A chegada de um filho muda a rotina, a dinâmica do casal e a forma como a família se organiza. Nos primeiros anos da maternidade, o parceiro é apontado pelas mães como a principal pessoa com quem podem contar. Ainda assim, a responsabilidade pelos cuidados diários permanece concentrada, em grande parte, nas mulheres.
Esse é um dos resultados da pesquisa "Mulher
e Agora Mãe – Volume II", realizada pelo CineMaterna em
parceria com a NOZ Inteligência, com 1.138 mulheres, mães ou responsáveis por crianças
de até 2 anos, de todas as regiões do país.
Entre as entrevistadas, 71%
afirmam que o parceiro é seu principal apoio nos cuidados com o
bebê. Apesar disso, 77% concentram a maior parte dos cuidados com os
filhos, seja porque cuidam sozinhas na maior parte do tempo
(19%) ou porque continuam sendo as principais responsáveis, mesmo contando com
a participação do parceiro (58%). Apenas 21% relatam uma divisão mais equilibrada dos cuidados.
A parceria existe, mas a divisão do cuidado ainda é desigual
A pesquisa mostra que o desafio não
está apenas na presença do pai, mas na forma como o cuidado é compartilhado no
dia a dia.
Mesmo entre as mães que estão
trabalhando, 71% seguem como as principais responsáveis pelos filhos.
Entre aquelas que não exercem atividade profissional, esse percentual chega a 88%,
indicando que a concentração dos cuidados permanece elevada em diferentes
contextos familiares.
Para Mirian Rodrigues, presidente do
CineMaterna: "O parceiro ocupa um lugar central na experiência da maternidade,
mas a pesquisa mostra que isso nem sempre significa uma divisão equilibrada das
responsabilidades. O desafio da parentalidade é construir uma rotina em que o
cuidado deixe de ser atribuído principalmente à mãe e passe a ser efetivamente
compartilhado."
Quando o parceiro não está presente
A pesquisa também evidencia
diferenças importantes entre os perfis das mães. 13% das
entrevistadas se identificam como mães solo, proporção que sobe
para 18% entre as mulheres com renda familiar de até R$ 7,5 mil
e para 20% entre aquelas com ensino fundamental incompleto,
mostrando que a maternidade solo está mais presente em contextos de maior
vulnerabilidade social.
Para Juliana Vanin, economista e
consultora executiva da NOZ Inteligência" Quando a ausência de um parceiro
se combina com menor renda e escolaridade, ela frequentemente se soma a outras
vulnerabilidades, ampliando os desafios da maternidade e reforçando a
importância de políticas públicas e redes de apoio para essas mulheres."
Paternidade também transforma a relação do casal
A chegada de um filho não impacta
apenas a rotina, mas também o relacionamento.
Entre as mães casadas ou em união
estável, 22% afirmam que ficaram mais próximas e conectadas ao parceiro,
enquanto 45% dizem que o relacionamento mudou, mas permaneceu equilibrado.
Por outro lado, 33% relatam que houve mais conflitos ou distanciamento
após o nascimento do bebê.
Os dados sugerem que a parentalidade
inaugura uma nova dinâmica para o casal, exigindo diálogo, reorganização da
rotina e construção conjunta das responsabilidades. Segundo Mirian Rodrigues,
presidente do CineMaterna: "A chegada de um filho transforma profundamente
a vida do casal. É um período de muitas descobertas, mas também de adaptação.
Quando existe diálogo, parceria e divisão das responsabilidades, a experiência
tende a ser mais leve para toda a família. A paternidade também se constrói no
cuidado cotidiano."
Neste Dia dos Pais
A pesquisa convida a olhar para a
paternidade para além da presença afetiva. Os resultados mostram que o parceiro
ocupa um papel importante na vida das mães e dos filhos, mas também indicam que
ainda há espaço para avançar na divisão das responsabilidades do cuidado.
Compartilhar o cotidiano, o tempo e
as decisões relacionadas aos filhos não beneficia apenas as mães. Contribui
para relações familiares mais equilibradas e para uma experiência de parentalidade
mais saudável para todos.
Sobre a pesquisa
A pesquisa “Mulher e Agora Mãe – Volume
II” foi realizada pelo CineMaterna em parceria com a NOZ Inteligência e ouviu
1.138 mulheres com filhos de até 2 anos em todo o Brasil.
O estudo aborda temas como saúde
emocional, rede de apoio, divisão de cuidados, trabalho, lazer, relacionamento,
identidade feminina e os desafios da maternidade contemporânea.
A pesquisa completa está disponível
em:
https://www.nozinteligencia.com.br/cinematerna
Sobre os realizadores
CineMaterna
O CineMaterna é uma iniciativa de impacto social, sem fins lucrativos, que tem como propósito acolher mulheres no período da maternidade por meio da cultura. Seu trabalho busca promover o resgate social da puérpera, criando oportunidades para que mães com bebês retomem gradualmente sua vida fora de casa, em ambientes preparados e acolhedores. Além disso, o CineMaterna incentiva a troca de experiências entre mulheres sobre os desafios e vivências da maternidade, fortalecendo redes de apoio e pertencimento.
www.cinematerna.org.br/
NOZ Inteligência
A NOZ Inteligência é uma consultoria que, desde 2015, atua de forma personalizada na produção de conteúdo qualificado para empresas, projetos e causas. Combinando conhecimentos de economia comportamental, pesquisa de mercado, planejamento estratégico, financeiro e de marketing, a NOZ gera análises estratégicas para apoiar a tomada de decisões. Além da consultoria em mercado e tendências, também realiza estudos públicos sobre temas de impacto social, com o objetivo de fomentar reflexões e promover debates construtivos.
www.nozinteligencia.com.br/cinematerna2026

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