favorecendo a formação de coágulos.
"A rotina de treinos intensos cria uma falsa sensação de blindagem contra problemas circulatórios, mas o corpo do atleta responde aos traumas físicos como qualquer outro. Se há lesão na parede do vaso e o sangue fica estagnado devido à imobilidade, o coágulo pode se formar rapidamente", explica o cirurgião vascular e endovascular Josualdo Euzébio.
O perigo se intensifica porque os sintomas iniciais da TVP costumam ser confundidos com a própria evolução da lesão muscular. Inchaço persistente, dor profunda na panturrilha ou na coxa e enrijecimento do local afetado costumam ser interpretados apenas como consequências do trauma do esporte, o que atrasa o diagnóstico e aumenta o risco de complicações graves, como a embolia pulmonar.
"O maior erro é ignorar um inchaço desproporcional ou uma dor que piora no período em que a lesão muscular já deveria estar evoluindo bem. Ao notar que o membro acometido apresenta alterações de cor, calor local ou uma dor diferente da dor muscular comum, o acompanhamento médico especializado deve ser imediato", alerta o especialista.
Para prevenir o quadro sem comprometer
a recuperação do atleta, o acompanhamento multidisciplinar é fundamental. O uso
de meias de compressão adequadas, a manutenção rigorosa da hidratação e, quando
indicado pelo médico, o uso temporário de medicamentos anticoagulantes permite
que a fase de repouso ocorra com segurança, garantindo que o retorno ao esporte
aconteça sem ameaças à vida.
instagram: @dr.josualdo
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