segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Homens se cuidam menos? Saiba três razões pelas quais o diagnóstico precoce é decisivo para a longevidade masculina

Com mais de 17 mil mortes registradas por doenças cardiovasculares entre janeiro e maio de 2026, dados reforçam a importância de exames preventivos divididos por faixa etária.


Culturalmente, a população masculina tende a negligenciar consultas e exames preventivos, um hábito que reflete diretamente na menor expectativa de vida em relação às mulheres. Para conscientizar sobre o tema, especialistas explicam o impacto desse comportamento e apresentam como a medicina preventiva pode reverter esse cenário.

Três razões pelas quais os homens se cuidam menos e os riscos envolvidos:

  • 1. Distanciamento da medicina preventiva: Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) revelam que 46% dos homens só procuram ajuda médica quando já apresentam sintomas. Além disso, apenas 32% dos homens acima de 40 anos afirmam estar realmente atentos ao próprio bem-estar.
     
  • 2. Impacto direto na expectativa de vida: Segundo a Tábua de Mortalidade 2022 do IBGE, os homens vivem, em média, sete anos a menos do que as mulheres (72 anos para eles contra 79 anos para elas).
     
  • 3. Alta mortalidade por eventos vasculares: Números do Datasus apontam que, de janeiro a maio de 2026, mais de 17 mil homens faleceram em decorrência de AVCs, infartos e insuficiência cardíaca — um volume 11,8% superior ao registrado entre as mulheres no mesmo período.

"Com homens procurando menos os serviços de saúde para diagnóstico precoce, é muito provável que esses pacientes, quando finalmente chegarem ao ambiente hospitalar, já estejam em estágio crítico", analisa Márcio Nunes, coordenador técnico do São Marcos Saúde e Medicina, marca Dasa em Minas Gerais.


Avanços diagnósticos e mapeamento genético

A prevenção vai além de consultas básicas. O cardiologista Alex Félix, da clínica CDPI (Dasa/RJ), ressalta que exames como teste ergométrico, escore de cálcio coronariano, angiotomografia de artérias coronárias, Doppler de carótidas e ecocardiograma permitem identificar a aterosclerose e disfunções cardíacas de forma silenciosa e precoce.

Para os casos de infarto precoce sem fatores de risco tradicionais, a genética desempenha papel fundamental. "Muitas pessoas não se enquadram nos critérios tradicionais de risco e, por isso, não são investigadas. Quando existe uma carga genética importante, o primeiro sinal pode ser justamente um evento grave", explica Marcelo Bittencourt, cardiologista da Dasa Genômica.

O Escore de Risco Poligênico surge como ferramenta complementar para analisar milhares de variantes genéticas e antecipar o risco coronariano.


Guia de prevenção: check-up por faixa etária

A endocrinologista Maria Helane Gurgel, diretora médica dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, destaca que a rotina contínua de exames deve acompanhar as diferentes fases da vida:

  • De 20 a 30 anos: Avaliações laboratoriais básicas (hemograma completo, perfil lipídico, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, TSH, função hepática e renal, dosagem de lipoproteína (a)), aferição da pressão arterial (MAPA, se necessário) e medição de composição corporal via IMC e densitometria de corpo total (DEXA).
  • De 35 a 40 anos: Rastreio cardiológico aprofundado para pacientes com histórico familiar ou fatores de risco (tabagismo, sedentarismo, diabetes, hipertensão, obesidade), incluindo teste ergométrico, teste cardiopulmonar, ecocardiograma, Doppler de carótidas e tomografias coronarianas.
  • De 45 a 50 anos: Foco na investigação oncológica com dosagem de PSA total e livre, exame de toque retal e ultrassonografia de próstata (quando indicados), além de colonoscopia para detecção de câncer de cólon e reto e ultrassom de abdômen total.

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