terça-feira, 18 de agosto de 2026

TDAH ou apenas falta de atenção? Quando o comportamento da criança merece uma avaliação especializada

Distração frequente, dificuldade para concluir tarefas e inquietação podem ser confundidas com comportamentos comuns da infância; especialista explica quais sinais merecem atenção dos pais e da escola.

 

Crianças distraídas, inquietas ou que apresentam dificuldade para concluir atividades nem sempre têm um transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. No entanto, quando esses comportamentos são frequentes e começam a interferir na aprendizagem, na rotina familiar e na convivência escolar, é importante investigar o que está por trás dessas dificuldades.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade está entre os transtornos do neurodesenvolvimento mais comuns na infância. A identificação adequada depende da observação dos comportamentos ao longo do tempo e em diferentes ambientes, já que características isoladas não são suficientes para estabelecer um diagnóstico.

De acordo com a pedagoga e especialista em neuropsicopedagogia Shirley Taborda, um dos principais pontos de atenção é a persistência dos sinais. "Uma criança pode estar desatenta em determinado momento por vários motivos, como cansaço, mudanças na rotina ou até mesmo falta de interesse em uma atividade específica. O que precisa ser observado é quando essa dificuldade se repete e começa a prejudicar a vida escolar e outras atividades do dia a dia", explica.

Entre os sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação estão a distração frequente, o esquecimento de tarefas e objetos, a dificuldade para seguir instruções e concluir atividades, além da inquietação e da necessidade constante de se movimentar. No entanto, esses comportamentos precisam ser analisados dentro do contexto de cada criança e não devem ser interpretados isoladamente.

A escola também desempenha um papel importante nesse processo. Professores e pedagogos costumam perceber mudanças no comportamento e dificuldades de aprendizagem antes mesmo que a família identifique que existe algum problema. A partir dessas observações, a criança pode ser encaminhada para uma avaliação especializada, que ajuda a compreender melhor suas necessidades.

Na avaliação neuropsicopedagógica, Shirley realiza uma investigação individualizada das dificuldades relacionadas à aprendizagem. O processo é desenvolvido ao longo de seis sessões e envolve entrevistas com os responsáveis, aplicação de testes padronizados e uma análise de diferentes aspectos do desenvolvimento, como memória, coordenação motora, raciocínio lógico e estratégias de aprendizagem. Ao final, a família recebe um relatório detalhado com orientações que podem contribuir para o acompanhamento da criança em casa e na escola.

"Nosso objetivo não é olhar apenas para um comportamento ou buscar um diagnóstico de forma isolada. É entender como aquela criança aprende, quais são suas dificuldades e quais estratégias podem ajudá-la. A avaliação também pode ser importante para crianças que ainda não têm um diagnóstico, justamente para esclarecer dúvidas e orientar os próximos passos", afirma Shirley.

A especialista reforça que buscar informação e avaliação adequada pode evitar que dificuldades sejam confundidas com preguiça, falta de interesse ou indisciplina. Quanto mais cedo a família e a escola compreendem o que está acontecendo, maiores são as possibilidades de oferecer à criança o suporte necessário para seu desenvolvimento e aprendizagem.

 

Fonte: Shirley Taborda — Pedagoga e especialista em Neuropsicopedagogia.

 

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