Cenário político instável com o fim da ‘taxa das blusinhas’ e debate sobre escala 6x1 agravam pessimismo do empresariado
A confiança dos
empresários do comércio paulistano permaneceu na zona pessimista,
principalmente por causa da percepção das empresas de pequeno porte. De acordo
com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do
Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Índice de Confiança
do Empresário do Comércio no Município de São Paulo (ICEC), avaliado
mensalmente pela Entidade, registrou 93,9 pontos em julho —
mantendo-se estável e interrompendo uma série de cinco quedas seguidas. Na comparação
com o mesmo mês do ano passado, o recuo do indicador foi de 8,7% [gráfico
1].
[GRÁFICO
1]
Índice de
Confiança do Empresário do Comércio (ICEC)
Série
histórica (13 meses)
Fonte:
FecomercioSP
Na análise por
porte, o cenário das empresas de até 50 funcionários é preocupante, visto
que o indicador recuou pelo sexto mês consecutivo, registrando 93,6 pontos
em julho, menor patamar desde junho de 2021, período de pandemia; na comparação
interanual, apontou queda de 8,8%. Já no caso das empresas acima de 50
funcionários, o ICEC subiu 3,9% em relação a junho e atingiu 106,4
pontos, mantendo-se em patamar levemente otimista — contudo, sofreu
retração de 5,5% em relação a julho de 2025.
Empresariado está insatisfeito com as condições atuais
Dentre as três variáveis que compõem o ICEC, o Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) atingiu 69,1 pontos em julho, praticamente estável em relação a junho [gráfico 2], mas está 9,5% abaixo do apurado no mesmo período do ano passado. A FecomercioSP continua ressaltando o elevado grau de insatisfação do empresariado quanto às condições atuais. Mesmo que as vendas tenham crescido de maneira consistente até o fim de 2025, os empresários não estão satisfeitos com rentabilidade, pressão de custos, juros elevados, entre outros fatores.
No caso das pequenas empresas, o ICAEC
atingiu 68,7 pontos em julho, retração interanual de 9,6% — são 42 meses
consecutivos abaixo dos 100 pontos, indicando pessimismo. A queda
observada no período recente pode estar relacionada também às notícias do campo
político, como a aprovação da redução de jornada e o fim da “taxa das
blusinhas”, situação em que os pequenos negócios estão mais vulneráveis. Para
as grandes, por sua vez, houve alta de 77,9 pontos, em junho, para 84,4
pontos, em julho.
[GRÁFICO
2]
ICAEC, IEEC
E IIEC
Série
histórica (13 meses)
Fonte:
FecomercioSP
O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) das pequenas empresas também se deteriorou, ao passar de 99 pontos, em junho, para 97 pontos, em julho, o menor nível desde 2021. Segundo a Entidade, esse dado revela que as pequenas estão com um leve grau de pessimismo para investir com cenário econômico instável. No segmento das grandes, também caiu 3,5% em comparação com o mês de junho, marcando 107 pontos, mas permanecendo na zona de otimismo.
O Índice de
Expectativas do Empresário do Comércio (IEEC) subiu nas empresas de ambos os
portes. Nas pequenas, avançou 1,6% ao passar de 113,2 pontos em junho para 115
pontos em julho, porém apresenta queda de 10,4% em relação a julho de 2025. O
IEEC das empresas acima de 50 funcionários, avançou 7,9%, passando de 118,4
para 127,7 pontos.
Cautela para investir e ampliar
O Índice de Expansão do Comércio (IEC), pesquisa realizada também pela FecomercioSP, caiu 0,9% em julho, passando para 101,2 pontos. O indicador exibe queda interanual de 6,1%. A variável que mede a Expectativa de Contratação de Funcionários (ECF) atingiu 113,1 pontos; na comparação com julho de 2025, a queda foi de 4,5%. Segundo a Federação, o movimento é compatível com o aumento das incertezas presentes na economia, especialmente a desaceleração da atividade econômica, diante da inflação persistente, dos juros elevados e da queda do consumo.
[GRÁFICO
3]
Índice de
Expansão do Comércio (IEC)
Série
histórica (13 meses)
Fonte:
FecomercioSP
O Nível de Investimento das Empresas (NIE) caiu pelo sexto mês seguido, ao passar de 91,5 pontos, em junho, para 89,3 pontos, em julho (-2,3%). O indicador segue em patamar historicamente baixo e na zona de pessimismo (menos de 100 pontos) há 20 meses consecutivos. Na comparação com julho do ano anterior, a queda foi de 8,8%, ampliando a leitura de cautela dos empresários quanto aos investimentos. Além disso, as questões econômicas continuam reduzindo a atratividade de projetos de expansão, modernização e ampliação da capacidade operacional das empresas.
Confira os
principais indicadores econômicos para o planejamento do seu negócio no Panorama do Comércio. Produzido
mensalmente pela FecomercioSP, o boletim apresenta análises sobre o cenário
econômico, o perfil de consumo e as principais tendências que impactam a
atividade empresarial.
Notas
metodológicas
ICEC
O Índice de Confiança
do Empresário do Comércio (ICEC) contempla a percepção do setor em relação ao
seu segmento, à sua empresa e à economia do País. São entrevistas feitas em
painel fixo de empresas, com amostragem segmentada por setor (não duráveis,
semiduráveis e duráveis) e por porte de empresa (até 50 empregados e mais de 50
empregados). As questões agrupadas formam o ICEC, que, por sua vez, pode ser
decomposto em outros subíndices que avaliam as perspectivas futuras, a
avaliação presente e as estratégias dos empresários mediante o cenário
econômico. A pesquisa refere-se ao município de São Paulo, contudo sua base
amostral reflete o cenário da região metropolitana.
IEC
O Índice de Expansão do
Comércio (IEC)
é apurado todo mês pela FecomercioSP, desde junho de 2011, com dados de
cerca de 600 empresários. O indicador vai de 0 a 200 pontos, representando,
respectivamente, desinteresse e interesse absolutos na expansão de seus
negócios. A análise dos dados identifica a perspectiva dos empresários do
Comércio em relação a contratações, compra de máquinas ou equipamentos, e
abertura de novas lojas. Apesar de esta pesquisa também se referir ao município
de São Paulo, sua base amostral abarca a região metropolitana.
FecomercioSP



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