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| Adultos, crianças e gestantes expostos ao chamado fumo passivo podem desenvolver problemas respiratórios e cardiovasculares |
Embora seja frequentemente associado apenas aos fumantes, o tabagismo também coloca em risco a saúde de quem convive com a fumaça do cigarro. Adultos, crianças e gestantes expostos ao chamado fumo passivo podem desenvolver problemas respiratórios e cardiovasculares e, com a exposição frequente e prolongada, até aumentar o risco de alguns tipos de câncer. No Dia Nacional de Combate ao Fumo, especialistas alertam que não existe um nível seguro de exposição e reforçam a importância de ambientes livres de fumaça.
Segundo o oncologista Frederico Rocha, médico do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), a ciência já estabeleceu uma relação clara entre o tabagismo passivo e o desenvolvimento de câncer de pulmão em pessoas que nunca fumaram. "O câncer com associação mais bem estabelecida é o câncer de pulmão. A fumaça do cigarro é reconhecida como cancerígena e aumenta o risco dessa doença mesmo em pessoas que nunca fumaram. Há ainda evidências de associação com câncer da cavidade nasal e dos seios paranasais. O risco depende da intensidade e do tempo de exposição, sendo maior quanto mais frequente e prolongado for o contato com a fumaça", explica.
A exposição involuntária acontece quando uma
pessoa respira a fumaça liberada pelo cigarro ou exalada pelo fumante. Embora
os efeitos mais graves, como o câncer, estejam relacionados ao contato contínuo
ao longo dos anos, especialistas alertam que não existe um período de exposição
considerado seguro. "Não existe um tempo mínimo considerado seguro. Mesmo
exposições breves podem causar alterações no organismo, principalmente no
sistema cardiovascular e respiratório. Já doenças como o câncer estão
relacionadas ao efeito acumulado da exposição ao longo dos anos", destaca
o médico.
Crianças e gestantes estão entre os
mais vulneráveis
Os efeitos da fumaça do cigarro são ainda mais preocupantes para grupos mais sensíveis, como crianças e gestantes. A exposição pode favorecer infecções respiratórias, agravar quadros de asma, aumentar o risco de otites e comprometer o desenvolvimento do bebê durante a gestação.
Além disso, medidas adotadas por muitos fumantes,
como fumar na varanda ou em áreas parcialmente abertas, não eliminam
completamente o risco para quem convive no ambiente. "Embora a fumaça se
disperse mais rapidamente em locais abertos, pessoas próximas ao fumante ainda
podem ser expostas a substâncias tóxicas, especialmente em áreas cobertas ou
com pouca circulação de ar. Abrir janelas ou fumar na varanda não elimina o risco
para quem convive no ambiente", ressalta o especialista.
Parar de fumar protege toda a família
Apesar dos desafios para abandonar o cigarro, atualmente existem diferentes estratégias que aumentam as chances de sucesso, como acompanhamento médico, terapia comportamental, reposição de nicotina e medicamentos específicos, indicados conforme a necessidade de cada paciente.
"Parar de fumar é um processo que pode exigir
apoio profissional. Atualmente, o tratamento pode incluir acompanhamento
médico, terapia comportamental, reposição de nicotina, por meio de adesivos,
gomas e pastilhas, e medicamentos específicos, quando indicados. Buscar ajuda
aumenta significativamente as chances de sucesso", afirma.
Para o oncologista, deixar o cigarro representa um
benefício coletivo, já que protege não apenas a saúde do fumante, mas também de
todas as pessoas ao seu redor. "Fumar não prejudica apenas quem fuma. A
fumaça também expõe familiares, amigos, colegas de trabalho e, principalmente,
crianças e gestantes a riscos importantes para a saúde. Parar de fumar é uma
decisão que protege não apenas o próprio fumante, mas também todas as pessoas
ao seu redor", conclui.
Instituto de Oncologia de Sorocaba

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