Dr. Guido Boabaid, da GnTech, alerta
para os gatilhos emocionais da data e orienta homens a enfrentarem o momento
com mais acolhimento e saúde mental
O Dia dos Pais é tradicionalmente
associado a celebrações, homenagens e reuniões familiares. Mas para muitos
homens, a data pode se transformar em um gatilho emocional, especialmente em
situações de luto, vínculos rompidos, ausência dos filhos ou lembranças
dolorosas. “Essas datas funcionam como marcadores emocionais. Elas escancaram
ausências e reforçam expectativas sociais que nem sempre correspondem à
realidade emocional de cada um”, explica o Dr. Guido Boabaid,
médico psiquiatra e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia
pioneira e líder em farmacogenética no Brasil.
Segundo o especialista, ainda existe uma forte pressão para que os
homens, principalmente pais, mantenham uma postura emocionalmente estável e forte,
o que dificulta o reconhecimento da própria vulnerabilidade e perpetua o
sofrimento em silêncio. “Para muitos, o Dia dos Pais pode despertar sentimentos
como solidão, nostalgia, tristeza profunda e até fracasso. E ainda há pouca
abertura na sociedade para que os homens falem sobre isso”, reforça.
Com base em sua experiência clínica e nas particularidades
emocionais que a data traz, o Dr. Guido elenca cinco atitudes essenciais para
que homens atravessem esse período de forma mais saudável e acolhedora.
Confira, a seguir:
1.
Reconheça e valide suas emoções
É comum que a data desperte saudade, sentimentos conflitantes e
até mesmo dores profundas - e isso não deve ser motivo de vergonha e nem
reprimido. “Homens ainda são menos incentivados a reconhecer e comunicar sofrimento
emocional, o que pode levar à repressão, ao isolamento e ao uso de estratégias
de enfrentamento disfuncionais”, reforça.
2.
Evite o isolamento completo
Muitas vezes, a reação à dor é o afastamento. No entanto, o
isolamento pode piorar o quadro emocional e intensificar sentimentos negativos
como solidão e desesperança. “Homens tendem a externalizar a dor emocional por
meio de comportamentos de risco ou autossabotagem, dificultando o
reconhecimento por parte dos profissionais e das próprias famílias. Nesse
momento, o ideal é procurar um amigo, familiar ou grupo de apoio”, explica
Guido.
3. Busque apoio de outros pais
Grupos de apoio à paternidade oferecem um espaço seguro para compartilhar vivências, ter acolhimento emocional e quebrar tabus. “Esses ambientes permitem trocas honestas e acolhedoras, fortalecendo a saúde mental e os vínculos entre homens que passam por experiências semelhantes”, pontua Boabaid.
4. Reduza o uso das redes sociais
Durante datas comemorativas como o Dia dos Pais, o excesso de postagens idealizadas para reforçar ideais de família perfeita pode intensificar comparações ou sentimentos negativos. “Se perceber que as redes estão agravando seu estado emocional, é hora de dar um tempo e focar em si”, ressalta o psiquiatra.
5.
Pratique o autocuidado com gentileza
Cuidar da saúde mental e física é essencial e deve ser feito sem
culpa. O autocuidado vai além de atividades rotineiras, trata-se de reservar
tempo para si, respeitar os próprios limites e cultivar hábitos que promovam
bem-estar. Isso inclui desde uma alimentação equilibrada e boas noites de sono
até atividades prazerosas que aliviam a tensão. O mais importante é fazer isso
com gentileza consigo mesmo. “Alimente-se bem, descanse, movimente o corpo e
procure espaços seguros de escuta, como a psicoterapia”, indica o psiquiatra.
Além das dicas, o Dr. Guido lembra que o Dia dos Pais também pode
ser uma oportunidade de repensar os modelos tradicionais de paternidade. “Ao
abrir espaço para uma paternidade mais afetiva, vulnerável e presente, também
estamos promovendo cuidado com a saúde mental dos homens. Ser forte não é
sofrer sozinho e em silêncio, é saber reconhecer quando é hora de pedir ajuda”,
finaliza.
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