Da sala ao quarto, temperatura, posicionamento e
tipos de luz ajudam a transformar a percepção dos ambientes. As arquitetas
Priscilla Corbellini e Ana Clara Lopes, da Corbellini Lopes Arquitetura,
ensinam como usar a iluminação a favor do conforto e da decoração
Na
hora de decorar a casa, móveis, cores, revestimentos e objetos costumam ganhar
os holofotes. A iluminação, por outro lado, muitas vezes fica para o fim do
projeto. Mas basta mudar a luz para perceber como um mesmo ambiente pode
assumir novas atmosferas.
Além
de cumprir uma função prática, a iluminação é uma importante aliada da
decoração: valoriza elementos, cria pontos de destaque, reforça a sensação de
aconchego e pode até contribuir para a percepção de amplitude dos espaços.
“A
iluminação precisa ser pensada de acordo com a forma como cada ambiente será
utilizado e com a rotina dos moradores. Mais do que iluminar, ela ajuda a
construir a experiência dentro da casa”, explicam as arquitetas Priscilla
Corbellini e Ana Clara Lopes, da Corbellini Lopes Arquitetura.
Confira
as estratégias das profissionais para fazer da luz uma aliada na hora de
transformar os ambientes.
1. Comece pela função de cada ambiente
Antes
de escolher uma luminária ou definir os pontos de luz, o primeiro passo é
entender como aquele espaço será utilizado.
Uma
sala que recebe amigos com frequência, por exemplo, pode pedir uma iluminação
mais flexível, capaz de acompanhar diferentes momentos. No quarto, o conforto
visual ganha prioridade. Já em ambientes de trabalho ou espaços destinados a
atividades específicas, a iluminação funcional se torna essencial.
Para
as arquitetas, o projeto deve partir justamente dessa análise: quem utiliza o
ambiente, quais atividades acontecem ali e qual atmosfera se deseja criar.
2. Crie diferentes cenas com camadas de luz
Uma
das maneiras mais eficientes de deixar a iluminação mais interessante é não
depender de uma única fonte de luz.
A
combinação entre iluminação geral, pontos direcionados e luzes indiretas cria
diferentes camadas e permite adaptar o ambiente de acordo com o momento. Assim,
a casa pode ter uma iluminação mais funcional durante o dia e ganhar uma
atmosfera intimista à noite, sem nenhuma mudança na decoração.
“Quando
trabalhamos com diferentes pontos de luz, conseguimos criar cenas distintas sem
precisar alterar o ambiente. A casa pode ser mais funcional durante o dia e
ganhar uma atmosfera mais intimista à noite, por exemplo.”, explica Priscilla.
3. Aposte na luz quente para criar aconchego
A
temperatura da luz também interfere diretamente na atmosfera de um ambiente.
Para
espaços de convivência e descanso, tons mais quentes, geralmente entre 2700K e
3000K, ajudam a criar uma sensação mais acolhedora e confortável. Já
temperaturas mais altas podem favorecer ambientes voltados à concentração e à
produtividade.
A
dica das arquitetas é não pensar apenas na potência da lâmpada, mas
principalmente na sensação que se deseja provocar.
4. Use a iluminação indireta a seu favor
Quer
deixar a sala mais convidativa? A iluminação indireta pode ser uma grande
aliada.
Em
vez de concentrar toda a luz no teto, vale explorar recursos como luminárias de
piso, abajures, fitas de LED, sancas e iluminação embutida em marcenarias. Além
de criar uma luz mais suave, esses elementos ajudam a trazer profundidade ao
ambiente e evitar sombras excessivamente marcadas.
“A
iluminação indireta permite criar uma atmosfera mais confortável e também
valorizar elementos da arquitetura e da decoração sem deixar a luz como
protagonista”, afirma Ana Clara.
5. Transforme a luz em ferramenta de destaque
Obras
de arte, objetos, revestimentos, marcenarias e elementos arquitetônicos podem
ganhar ainda mais protagonismo quando recebem iluminação direcionada.
Em
vez de iluminar tudo de maneira uniforme, a proposta é criar pontos de
interesse. Uma peça de design, uma textura especial ou uma parede pode se
transformar em destaque a partir da escolha do foco e da intensidade adequados.
A
estratégia também contribui para criar uma percepção mais dinâmica do espaço,
conduzindo o olhar por diferentes elementos da decoração.
6. Pense na iluminação de acordo com a rotina
A
casa não tem a mesma necessidade de luz ao longo do dia. Pela manhã, a
iluminação natural costuma assumir o protagonismo. À noite, a luz artificial
passa a cumprir diferentes funções.
Por
isso, sempre que possível, vale investir em soluções que permitam controlar a
intensidade da iluminação. Sistemas de dimerização, por exemplo, ajudam a
adaptar a luz às diferentes situações e horários.
Outro
ponto importante é pensar na iluminação natural desde o início do projeto,
criando uma relação equilibrada entre a entrada de luz do dia e as fontes
artificiais.
O excesso de luz também pode ser um problema
Quando
o assunto é iluminação, mais nem sempre significa melhor. Um dos erros comuns
em projetos residenciais é concentrar muitos pontos de luz direta no teto. Além
de deixar o ambiente excessivamente iluminado, a estratégia pode eliminar
sombras e contrastes importantes para criar profundidade e personalidade.
A
alternativa é trabalhar com diferentes fontes, intensidades e funções, evitando
que toda a iluminação dependa exclusivamente de luminárias no teto.
Para
Priscilla e Ana, o principal é pensar na iluminação em conjunto com o restante
do projeto. “A luz deve fazer parte da arquitetura e não ser pensada apenas
como um complemento no final da obra. Quando ela é planejada junto com o
layout, a marcenaria e os materiais, conseguimos criar ambientes muito mais
coerentes e confortáveis.”
No
fim, uma boa iluminação não precisa chamar atenção para si. Ela pode
simplesmente fazer a casa parecer mais acolhedora, destacar aquilo que merece
ser visto e acompanhar os diferentes momentos de quem vive ali.
Porque,
quando bem planejada, a luz não apenas ilumina a casa: ela ajuda a definir a
atmosfera e a maneira como nos sentimos dentro dela.
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