sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Fumo passivo: mesmo quem nunca acendeu um cigarro pode sofrer as consequências do tabagism

 

Adultos, crianças e gestantes expostos ao chamado fumo passivo
 podem desenvolver problemas respiratórios e cardiovasculares

Embora seja frequentemente associado apenas aos fumantes, o tabagismo também coloca em risco a saúde de quem convive com a fumaça do cigarro. Adultos, crianças e gestantes expostos ao chamado fumo passivo podem desenvolver problemas respiratórios e cardiovasculares e, com a exposição frequente e prolongada, até aumentar o risco de alguns tipos de câncer. No Dia Nacional de Combate ao Fumo, especialistas alertam que não existe um nível seguro de exposição e reforçam a importância de ambientes livres de fumaça.

Segundo o oncologista Frederico Rocha, médico do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), a ciência já estabeleceu uma relação clara entre o tabagismo passivo e o desenvolvimento de câncer de pulmão em pessoas que nunca fumaram. "O câncer com associação mais bem estabelecida é o câncer de pulmão. A fumaça do cigarro é reconhecida como cancerígena e aumenta o risco dessa doença mesmo em pessoas que nunca fumaram. Há ainda evidências de associação com câncer da cavidade nasal e dos seios paranasais. O risco depende da intensidade e do tempo de exposição, sendo maior quanto mais frequente e prolongado for o contato com a fumaça", explica.

A exposição involuntária acontece quando uma pessoa respira a fumaça liberada pelo cigarro ou exalada pelo fumante. Embora os efeitos mais graves, como o câncer, estejam relacionados ao contato contínuo ao longo dos anos, especialistas alertam que não existe um período de exposição considerado seguro. "Não existe um tempo mínimo considerado seguro. Mesmo exposições breves podem causar alterações no organismo, principalmente no sistema cardiovascular e respiratório. Já doenças como o câncer estão relacionadas ao efeito acumulado da exposição ao longo dos anos", destaca o médico.


Crianças e gestantes estão entre os mais vulneráveis

Os efeitos da fumaça do cigarro são ainda mais preocupantes para grupos mais sensíveis, como crianças e gestantes. A exposição pode favorecer infecções respiratórias, agravar quadros de asma, aumentar o risco de otites e comprometer o desenvolvimento do bebê durante a gestação.

Além disso, medidas adotadas por muitos fumantes, como fumar na varanda ou em áreas parcialmente abertas, não eliminam completamente o risco para quem convive no ambiente. "Embora a fumaça se disperse mais rapidamente em locais abertos, pessoas próximas ao fumante ainda podem ser expostas a substâncias tóxicas, especialmente em áreas cobertas ou com pouca circulação de ar. Abrir janelas ou fumar na varanda não elimina o risco para quem convive no ambiente", ressalta o especialista.


Parar de fumar protege toda a família

Apesar dos desafios para abandonar o cigarro, atualmente existem diferentes estratégias que aumentam as chances de sucesso, como acompanhamento médico, terapia comportamental, reposição de nicotina e medicamentos específicos, indicados conforme a necessidade de cada paciente.

"Parar de fumar é um processo que pode exigir apoio profissional. Atualmente, o tratamento pode incluir acompanhamento médico, terapia comportamental, reposição de nicotina, por meio de adesivos, gomas e pastilhas, e medicamentos específicos, quando indicados. Buscar ajuda aumenta significativamente as chances de sucesso", afirma.

Para o oncologista, deixar o cigarro representa um benefício coletivo, já que protege não apenas a saúde do fumante, mas também de todas as pessoas ao seu redor. "Fumar não prejudica apenas quem fuma. A fumaça também expõe familiares, amigos, colegas de trabalho e, principalmente, crianças e gestantes a riscos importantes para a saúde. Parar de fumar é uma decisão que protege não apenas o próprio fumante, mas também todas as pessoas ao seu redor", conclui.

  

Instituto de Oncologia de Sorocaba


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