Agosto, mês dedicado à conscientização sobre a Primeira Infância, reforça a importância dos cuidados com a saúde e o desenvolvimento das crianças nos primeiros anos de vida.
Entre as etapas que mais geram dúvidas entre pais e cuidadores está a introdução alimentar, momento em que o bebê passa a experimentar novos alimentos e pode apresentar as primeiras manifestações de alergia alimentar.
Segundo o médico alergista Dr. Marcio Barros, essa fase exige atenção, mas não deve ser encarada com medo.
“A introdução alimentar é uma etapa fundamental para o desenvolvimento da criança e também uma oportunidade importante para a prevenção de algumas alergias. Hoje sabemos que adiar alimentos como ovo, amendoim, leite, trigo, peixes e castanhas, apenas por medo de uma reação, não protege o bebê e pode ser prejudicial”, explica.
Quando os alimentos são introduzidos no momento adequado, a criança tem a oportunidade de entrar em contato com eles pela via oral, que favorece o desenvolvimento de tolerância pelo sistema imunológico. Esse cuidado pode ser ainda mais importante em bebês com maior risco de alergia alimentar.
“Crianças com dermatite atópica, alergia alimentar já conhecida ou histórico familiar de alergia alimentar podem precisar de uma introdução mais cuidadosa e individualizada. Isso não significa atrasar os alimentos, mas planejar a melhor forma de oferecê-los com segurança”, destaca o médico.
Quando acontecem reações alérgicas, elas podem variar desde vermelhidão na pele, urticária, inchaço e vômitos até quadros mais graves, com tosse, chiado, dificuldade para respirar, palidez ou moleza, em que a criança deve receber atendimento médico imediato.
Outro ponto importante é que introduzir um alimento não significa apenas oferecê-lo uma vez. Depois de tolerado, ele deve continuar fazendo parte da alimentação da criança com regularidade.
“A introdução precisa vir acompanhada de manutenção. Para fins de prevenção, não adianta oferecer uma única vez e depois passar semanas ou meses sem aquele alimento. Quando ele é bem aceito, deve ser incorporado à rotina alimentar da família”, orienta.
O especialista também alerta para a confusão frequente entre alergia e intolerância alimentar. A alergia envolve o sistema imunológico e pode provocar reações potencialmente graves. Já a intolerância está relacionada à dificuldade de digestão de determinados alimentos e é mais comum em adultos e pouco frequente em bebês.
“Nem todo desconforto, cólica ou alteração intestinal é intolerância. Em crianças pequenas, essa hipótese muitas vezes é levantada de forma precipitada e pode levar a restrições desnecessárias”, afirma.
Para o médico, a principal orientação é não transformar o medo da alergia em atraso ou exclusão alimentar sem necessidade.
“Os pais não precisam ter medo da introdução alimentar. O ideal é oferecer os alimentos no momento oportuno, em formas seguras para a idade, e manter regularmente aquilo que foi bem tolerado. Caso ocorram reações, a criança deve ser avaliada por um especialista. O mesmo cuidado vale para os bebês com maior risco, que podem precisar de uma estratégia individualizada desde o início.”
A introdução alimentar, portanto, não é apenas o momento em que algumas alergias aparecem pela primeira vez. Ela também representa uma oportunidade de prevenção, desenvolvimento de hábitos saudáveis e ampliação segura da alimentação da criança.
Fonte:
Dr. Márcio Barros - Pediatra, alergista e imunologista, com atuação especializada em alergias infantis. É professor colaborador da Faculdade de Medicina de Jundiaí e médico voluntário do Hospital das Clínicas da FMUSP, onde integra os ambulatórios de Alergia Alimentar, Esofagite Eosinofílica e Dermatite Atópica. Desenvolve seu trabalho com foco em alergias respiratórias e alimentares, asma, dermatite atópica e imunoterapia.
Instagram: @dr.marciobarros
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