sábado, 1 de agosto de 2026

É preciso cortar ou raspar o cabelo para fazer lifting facial?

Gerado por IA
Preparação adequada ajuda a proteger a linha capilar, as incisões e o couro cabeludo durante a cicatrização

 

Um dos medos mais comuns entre quem cogita um lifting facial é imaginar sair do centro cirúrgico com partes do cabelo raspadas. A boa notícia é que, na maioria dos casos, isso não acontece, mas a preparação capilar antes da cirurgia tem importância para a segurança do procedimento e para o resultado final.

Como os cortes podem avançar por regiões próximas ao couro cabeludo e contornar estruturas laterais da face, a higiene adequada nos dias que antecedem o procedimento reduz resíduos perto da área operada. Esse planejamento também previne irritações, tração excessiva sobre os fios e complicações durante a recuperação.

“Não é preciso raspar os fios antes do procedimento. Quando uma remoção se torna necessária para facilitar o acesso, essa etapa é realizada pela equipe médica, com técnica adequada e apenas no local indicado. O paciente não deve usar lâmina nas têmporas, na nuca ou ao redor das orelhas”, explica o cirurgião plástico David Di Sessa, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Na consulta pré-operatória, entram na conversa detalhes que muitos pacientes nem imaginam ser relevantes, como queda de cabelo, dermatite, psoríase, foliculite, feridas, coceira e sensibilidade no couro cabeludo. Histórico de transplante capilar, uso de próteses, mega hair, tranças firmes, perucas e até o uso de minoxidil também precisam ser informados ao cirurgião.

“Esses dados orientam a posição das incisões e ajudam a preservar a linha capilar, as costeletas e a densidade dos fios na região operada. Cada detalhe precisa ser considerado antes da cirurgia, porque o planejamento varia de acordo com a anatomia, o tipo de cabelo e o histórico de cada paciente”, explica Di Sessa.

Química no cabelo, por sua vez, entra na lista de restrições. “Tintura, descoloração, progressiva, relaxamento e outros processos químicos não devem ser realizados perto da data da operação. Esses produtos podem provocar ardência, descamação ou pequenas lesões, justamente em regiões próximas aos cortes. O intervalo seguro depende da técnica escolhida, das condições da pele e do exame individual”, orienta o cirurgião.

Na véspera ou na manhã do procedimento, conforme orientação da equipe, os fios devem ser lavados com xampu suave e permanecer completamente secos. Condicionador aplicado na raiz, máscaras, óleos, leave-in, gel, pomada, spray fixador e xampu a seco ficam fora da rotina. Presilhas, tiaras, acessórios metálicos e elásticos apertados também precisam ser retirados antes da internação.

No protocolo adotado pelo cirurgião, a higienização pós-operatória começa antes mesmo de a paciente deixar o centro cirúrgico. Ao término do lifting facial, ainda na sala de cirurgia, a equipe realiza a lavagem dos cabelos para retirar resíduos e manter os fios limpos, sem que a paciente precise manipular a região operada.

“Eu prefiro entregar a paciente com o cabelo limpo já na saída da cirurgia. No dia seguinte ou após 48 horas, conforme cada caso, uma terapeuta capilar vinculada à fisioterapia vai até a residência para realizar uma nova lavagem, com movimentos controlados e atenção às incisões, aos pontos e aos curativos”, detalha o médico.

Esse acompanhamento domiciliar reduz a necessidade de deslocamento nas primeiras horas de recuperação e permite que a higiene seja feita por uma profissional preparada para lidar com as limitações do pós-operatório. Durante a lavagem, são evitados movimentos bruscos, água muito quente, pressão direta sobre os cortes e tração nas áreas próximas às orelhas e ao couro cabeludo.

Fontes de calor também merecem atenção nesse período. “A sensibilidade do couro cabeludo e das áreas laterais da cabeça pode ficar reduzida temporariamente. Secador quente, chapinha, babyliss e escova térmica aumentam o risco de queimadura sem percepção imediata. A retomada deve ocorrer de forma gradual, com temperatura baixa e autorização médica”, explica David Di Sessa.

De acordo com o médico, uma das perguntas mais frequentes no pós-operatório envolve o momento adequado para retornar ao salão de beleza. Lavatórios tradicionais podem forçar o pescoço, pressionar a nuca e causar atrito na região operada, enquanto massagens e escovas firmes aumentam a tensão sobre os tecidos em cicatrização.

“Coloração, descoloração e alisamento só devem voltar à rotina depois do fechamento completo dos cortes, da retirada das suturas e do aval do cirurgião. Mesmo quando o paciente já se sente bem, a pele continua em recuperação, por isso a liberação precisa considerar a evolução das incisões e a sensibilidade da região”, esclarece.

Alguns sintomas exigem contato imediato com a equipe médica, como aumento repentino do inchaço, dor intensa, sangramento persistente, secreção, mau cheiro, febre, abertura da pele ou escurecimento do tecido. A queda localizada de cabelo perto das incisões pode ocorrer e costuma ser temporária, mas merece avaliação quando aparece acompanhada de inflamação.

“O cuidado individualizado com o couro cabeludo faz parte da recuperação do lifting facial. Quando a higiene é realizada no momento correto, por profissionais treinados e sem pressão sobre as áreas operadas, conseguimos proteger as incisões, oferecer mais conforto ao paciente e favorecer uma cicatrização mais segura e previsível”, conclui Di Sessa.

 


David Di Sessa - CRM-SP 112566 - RQE 32162 -médico cirurgião plástico, graduado pela Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), com residência em Cirurgia Plástica em Campinas e estágio de aperfeiçoamento na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, sob orientação do professor Ivo Pitanguy. Com mais de 15 anos de experiência e mais de 5 mil procedimentos realizados, atua com foco em resultados naturais e na melhora da qualidade de vida dos pacientes, realizando cirurgias plásticas faciais, corporais e das mamas. É membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), da American Society of Plastic Surgeons (ASPS), da Associação Paulista de Medicina (APM) e da Associação Médica Brasileira (AMB).
Instagram: @daviddisessa


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