sábado, 8 de agosto de 2026

Depressão masculina no Dia dos Pais: psiquiatra lista cinco atitudes para lidar melhor com as emoções

Dr. Guido Boabaid, da GnTech, alerta para os gatilhos emocionais da data e orienta homens a enfrentarem o momento com mais acolhimento e saúde mental 


O Dia dos Pais é tradicionalmente associado a celebrações, homenagens e reuniões familiares. Mas para muitos homens, a data pode se transformar em um gatilho emocional, especialmente em situações de luto, vínculos rompidos, ausência dos filhos ou lembranças dolorosas. “Essas datas funcionam como marcadores emocionais. Elas escancaram ausências e reforçam expectativas sociais que nem sempre correspondem à realidade emocional de cada um”, explica o Dr. Guido Boabaid, médico psiquiatra e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil. 

Segundo o especialista, ainda existe uma forte pressão para que os homens, principalmente pais, mantenham uma postura emocionalmente estável e forte, o que dificulta o reconhecimento da própria vulnerabilidade e perpetua o sofrimento em silêncio. “Para muitos, o Dia dos Pais pode despertar sentimentos como solidão, nostalgia, tristeza profunda e até fracasso. E ainda há pouca abertura na sociedade para que os homens falem sobre isso”, reforça. 

Com base em sua experiência clínica e nas particularidades emocionais que a data traz, o Dr. Guido elenca cinco atitudes essenciais para que homens atravessem esse período de forma mais saudável e acolhedora. Confira, a seguir:
 

1. Reconheça e valide suas emoções

É comum que a data desperte saudade, sentimentos conflitantes e até mesmo dores profundas - e isso não deve ser motivo de vergonha e nem reprimido. “Homens ainda são menos incentivados a reconhecer e comunicar sofrimento emocional, o que pode levar à repressão, ao isolamento e ao uso de estratégias de enfrentamento disfuncionais”, reforça.
 

2. Evite o isolamento completo

Muitas vezes, a reação à dor é o afastamento. No entanto, o isolamento pode piorar o quadro emocional e intensificar sentimentos negativos como solidão e desesperança. “Homens tendem a externalizar a dor emocional por meio de comportamentos de risco ou autossabotagem, dificultando o reconhecimento por parte dos profissionais e das próprias famílias. Nesse momento, o ideal é procurar um amigo, familiar ou grupo de apoio”, explica Guido.

3. Busque apoio de outros pais

Grupos de apoio à paternidade oferecem um espaço seguro para compartilhar vivências, ter acolhimento emocional e quebrar tabus. “Esses ambientes permitem trocas honestas e acolhedoras, fortalecendo a saúde mental e os vínculos entre homens que passam por experiências semelhantes”, pontua Boabaid. 

4. Reduza o uso das redes sociais

Durante datas comemorativas como o Dia dos Pais, o excesso de postagens idealizadas para reforçar ideais de família perfeita pode intensificar comparações ou sentimentos negativos. “Se perceber que as redes estão agravando seu estado emocional, é hora de dar um tempo e focar em si”, ressalta o psiquiatra. 

5. Pratique o autocuidado com gentileza

Cuidar da saúde mental e física é essencial e deve ser feito sem culpa. O autocuidado vai além de atividades rotineiras, trata-se de reservar tempo para si, respeitar os próprios limites e cultivar hábitos que promovam bem-estar. Isso inclui desde uma alimentação equilibrada e boas noites de sono até atividades prazerosas que aliviam a tensão. O mais importante é fazer isso com gentileza consigo mesmo. “Alimente-se bem, descanse, movimente o corpo e procure espaços seguros de escuta, como a psicoterapia”, indica o psiquiatra. 

Além das dicas, o Dr. Guido lembra que o Dia dos Pais também pode ser uma oportunidade de repensar os modelos tradicionais de paternidade. “Ao abrir espaço para uma paternidade mais afetiva, vulnerável e presente, também estamos promovendo cuidado com a saúde mental dos homens. Ser forte não é sofrer sozinho e em silêncio, é saber reconhecer quando é hora de pedir ajuda”, finaliza.
 

Guido Boabaid May - Médico psiquiatra há mais de 32 anos, com mais de 115 mil consultas realizadas, mais de 1.200 pacientes em tratamento guiado com teste farmacogenético e pioneiro da farmacogenética no Brasil. Guido também é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil, com mais de 30 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro "Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025.


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