Dividida em cinco módulos, a mostra temporária Reatar revela como os fios entrelaçam memórias, protegem corpos migrantes e mantêm vivos os vínculos com o lar de origem
O Museu da
Imigração (MI), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria
Criativas do Estado de São Paulo, inaugura, em 31 de julho, às 11h, a exposição
Reatar. A
temporária propõe uma reflexão sobre o têxtil e como esse universo emerge em
transformação junto às pessoas e às suas conexões com processos migratórios,
trabalho, identidade e criação.
Com curadoria da
equipe de Pesquisa do MI, a mostra reúne mais de 40 objetos expostos, entre
eles artefatos, indumentárias, fotos, vídeos, registros oficiais e ferramentas
de costura, que evidenciam como sujeitos e comunidades migrantes, sejam
nacionais, sejam internacionais, constroem novos territórios e narrativas por
meio da experimentação e do fazer manual. Entre os artistas com trabalhos
expostos que compõem a exposição estão Alexandre Herchcovitch, Amir Slama,
Joana Jade, Kantupac, Keila Okubo, Mama Diop, Macarena Rozic, Marilena
Fajersztajn, Nduduzo Siba e Wanderson Vieira.
Organizada em
cinco módulos, a Reatar aborda desde a diversidade de fibras até os resíduos
que transformam o guarda-roupa contemporâneo, provando que a migração continua
viva a cada etapa da composição da moda urbana. A instalação abre com a
evolução da fibra ao fio, contando mais sobre suas características e
classificações. O público é convidado logo no início a refletir sobre a dor das
rupturas, a manutenção dos vínculos e a força das pessoas migrantes ao tecerem
novos mundos a partir da despedida.
Na sequência, é
possível acompanhar a transformação do fio em tecido e, finalmente, em
vestimenta, em que se entrelaçam história, economia e identidade. A mostra
aborda os mais de dois séculos de fluxos migratórios em São Paulo, mais
especificamente a concentração histórica de indústrias no Brás e na Mooca,
bairros que abrigam o prédio da Hospedaria de Imigrantes do Brás – local que
acolhe hoje o MI – e representam um ponto de referência de diversas comunidades
que trouxeram conhecimentos para a produção têxtil regional. Por meio de uma
linha do tempo, a Reatar articula e conecta a industrialização dos séculos XIX
e XX à expansão das oficinas contemporâneas, sem deixar de ressaltar as
contínuas mobilizações do setor contra a exploração laboral.
Já os dois últimos
módulos abordam a vestimenta como extensão de corpos e territórios que os
constituem e o ato de vestir para além do consumo. Diante do excesso, a mostra
propõe uma última reflexão sobre a lógica da novidade constante: artistas
transformam resíduos têxteis e peças de roupa usadas em novas composições, não
apenas com o intuito de prolongar a vida de um material, mas também
reconfigurar seu destino.
A exposição
ocupará a sala de exposições temporárias até 3 de janeiro de 2027.
Serviço
Museu
da Imigração
Rua Visconde de
Parnaíba, 1.316 – Mooca – São Paulo/SP
Tel.: (11)
2692-1866
Ingressos: R$ 16 (inteira) | R$ 8 (meia-entrada)
Bilheteria: de terça a sábado, das 9h às 17h; e aos domingos, das 10h
às 17h
Acessibilidade no
local – Bicicletário na calçada da instituição | Metrô Bresser-Mooca

Nenhum comentário:
Postar um comentário