Preparação
adequada ajuda a proteger a linha capilar, as incisões e o couro cabeludo
durante a cicatrização
Gerado por IA
Um dos medos mais comuns entre quem cogita um
lifting facial é imaginar sair do centro cirúrgico com partes do cabelo
raspadas. A boa notícia é que, na maioria dos casos, isso não acontece, mas a
preparação capilar antes da cirurgia tem importância para a segurança do
procedimento e para o resultado final.
Como os cortes podem avançar por regiões próximas
ao couro cabeludo e contornar estruturas laterais da face, a higiene adequada
nos dias que antecedem o procedimento reduz resíduos perto da área operada.
Esse planejamento também previne irritações, tração excessiva sobre os fios e
complicações durante a recuperação.
“Não é preciso raspar os fios antes do
procedimento. Quando uma remoção se torna necessária para facilitar o acesso,
essa etapa é realizada pela equipe médica, com técnica adequada e apenas no
local indicado. O paciente não deve usar lâmina nas têmporas, na nuca ou ao
redor das orelhas”, explica o cirurgião plástico David Di Sessa, membro da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Na consulta pré-operatória, entram na conversa
detalhes que muitos pacientes nem imaginam ser relevantes, como queda de
cabelo, dermatite, psoríase, foliculite, feridas, coceira e sensibilidade no
couro cabeludo. Histórico de transplante capilar, uso de próteses, mega hair,
tranças firmes, perucas e até o uso de minoxidil também precisam ser informados
ao cirurgião.
“Esses dados orientam a posição das incisões e
ajudam a preservar a linha capilar, as costeletas e a densidade dos fios na
região operada. Cada detalhe precisa ser considerado antes da cirurgia, porque
o planejamento varia de acordo com a anatomia, o tipo de cabelo e o histórico
de cada paciente”, explica Di Sessa.
Química no cabelo, por sua vez, entra na lista de
restrições. “Tintura, descoloração, progressiva, relaxamento e outros processos
químicos não devem ser realizados perto da data da operação. Esses produtos
podem provocar ardência, descamação ou pequenas lesões, justamente em regiões
próximas aos cortes. O intervalo seguro depende da técnica escolhida, das
condições da pele e do exame individual”, orienta o cirurgião.
Na véspera ou na manhã do procedimento, conforme
orientação da equipe, os fios devem ser lavados com xampu suave e permanecer
completamente secos. Condicionador aplicado na raiz, máscaras, óleos, leave-in,
gel, pomada, spray fixador e xampu a seco ficam fora da rotina. Presilhas,
tiaras, acessórios metálicos e elásticos apertados também precisam ser
retirados antes da internação.
No protocolo adotado pelo cirurgião, a higienização
pós-operatória começa antes mesmo de a paciente deixar o centro cirúrgico. Ao
término do lifting facial, ainda na sala de cirurgia, a equipe realiza a
lavagem dos cabelos para retirar resíduos e manter os fios limpos, sem que a
paciente precise manipular a região operada.
“Eu prefiro entregar a paciente com o cabelo limpo
já na saída da cirurgia. No dia seguinte ou após 48 horas, conforme cada caso,
uma terapeuta capilar vinculada à fisioterapia vai até a residência para
realizar uma nova lavagem, com movimentos controlados e atenção às incisões,
aos pontos e aos curativos”, detalha o médico.
Esse acompanhamento domiciliar reduz a necessidade
de deslocamento nas primeiras horas de recuperação e permite que a higiene seja
feita por uma profissional preparada para lidar com as limitações do
pós-operatório. Durante a lavagem, são evitados movimentos bruscos, água muito
quente, pressão direta sobre os cortes e tração nas áreas próximas às orelhas e
ao couro cabeludo.
Fontes de calor também merecem atenção nesse
período. “A sensibilidade do couro cabeludo e das áreas laterais da cabeça pode
ficar reduzida temporariamente. Secador quente, chapinha, babyliss e escova
térmica aumentam o risco de queimadura sem percepção imediata. A retomada deve
ocorrer de forma gradual, com temperatura baixa e autorização médica”, explica
David Di Sessa.
De acordo com o médico, uma das perguntas mais
frequentes no pós-operatório envolve o momento adequado para retornar ao salão
de beleza. Lavatórios tradicionais podem forçar o pescoço, pressionar a nuca e
causar atrito na região operada, enquanto massagens e escovas firmes aumentam a
tensão sobre os tecidos em cicatrização.
“Coloração, descoloração e alisamento só devem
voltar à rotina depois do fechamento completo dos cortes, da retirada das
suturas e do aval do cirurgião. Mesmo quando o paciente já se sente bem, a pele
continua em recuperação, por isso a liberação precisa considerar a evolução das
incisões e a sensibilidade da região”, esclarece.
Alguns sintomas exigem contato imediato com a
equipe médica, como aumento repentino do inchaço, dor intensa, sangramento
persistente, secreção, mau cheiro, febre, abertura da pele ou escurecimento do
tecido. A queda localizada de cabelo perto das incisões pode ocorrer e costuma
ser temporária, mas merece avaliação quando aparece acompanhada de inflamação.
“O cuidado individualizado com o couro cabeludo faz
parte da recuperação do lifting facial. Quando a higiene é realizada no momento
correto, por profissionais treinados e sem pressão sobre as áreas operadas,
conseguimos proteger as incisões, oferecer mais conforto ao paciente e
favorecer uma cicatrização mais segura e previsível”, conclui Di Sessa.
David Di Sessa - CRM-SP 112566 - RQE 32162 -médico cirurgião plástico, graduado pela Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), com residência em Cirurgia Plástica em Campinas e estágio de aperfeiçoamento na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, sob orientação do professor Ivo Pitanguy. Com mais de 15 anos de experiência e mais de 5 mil procedimentos realizados, atua com foco em resultados naturais e na melhora da qualidade de vida dos pacientes, realizando cirurgias plásticas faciais, corporais e das mamas. É membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), da American Society of Plastic Surgeons (ASPS), da Associação Paulista de Medicina (APM) e da Associação Médica Brasileira (AMB).
Instagram: @daviddisessa
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