Para o defensor público federal, o Brasil já possui uma das legislações mais avançadas do mundo; a mudança efetiva exige sensibilização coletiva e engajamento da sociedade civil
O número de projetos de lei (PLs) voltados para as Pessoas com
Deficiência (PcDs) protocolados na Câmara dos Deputados atingiu o recorde de
862 proposições no último ano, segundo levantamento do R7. A fatia desse tema
em relação ao total de projetos apresentados pelos parlamentares saltou de 8%
em 2018 para 13%. O levantamento apontou ainda que a proliferação legislativa
contrasta com a baixa representatividade direta no Parlamento, onde menos de
1,3% dos eleitos nos últimos três pleitos declararam alguma deficiência ao TSE.
Para o Defensor Público Federal André Naves, especialista em
direitos humanos, economia política e inclusão social, os dados do levantamento
mostram que o tema ganha espaço no debate público, mas evidenciam os limites da
via puramente legislativa.
"O Brasil já possui uma das legislações mais avançadas do
mundo na proteção e garantia de direitos das pessoas com deficiência, desde a
Lei de Cotas e o Estatuto da Pessoa com Deficiência até a Convenção da ONU com
status constitucional. O problema do país nunca foi a falta de leis. A questão
central é que o arcabouço normativo, por si só, não tem o poder de mudar
mentalidades ou derrubar o capacitismo que está enraizado na sociedade",
destaca Naves.
Além da produção legislativa
O defensor ressalta que a dependência excessiva de novas leis pode
gerar a falsa sensação de dever cumprido, mantendo a inclusão restrita a
burocracias ou a itens de conformidade em planilhas de RH.
"A verdadeira transformação social não nasce do acúmulo de
papéis ou de novos textos legais, mas da conscientização, da sensibilização e
do fortalecimento do movimento social. Precisamos educar as pessoas para
enxergarem a diversidade e a acessibilidade não como caridade ou favor, mas
como vetores de dignidade, inovação e desenvolvimento econômico. A lei
estabelece o direito; é a conscientização que o torna real e o movimento social
que o mantém vivo e atuante", conclui André Naves.
Para saber mais sobre o trabalho de André Naves, acesse o site andrenaves.com ou acompanhe pelas redes sociais: andrenaves.def.
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