segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Medos sobre terapia hormonal ainda afastam mulheres do tratamento, apesar de seus benefícios

Apenas 22% das brasileiras recebem prescrição de terapia hormonal, mostra estudo; especialista explica por que o tratamento é seguro e pode melhorar a qualidade de vida

 

A menopausa é uma fase natural na vida de todas as mulheres, mas muitas enfrentam desafios e desconfortos significativos durante essa transição. Uma das opções de tratamento mais discutidas é a Terapia Hormonal da Menopausa (TH). No entanto, diversos medos e preocupações têm sido associados ao seu uso. A convite da Organon, farmacêutica global especializada em saúde feminina, o médico Luciano de Melo Pompei, Professor Associado Livre-Docente na Faculdade de Medicina do ABC, esclarece os benefícios do tratamento.

A TH é um tratamento utilizado para manter o nível de estrogênio no corpo durante a menopausa e aliviar os sintomas da menopausa. De acordo com o estudo Brazilian Menopause Study, a idade mediana de menopausa no Brasil é de 48 anos e mais de 85% das mulheres apresentam alguma manifestação climatérica, sendo que os fogachos foram reportados por 73%.

Segundo Pompei, a TH é um tratamento seguro e eficaz que pode melhorar a qualidade de vida de muitas mulheres. “Os riscos da TH são geralmente menores do que os benefícios. Este tratamento pode reduzir os sintomas da menopausa, como ondas de calor, suores noturnos e secura vaginal e também pode reduzir o risco de osteoporose”, afirma.

Os efeitos da terapia hormonal também podem ser percebidos de forma concreta na rotina das mulheres. “Entrei na menopausa aos 51 anos e, como muitas mulheres, enfrentei sintomas que impactaram bastante meu dia a dia. Com o uso de estrogênio transdérmico em forma de gel, tive uma melhora importante: os sintomas diminuíram, voltei a dormir bem e recuperei minha qualidade de vida. Hoje, me sinto novamente plena, ativa e confiante”, afirma Nanci Utida, diretora associada de Assuntos Médicos da Organon.

Apesar dos benefícios, o estudo indica que apenas 22% das mulheres relataram ter recebido prescrição médica de TH. Para o médico, a principal razão para esta baixa adesão é, provavelmente, devido ao medo em relação à possível associação entre TH e risco para câncer de mama. Porém, diversos estudos indicam que a magnitude dessa associação não é tão alta assim. “A relação entre a TH e o risco de câncer de mama não é simples, tampouco direta. Há estudos demonstrando que, a depender do progestagênio presente no regime de TH, o risco de câncer de mama pode ser maior ou menor”, explica Pompei.

De acordo com o especialista, a informação é, sem dúvida, um dos facilitadores da adesão ao tratamento. “Levar as informações de forma clara, usando medidas de melhor compreensão pelas pacientes, pode ajudar a fazer com elas percebam que, quando seguidas as recomendações das diretrizes internacionais e nacional, a TH geralmente oferece mais benefícios do que riscos”, acredita.

A Organon recomenda que as mulheres conversem com seu médico sobre os riscos e benefícios da TH antes de iniciar o tratamento. A decisão pela reposição hormonal deve ser tomada em conjunto.



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