Ortopedista explica quando dor, peso ou fraqueza nas pernas ao caminhar podem estar ligados à coluna
A dificuldade para caminhar em idosos nem sempre está relacionada apenas ao envelhecimento, à falta de condicionamento físico ou a problemas circulatórios. Em alguns casos, a dor lombar, o peso nas pernas, a dormência ou a necessidade de parar várias vezes durante uma caminhada podem ser sinais de estenose do canal lombar, condição em que ocorre um estreitamento do canal por onde passam estruturas nervosas da coluna.
Segundo o Dr. André Evaristo Marcondes, ortopedista especializado em coluna, a estenose lombar costuma estar associada ao processo degenerativo da coluna e pode comprometer a mobilidade e a qualidade de vida, especialmente em pessoas mais velhas.
“Um sinal bastante característico é o paciente sentir dor, peso, cansaço ou formigamento nas pernas ao caminhar e melhorar quando senta ou inclina o tronco para frente. Muitas vezes, a pessoa começa a reduzir os deslocamentos, evita sair de casa e passa a atribuir isso apenas à idade, quando pode haver uma compressão dos nervos na coluna”, explica.
A condição pode provocar dor lombar, dor irradiada para glúteos e pernas, sensação de fraqueza, dormência, formigamento e limitação progressiva para andar. Em alguns casos, o paciente relata que consegue pedalar ou caminhar apoiado no carrinho do supermercado, mas sente piora quando precisa andar ereto por mais tempo.
“Esse padrão ajuda a diferenciar a estenose lombar de outras causas de dor nas pernas. Ainda assim, é fundamental avaliar o paciente como um todo, porque idosos também podem ter problemas vasculares, articulares ou musculares associados”, afirma o especialista.
O diagnóstico é feito a partir da história clínica, exame físico e exames de imagem quando indicados. O tratamento depende da intensidade dos sintomas e do impacto na rotina. Em casos leves ou moderados, pode envolver fisioterapia, fortalecimento muscular, controle da dor, ajustes de atividade e acompanhamento. Quando há limitação importante, piora progressiva ou falha do tratamento conservador, a cirurgia pode ser considerada.
“Nem todo paciente com estenose lombar precisa operar. A decisão
depende dos sintomas, do grau de limitação e da resposta ao tratamento. O mais
importante é não normalizar a perda progressiva da capacidade de caminhar”,
orienta Marcondes.
Sinais como dor persistente, dormência frequente, perda de força, dificuldade para caminhar distâncias cada vez menores ou alteração no controle urinário e intestinal devem motivar avaliação médica.
“Envelhecer não significa aceitar dor ou perda de mobilidade como algo inevitável. Quando a pessoa começa a deixar de caminhar, sair ou realizar atividades simples por causa da dor nas costas ou nas pernas, é hora de investigar”, conclui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário