Avaliação dos dois parceiros desde o início pode
reduzir o tempo até o diagnóstico; especialista explica quando exames genéticos
podem ajudar a identificar as causas
Quando
um casal encontra dificuldades para engravidar, a investigação ainda costuma se
concentrar inicialmente na mulher. No entanto, o fator masculino está presente
em mais da metade dos casos de infertilidade, quando consideradas tanto as
causas exclusivamente relacionadas ao homem quanto aquelas associadas a fatores
femininos.
A
demora para incluir o parceiro na avaliação pode prolongar o caminho até o
diagnóstico e submeter a mulher a diferentes consultas e exames antes que a
saúde reprodutiva masculina seja analisada. A recomendação é que os dois
parceiros sejam avaliados de forma simultânea desde o início da investigação.
“Ainda existe a percepção de que a investigação deve começar pela mulher, mas a infertilidade precisa ser analisada sob a perspectiva do casal. Quando o homem é avaliado apenas depois de meses de tentativas ou após a exclusão de outras hipóteses, o processo pode se tornar mais longo do que o necessário”, explica o Dr. Guilherme Lugo, diretor médico da Bioma Genetics.
Uma em cada seis pessoas enfrentará infertilidade
A
infertilidade é mais comum do que muitas pessoas imaginam. Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de uma em cada seis pessoas enfrentará essa
condição ao longo da vida.
No
Brasil, aproximadamente 17% dos casais em idade reprodutiva têm dificuldade
para conceber, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH). Em cerca de 20% dos casos, a causa está
exclusivamente relacionada ao homem. Quando também são consideradas as
situações em que fatores masculinos e femininos estão associados, a
participação do homem supera 50%.
Apesar
desses números, a dificuldade para engravidar ainda é frequentemente associada
à mulher. A falta de informação e o receio de que a infertilidade seja
interpretada como sinal de perda de masculinidade podem fazer com que alguns
homens adiem a procura por atendimento.
Segundo
a SBRH, a busca por atendimento especializado é recomendada após 12 meses de
tentativas sem sucesso. Quando a mulher tem 35 anos ou mais, esse prazo é
reduzido para seis meses. A avaliação simultânea dos parceiros favorece a
identificação precoce dos fatores relacionados à dificuldade para conceber e
evita que o processo se concentre em apenas uma das partes.
As
causas da infertilidade masculina são variadas e podem estar relacionadas a
alterações na produção ou na qualidade dos espermatozoides, desequilíbrios hormonais,
condições anatômicas, doenças anteriores, infecções, hábitos de vida e fatores
genéticos. Por esse motivo, a análise pode envolver diferentes exames e
informações clínicas, de acordo com as características e o histórico de cada
paciente.
Nos
últimos anos, os avanços da medicina reprodutiva ampliaram os recursos
disponíveis para esclarecer situações que antes permaneciam sem uma causa
definida. Entre essas ferramentas estão os testes genéticos, indicados em
circunstâncias específicas para complementar os achados clínicos e fornecer
informações que apoiem a decisão médica.
“Os
exames genéticos não são necessários para todos os pacientes, mas podem
oferecer um suporte importante em determinadas situações. Eles complementam a
avaliação clínica e ajudam a esclarecer causas que nem sempre são identificadas
pelos métodos convencionais”, afirma Lugo.
Esses
testes podem ser recomendados diante da suspeita de alterações hereditárias ou
quando os exames iniciais não explicam a dificuldade para engravidar. Tanto a
indicação quanto a interpretação dos resultados devem ser conduzidas pelo
médico responsável, considerando o histórico e as particularidades de cada
paciente.
Com
o avanço da medicina reprodutiva, especialistas reforçam que ampliar a atenção
à infertilidade masculina é tão importante quanto incorporar novas tecnologias
ao diagnóstico. Avaliar os dois parceiros desde o início proporciona uma
compreensão mais completa do caso, reduz o tempo até a identificação das
possíveis causas e contribui para decisões mais ágeis e individualizadas.
Bioma
Genetics
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