Adaptação do
ambiente, comportamento e alimentação estão entre os pontos que mais impactam o
bem-estar dos gatos
Com a presença dos gatos cada vez maior nos lares
brasileiros, cresce também o interesse dos responsáveis por informações que
contribuam para a saúde e o bem-estar dos felinos. De acordo com pesquisa do
Instituto Pet Brasil (IPB), divulgada em 2025, a população de gatos no país
aumentou 5,4% entre 2022 e 2025, passando de 29,2 milhões para 30,8 milhões de
animais. No Dia do Gato, celebrado em 8 de agosto, especialistas
reforçam que a adaptação do ambiente, o respeito aos comportamentos naturais da
espécie e uma alimentação adequada estão entre os principais cuidados para
garantir qualidade de vida aos pets.
"Cada vez mais famílias brasileiras se
encantam pelos felinos e, com isso, cresce também a preocupação em oferecer o
melhor para o pet, desde a adaptação da casa até a escolha do alimento.
Conhecer as necessidades específicas dos gatos é o primeiro passo para promover
uma convivência mais saudável e garantir seu bem-estar ao longo da vida", afirma
Kelly Carreiro, médica-veterinária da Special Dog Company.
Um dos primeiros cuidados ao adotar um gato é
preparar o ambiente antes da chegada do animal. O ideal é disponibilizar
comedouro, bebedouro, caixa de areia, arranhador e brinquedos, além de realizar
o acompanhamento veterinário para vacinação e vermifugação. No dia a dia,
alguns detalhes também fazem diferença, como por exemplo comedouros largos que
evitam desconforto nos bigodes, bebedouros do tipo fonte que estimulam a
ingestão de água, já que os gatos preferem água corrente, e uma quantidade de
caixas de areia suficientes para a quantidade de gatos que moram na casa,
o ideal é uma caixa por gato, e uma a mais, além da manutenção
adequada.
Por serem territorialistas, os felinos também
costumam arranhar móveis para marcar território e buscar locais elevados, como
prateleiras, ou esconderijos simples, como caixas de papelão, comportamento
relacionado ao instinto de observar o ambiente a partir de um local protegido.
Esse tipo de adaptação do lar é conhecido como
gatificação, prática que consiste em ajustar o ambiente doméstico para
estimular os comportamentos naturais do gato e reduzir seus níveis de estresse.
A Sociedade Internacional de Medicina Felina estabelece cinco pilares para o
bem-estar da espécie: oferecer um local seguro, acesso a múltiplos recursos
ambientais, oportunidades para expressar comportamentos naturais, interações
sociais positivas e respeito à importância do olfato. Entre as recomendações
estão a criação de esconderijos e pontos altos, a separação entre as áreas de
alimentação, hidratação e caixa de areia, além do incentivo a brincadeiras que simulam
a caça.
"Os gatos demonstram seus comportamentos
naturais quando encontram um ambiente preparado para isso. Espaços elevados,
esconderijos, arranhadores e a distribuição adequada dos recursos ajudam a
reduzir o estresse e proporcionam mais segurança ao animal. Pequenas adaptações
em casa podem fazer uma grande diferença na qualidade de vida dos
felinos", explica Kelly.
A alimentação também exerce papel fundamental no
bem-estar dos gatos. Os alimentos úmidos, como sachês e patês, contribuem para
aumentar a ingestão hídrica, hábito naturalmente reduzido entre os felinos,
favorecendo a saúde do trato urinário e auxiliando na prevenção de problemas
urinários. Além disso, oferecer diferentes texturas ainda na fase de filhote
contribui para a formação das preferências alimentares e reduz as chances de
neofobia alimentar, comportamento caracterizado pela rejeição a novos alimentos
depois da fase de vida adulta.
"A nutrição é parte essencial dos cuidados com
os gatos. Além de fornecer os nutrientes necessários, oferecer diferentes
texturas desde cedo favorece a adaptação alimentar do filhote, enquanto os
alimentos úmidos contribuem para a hidratação e para a manutenção da saúde do
trato urinário ao longo da vida", conclui Carreiro.
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