quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Do veranico ao frio: farmacêutico indica cuidados naturais


Depois de dias com temperaturas mais altas em pleno inverno, típicas dos chamados veranicos, o frio voltou a aparecer. E quando o termômetro muda rapidamente, muita gente percebe o corpo reagir: nariz entupido, espirros, garganta ressecada, indisposição e aquela sensação popular de que “a imunidade baixou”.

Mas será que passar do calor para o frio em poucos dias realmente enfraquece nossas defesas?

Segundo o farmacêutico homeopata Jamar Tejada, é importante não colocar toda a culpa no termômetro. A mudança de temperatura, isoladamente, não causa gripe ou resfriado. Essas doenças são provocadas por vírus. O que muda é o conjunto de condições ambientais e comportamentais que acompanha a chegada do frio.

“Saímos de dias quentes, nos quais as pessoas ficam mais tempo ao ar livre e mantêm os ambientes abertos, para dias em que fechamos portas e janelas e permanecemos mais próximos uns dos outros. Ao mesmo tempo, o ar seco e as mudanças ambientais podem aumentar o desconforto das vias respiratórias. É essa combinação que precisa ser observada”, explica Jamar.
 

O organismo precisa se adaptar

Nosso corpo trabalha constantemente para manter sua temperatura interna dentro de uma faixa adequada. Quando o ambiente esfria, mecanismos fisiológicos entram em ação para conservar calor.

Nas vias respiratórias, a história é um pouco diferente. O nariz tem, entre suas funções, aquecer, umidificar e filtrar o ar antes que ele chegue aos pulmões.

Quando o ar está frio e seco, algumas pessoas podem apresentar maior ressecamento e irritação das mucosas. Quem já sofre com rinite ou outras condições respiratórias pode perceber ainda mais a mudança.

“É comum ouvir: ‘Ontem estava calor e hoje esfriou, por isso fiquei gripado’. Não necessariamente. Espirro, coriza e nariz entupido também podem estar relacionados à rinite e à irritação das mucosas. Para existir gripe, é necessário haver infecção pelo vírus influenza”, ressalta o farmacêutico.
 

Frio não causa gripe, mas muda nosso comportamento

Existe outra razão para associarmos tanto frio e doenças respiratórias.

Quando as temperaturas caem, passamos mais tempo em locais fechados e menos ventilados. Se houver uma pessoa infectada nesses espaços, a proximidade pode favorecer a transmissão de vírus respiratórios.

Por isso, algumas atitudes continuam importantes: manter a vacinação recomendada em dia, ventilar os ambientes, higienizar as mãos e evitar compartilhar objetos de uso pessoal.

E existe um cuidado básico frequentemente esquecido no frio: beber água.

“Quando esfria, muitas pessoas sentem menos sede e diminuem bastante a ingestão de líquidos. Mas hidratação continua sendo fundamental, inclusive para o conforto das mucosas”, explica Jamar.


Chá ajuda a “aumentar a imunidade”?

Com a queda da temperatura, chaleiras e canecas voltam à rotina. Gengibre, limão, camomila, hortelã e outras plantas são frequentemente procurados com a promessa de “aumentar a imunidade”.

Jamar faz uma ressalva importante: não existe um chá capaz de criar uma barreira contra gripes e resfriados.

Isso não significa que a bebida não possa ser uma aliada.

“Uma bebida quente pode contribuir para a hidratação e trazer conforto para quem está com a garganta irritada ou sentindo os efeitos do frio. O problema começa quando tratamos o chá como se fosse um medicamento capaz de impedir uma infecção”, afirma. 

Entre as opções que podem fazer parte da rotina estão:

Gengibre: pode ser utilizado em infusões e proporciona uma bebida aromática e aquecida. Pessoas que utilizam medicamentos regularmente ou apresentam determinadas condições de saúde devem conversar com um profissional antes de consumir grandes quantidades ou preparações concentradas.

Camomila: tradicionalmente utilizada como bebida associada a relaxamento e pode ser uma opção no período noturno.

Hortelã: bastante utilizada após refeições e em bebidas quentes, principalmente por seu aroma e sensação refrescante.

Limão: pode ser acrescentado às bebidas e contribui nutricionalmente, inclusive como fonte de vitamina C, mas não deve ser apresentado como tratamento ou prevenção isolada de infecções.

“Quando falamos de imunidade, precisamos pensar no conjunto: alimentação adequada, sono, atividade física, vacinação, controle do estresse e tratamento correto das doenças existentes. Não existe um ingrediente isolado que substitua tudo isso”, reforça Jamar.
 

Cuidado com a farmacinha quando o tempo vira

É comum que a mudança brusca de temperatura venha acompanhada de outro comportamento: a automedicação.

Descongestionantes nasais, antialérgicos, xaropes e até antibióticos que sobraram de tratamentos anteriores acabam sendo utilizados sem avaliação.

Esse hábito merece atenção.

Antibióticos não tratam gripe ou resfriado, que são causados por vírus. Descongestionantes vasoconstritores também não devem ser usados indiscriminadamente, porque podem provocar efeitos adversos e, quando utilizados inadequadamente por períodos prolongados, piorar a congestão nasal.

“Antes de tomar alguma coisa porque ‘o tempo virou’, precisamos entender o que está acontecendo. Uma rinite, um resfriado e uma gripe podem compartilhar alguns sintomas, mas não são a mesma coisa”, alerta Jamar.
 

Jamar Tejada - Farmacêutico graduado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica pela Universidade Luterana do Brasil, RS (ULBRA), Pós-Graduação em Gestão em Comunicação Estratégica Organizacional e Relações Públicas pela USP (Universidade de São Paulo), Pós-Graduação em Medicina Esportiva pela (FAPES), Pós-Graduação em Comunicação com o Mercado pela ESPM, Pós-Graduação em Formação para Dirigentes Industriais com Ênfase em Qualidade Total - Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-(UFRGS) e Pós-Graduação em Ciências Homeopáticas pelas Faculdades Associadas de Ciências da Saúde. Proprietário e Farmacêutico Responsável da ANJO DA GUARDA Farmácia de manipulação e homeopatia desde agosto 2008. tejard

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário