| Foto: Wynitow Butenas/Centro de Vacinas Pequeno Príncipe |
O sarampo voltou a
acender um sinal de alerta nas Américas e também no Brasil. Em 2025, o país
confirmou 38 casos da doença, mas sem transmissão interna sustentada. Em 2026,
já são 24 casos confirmados, sendo 23 no estado de São Paulo. Nas Américas, até
18 de julho deste ano, foram registrados 47.459 casos de sarampo.
Diante desse
cenário, o Hospital Pequeno Príncipe, maior e mais completo hospital pediátrico
do país, reforça a importância da vacinação contra o sarampo, especialmente
entre as crianças. Afinal, essa é uma das doenças mais contagiosas do mundo.
O que é o
sarampo?
O sarampo é uma
doença infectocontagiosa, uma das mais contagiosas dentro das exantemáticas, ou
seja, que causam erupções cutâneas. A etiologia é viral, de altíssima
transmissibilidade por via respiratória, seja ao falar, tossir ou espirrar. De
acordo com o Ministério da Saúde, uma pessoa infectada pode transmitir para 90%
das pessoas próximas que não estejam imunes.
“O sarampo é
realmente um indicador de qualidade vacinal e de adesão às vacinas, porque é
muito transmissível. Então, quando começam a aparecer casos, mostra uma baixa
cobertura vacinal”, ressalta a pediatra e coordenadora do Centro de Vacinas
Pequeno Príncipe, Heloisa Ihle Garcia Giamberardino.
Não existe um
medicamento específico para curar o sarampo — o manejo é voltado apenas para o
alívio dos sintomas. Lembrando que o mais importante é a orientação pediátrica
para avaliação de cada caso.
Sinais e
sintomas do sarampo em crianças
A partir do
momento em que se tem contato com alguém com sarampo, pode-se levar em torno de
7 a 14 dias para começar o surgimento dos sintomas, como:
- febre
alta (acima de 38,5°C);
- manchas
vermelhas;
- conjuntivite
não purulenta;
- coriza,
tosse e secreção.
Além disso, o
infectologista pediátrico Victor Horácio, do Hospital Pequeno Príncipe, pontua
que o diagnóstico clínico não é difícil de ser feito. “E o sarampo tem uma
particularidade ainda, na qual 72 horas antes do aparecimento do rash cutâneo
você vê um salpicado esbranquiçado, que são as manchas de Koplik, dentro da
boca do paciente”, destaca.
Quais são
as complicações do sarampo em crianças?
O sarampo tem uma
série de complicações. Segundo o Ministério da Saúde, as mais comuns em
crianças são:
- pneumonia (infecção no pulmão): uma em cada 20
crianças com sarampo pode desenvolver pneumonia, causa mais comum de morte
por sarampo nos pequenos;
- otite média aguda (infecção no ouvido): ocorre em uma a
cada dez crianças com sarampo e pode resultar em perda auditiva
permanente;
- encefalite aguda (inflamação no cérebro): uma a quatro em
cada mil crianças podem desenvolver essa complicação, e 10% delas podem
morrer;
- morte: uma a três a cada mil crianças doentes
podem falecer em decorrência de complicações da doença.
Entretanto, o
especialista alerta sobre a panencefalite esclerosante subaguda (PEES), uma
doença neurodegenerativa progressiva e fatal, rara, causada por uma infecção
persistente e mutante do vírus do sarampo. “O que observamos, por exemplo, no
surto de sarampo ocorrido na região do Texas, nos Estados Unidos, com mais de
380 casos, é que os quatro óbitos registrados em crianças foram de pacientes
não vacinados. Então, se você está vacinado contra o sarampo, você está
protegido”, salienta.
Vacina
contra o sarampo
Em 2025, 92,5% dos
bebês tomaram a primeira dose da vacina, mas apenas 77,9% completaram o esquema
no prazo correto. A recomendação é de que todas as pessoas até 59 anos, sem
comprovação de duas doses, devem vacinar-se para garantir proteção.
O esquema de
vacinação contra o sarampo no Brasil, via Programa Nacional de Imunizações
(PNI), baseia-se na aplicação de duas doses da tríplice viral (sarampo, caxumba
e rubéola), sendo a primeira aos 12 meses e a segunda (geralmente tetraviral)
aos 15 meses de idade.
Quem já recebeu as
duas doses na infância não precisa revacinar-se. E o imunizante é contraindicado
para gestantes e pessoas imunocomprometidas. “A vacina é segura, tranquila e
bem-tolerada, sem praticamente nenhuma reação adversa. O sarampo é uma doença
de fácil controle com vacinação. Vacinados não pegam o sarampo”, finaliza
Heloisa.
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